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 [E.O. Wilson na Gorongosa]

 

E. O. Wilson é um gigante no mundo da ciência. E é também uma das poucas "estrelas" entre os cientistas, figura popular, autor mui vendido. Para nós, antropólogos, é também o tipo da sociobiologia, aquilo que nos faz franzir o nariz. Enfim, um homem fascinante, um sábio. Veio à Gorongosa pela primeira vez em 2011 e fascinou-se, com o que considerou o "parque mais diversificado do mundo". Ali trabalhou. Sobre o parque tem falado, e deixo pequeno filme-resumo.

 

E agora publicou, na edição de Junho de 2013 da popularíssima National Geographic um longo artigo sobre o parque "O Renascimento da Gorongosa" (versão em inglês). 

 

Obrigatório para os amantes e os curiosos (ou seja, futuros amantes). O eco desta publicação será tão grande, tanto no mundo do conservacionismo ecológico como no da opinião pública mundial (a National Geographic é um real produto global) que se trata de um momento verdadeiramente emocionante para todos os que ... se interessam. Muito em particular nestes momentos em que, seja por razões militares seja por razões auríferas, as imediações do Parque ameaçam ameaçar este fabuloso renascer. 

 

A versão inglesa da revista está disponível há dias, a portuguesa vende-se a partir de hoje. Espero que cheguem exemplares a Maputo. Daqueles para saudar, ler acarinhando e guardar. E também divulgar. "Divulgar, divulgar, sempre ...". Nunca esquecendo que um grande baluarte da conservação é a opinião pública (e o turismo que dela decorre, é certo, mas não apenas). Movendo-se contra tantos interesses, incúrias e (in)culturas omnívoros com que desgraçadamente convivemos.

 

Como diz Wilson, e tantos outros especialistas que por lá têm trabalhado, o Parque tem uma enorme diversidade ecológica. Os nossos olhos de amadores esquecem algo que tem fascinado os cientistas, a fantástica fauna de insectos, tantos deles a serem agora descobertos.

 

 

Este renascer do Parque é obra de muitos, mas não tantos assim que não se possam identificar. Um deles é o fantástico Vasco Galante, que do Parque vai animando a divulgação do seu conteúdo e das suas actividades. A página da Gorongosa é espectacular, um manancial de sonhos e delícias. E nela se pode ler um artigo sobre "os bastidores" da realização do artigo de E.T. Wilson. Tudo articulado com o vibrante e muito completo, belíssimo Blog da Gorongosa. E quem anda no facebook tem a página Gorongosa (no facebook), publicada em múltiplas versões linguísticas. E nos seus 22 000 leitores tem mais 3 mil do que a do Kruger, esse empório do turismo, o que demonstra a qualidade e empenho com que é feita. Nesses suportes habitam um largo conjunto de notícias, artigos, filmes e fotografias. À nossa disposição. 

publicado às 14:24

Borgen

por jpt, em 30.05.13

 

 

Já que abaixo falei de TV aqui boto sobre a série que venho vendo, e com muitíssimo agrado: "Borgen", um produto dinamarquês, verdadeiramente de qualidade, refinado e interessantíssimo. Procurei na internet por referências em português e apenas as encontro originadas no Brasil, pelo que deduzo que ainda não tenha sido transmitida em Portugal. Se assim é ainda bem. Pois significa que ainda a podem ver pela primeira vez, um prazer (res)guardado. Em Moçambique também não passou, mas isso já me parece mais difícil que venha a acontecer. Cá em casa vêmo-la por especial simpatia de uma nossa danish connection, que já nos emprestou os dois primeiros lotes ("estações"), havendo ainda um terceiro (e último) a receber, num total de 30 episódios.

 

É uma série política. "Borgen" significa castelo, sendo o nome popular do Palácio Christiansborg, sede dos três poderes dinamarqueses. Trata da surpreendente ascensão a primeira-ministra da chefe de um pequeno partido de centro-esquerda, algo devido ao impacto público da sua pureza algo idealista (e ao facto de ser bem apessoada, diz este telespectador), a personagem Birgitte Nyborg [a actriz Sidse Babett Knudsen].

 

 

Numa produção que é muito boa, e isso sem se desdobrar em luxos e quantidades, há alguns eixos da trama que são especialmente apetecíveis. O pano de fundo (pelo menos nos 18 primeiros episódios) é o rolar da protagonista para um crescente realismo político, que em nada sendo sinónimo de cinismo implica uma evidente crispação (também simbolizada através da vertente familiar), por vezes por ela pressentida mas também perseguida. O que é algo bem rico, até pela densidade de carácter que permite ir descobrindo, para além das topologias e tipologias mais imediatas. Mostra ainda o jogo político local com particular incisão, a confrontação entre blocos ("esquerda" e "direita") e suas flutuantes fidelidades ideológicas, bem como as suas transformações históricas - é excelente, superlativa mesmo, a apresentação do ocaso sociológico do velho "socialismo democrático" local. E mostra também as artes e engulhos da governação em coligação (a primeira-ministra provém de um partido minoritário, ainda para mais), o que tornará a série bem actual, vera lição, para o histriónico cenário político português.

 

Dois outros pontos ali transparecem. Sendo a série bastante realista nota-se a frugalidade dinamarquesa, nos cenários e nas práticas (seja de representação política seja de vida doméstica - e como pequenas são as casas e pequeno-burguesas aparentam ser as vivências). E ainda que se notando uma secura no trato (pelo menos para os olhos latinos) impõe-se um evidente protocolo leve, que é algo que bem se poderia importar para o enorme sul.

 

 

Finalmente há a constante presença da comunicação social, um tráfego constante. Que sendo em parte uma deriva da trama, até romântica, da série, não poderá deixar de denotar esse "convívio" quotidiano entre o poder executivo e o temido quarto vector dos possidentes. O qual em "Borgen" surge com várias matizes, desde o pérfido anterior chefe trabalhista até a gente profissional muito louvável (é notória a "aliança de classe" entre argumentistas e o mundo do jornalismo). Na série o protagonismo do sector jornalístico recai na personagem Katrine Fonsmark [a actriz Birgitte Hjort Sørensen, que vai muito bem e cuja carreira anseio por acompanhar].

 

Resta dizer o óbvio: algo está muito viçoso no reino da Dinamarca.

publicado às 04:31

Masterchef (USA)

por jpt, em 29.05.13

 

O nosso pacote tvcabo inclui 5 canais portugueses. Não é resmunguice minha mas são pobres. Não tanto (ou só) em conteúdo mas em estilo. Decerto que por causa dos custos a televisão portuguesa radializou-se, abundam os programas de conversa. Ou seja, basta um cenário mais ou menos pobre por detrás de uns convidados, cíclicos ou residentes, que vão falando. Seja no velho modelo dominical "Júlio Isidro", que reina nas manhãs mas não só (numa das quais vi há tempos a minha co-bloguista no Delito de Opinião Helena Sacadura Cabral ladeando o grande Mário Zambujal, e nisso suspendi a minha malevolência menosprezadora). Ou na mera conversa de painel, versão sisuda de cariz denunciatório (Medina Carreira, Rui Santos, etc.) muito apropriada ao estado de espírito popular, ou versão engraçadista, exemplo da qual vi há dias o falado "Governo Sombra", pungente programa com Araújo Pereira e Pedro Mexia, onde os tipos mandam umas bocas saídas do "achismo" e se riem das piadas próprias, falha primeva de qualquer humorista ou a isso candidato. Enfim, no meio disto ao longo dos anos fui deixando de ver tv portuguesa, até porque nem sou grande consumidor dos produtos tv. Se calhar até perdendo algum programa interessante.

 

Mas de quando em vez encanto-me na televisão. Aconteceu-me há algum tempo com Boston Legal, então repetido e que não conhecera antes. E agora, por razões bem diversas, ando a seguir o Masterchef (USA), porventura também uma repetição no canal Fox. E sigo-o tão afincadamente que até a mim me surpreendo. Não sou um bom garfo, contrariamente ao que a minha barriga filha do sofá e das teclas (e de alguma cerveja) anunciará. E na cozinha nada percebo nem faço, para além de ocasionais ovos mexidos e uma ou outra lata de atum a misturar com Hellmann's. O que me prende ao Masterchef é outra coisa. É mesmo acompanhar como de um assunto aparentemente nada visual, isso de juntar uns tipos diante de uns fogões e fazê-los cozinhar algo que nunca comeremos (nem cheiraremos), e como tal nada atractivo para TV, se faz um trepidante e entusiasmante programa, cheio de expectativa, ritmo, suspense, humor e emoção. Tudo saborosíssimo, de fazer crescer água na boca.

 

Será uma produção muito cara? Aparentemente nem tanto, pelo menos em termos comparativos com tantas outras. E é com toda a certeza uma prova que há imensos, e até inesperados, assuntos sobre os quais se pode telefazer. Precisando-se de alguma imaginação. E, acima de tudo, de técnica narrativa. A qual parece mesmo ser o grande défice na tv portuguesa. Isso do não saber como ...

publicado às 09:01

 

O Pedro Correia acaba de publicar "Vozes e Consoantes Politicamente Incorrectas do Acordo Ortográfico". E coloca aqui o texto que leu no lançamento do livro. A pensar e a falar bem.

publicado às 04:49

O Prémio Camões para Mia Couto

por jpt, em 28.05.13

 

No ma-schamba há várias referências a Mia Couto, colocadas ao longo dos anos. Há algum tempo referi que "sou um mau leitor de Mia Couto, transporto-me com dificuldade para a sua ficção. E gosto muito dos seus textos de opinião, pelo que diz, pela forma como o apresenta." E nesse âmbito não esqueço nunca o seu extraordinário texto, de sentimento e de coragem, até física, lido no funeral de Carlos Cardoso. Que mais me fez admirar o homem ali, sempre gentil no seu jeito muito próprio, para além do escritor afamado, reconhecido. E sempre amado pelos leitores, um tipo que não precisa de confrontar quem o aprecia, sinal de grandeza.

 

Neste agora em que lhe é atribuído o Prémio Camões deixo um poema que lhe foi dedicado: 

 

 

Praia do Savane

 

Tu apenas tu e rodeando-te

a imensidão do mar

e a savana imensa

e o céu abrindo e fechando

todo o horizonte à sua volta.

 

O bramido oceânico

e o fundo silêncio da savana.

E a solidão a solidão

e as aves marinhas

confirmando a solidão ...

 

Livre te sentes é verdade

mas também perdido

e inútil esta liberdade

Adão que és agora ínfimo

desolado e inquieto

contemplando o mar perplexo

contemplando-o como se as ondas

te pudessem decifrar o mistério

desta absurda criação

de deserto de mar e de terra

de silêncio de vento e de aves ...

 

[Fernando Couto, 1985, em "Monódia"]

 

 

E ocorre-me repetir o conteúdo de um postal colocado há dois anos: "as capas nas estantes cá de casa. Até para conferir(mos) o que falta ...", que coloquei exactamente a propósito da formação de um grupo dos seus leitores que apelavam a que se lhe atribuísse o "Camões".  

 

 

[Cada Homem é Uma Raça, Caminho, 1990]

[A Chuva Pasmada, Ndjira]

[Contos do Nascer da Terra, Ndjira, 1997]

[Estórias Abensonhadas, Ndjira, 2ª edição, 1997 (1994). Ilustrações de João Nasi Pereira]

[Ilha da Inhaca. Mitos e Lendas na Gestão Tradicional de Recursos Naturais, Impacto, 2001. Coordenação de Mia Couto]

[Idades Cidades Divindades, Ndjira, 2007]

[Jesusálem, Ndjira, 2009]

[Mar me quer, Ndjira, 1998]

[Na Berma de Nenhuma Estrada e outros contos, Ndjira, 2001]

[O Fio das Missangas, Ndjira, 2004]

[O País do Queixa-Andar, Ndjira, 2003]

[O Último Vôo do Flamingo, Ndjira, 2000]

[E se Obama Fosse Africano? e Outras Intervenções, Caminho, 2ª edição, 2009]

[O Pátio das Sombras, Escola Portuguesa de Moçambique/Fundació Contes pel Món, 2009. Desenhos de Malangatana]

[Pensando Igual, Moçambique Editora, 2005 (com Moacyr Scliar e Alberto da Costa Silva]

[Pensatempos. Textos de Opinião, Ndjira, 2005]

[Raíz de Orvalho e Outros Poemas, Ndjira, 2ª edição, 1999 (1983)]

[Terra Sonâmbula, Ndjira, 1996]

[Um Rio Chamado Tempo, Uma Casa Chamada Terra, Ndjira,  2ª edição, 2002]

[A Varanda do Frangipani, Caminho, 1996]

[Venenos de Deus Remédios do Diabo, Ndjira, 2008]

[Vinte e Zinco, Ndjira, 1999]

[A Confissão da Leoa, Caminho, 2012]

publicado às 04:28

 

Beatriz Garcia é doutoranda em Antropologia na Universidade Autónoma de Barcelona (Espanha).

 

Resumo: A presente comunicação explora os antecedentes da pesquisa que pretendo realizar sobre as noções dos professores em relação ao tema do HIV-SIDA e a sua abordagem nas escolas de Ensino Secundário na Matola. Esta temática inscreve-se no meu interesse académico e profissional que está relacionado com a interligação entre a educação, a imigração e a transmissão cultural nos processos através dos quais nos convertemos em sujeitos de um grupo cultural. Em particular, estou interessada na compreensão de como a escola, como instituição educativa, se relaciona com, se inscreve e como responde aos fenómenos que sucedem em seu redor. Pretendo relacionar este tema com estudos anteriores realizados em Barcelona sobre uma temática similar. Irei indicar alguns dos referentes teóricos com que pretendo trabalhar e também apresentar os resultados do estudo exploratório que realizei na Matola. Algumas das perguntas que guiam o estudo são: Quais são as noções dos professores como sujeitos culturais sobre o fenômeno do HIV/SIDA? Como se produz a transmissão de estas noções aos alunos?

publicado às 03:08

        

                                   



publicado às 20:24
modificado por jpt a 7/9/13 às 14:10

Politeísmo (39)

por jpt, em 26.05.13

publicado às 20:23

Ressaibo revanchista

por jpt, em 24.05.13

 

Devido a um amabilíssimo convite do Pedro Correia durante 2012 escrevi no blog colectivo sportinguista "És a Nossa Fé!". Foi um entusiasmo para mim, coração leonino, alma de "lagarto" se se quiser. É meu fervor, e cá de longe se calhar ainda mais do que se estivesse ali nas vizinhanças de "Alvalade". Depois, um dia, chateei-me a sério com o fel direccionado e nem assumido na quase-estreia de um co-bloguista e abandonei o blog. Mas continuei leitor diário, é o meu Sporting, a minha (dolorosa) fé, e gostei muito de pertencer ao blog.

Deixei-me disso agora. Nem ligações, nem páginas no FB (que abri e andei a divulgar), nem mais visitas. Blog colectivo é plural, claro, diversas opiniões. Mas aquilo chegou a um ponto insustentável. Pois entre um núcleo bem diversificado e muito louvável de bloguistas sportinguistas impôs-se a presença diária, fulgurante e poluente, do revanchismo pós-eleitoral. O blog está colonizado pelo ressaibo.

Bruno de Carvalho foi eleito presidente e isso não é um cheque em branco. Ele é escrutinável e criticável. É nosso direito, sportinguista, pressionar, resmungar, opinar, aventar. Criticar. O que é completamente diferente do que ali alguns sportinguistas fazem. Desde o primeiro dia anunciam as malevolências hipotéticas, as putativas incompetências. Gozam, rasteiros. Achincalham. A liberdade de opinar, afirmam, em meneios retóricos. Com sportinguistas destes nem precisamos de adversários.

Abandono, de vez, tal companhia, com pena por perder os textos de tantos outros bloguistas ali no "És a Nossa Fé"". Mas já sem paciência para me irritar com a pequenez, mesquinha, de alguns. Mas há muitas outras fontes para continuar a acompanhar, sempre resmungão claro, o Sporting.

A ver vamos com se porta este Bruno de Carvalho. Até agora, e passe isto de Jesualdo não ter ficado, pouco de mal a dizer. Mas vamos ver.

publicado às 07:05

Manzarek

por jpt, em 23.05.13

 

Morreu há dias, aos 74 anos. Ouvi muito os "Doors" na idade, aquilo do "rei lagarto". Depois? Depois não. Lembrando agora é até surpreendente, terá sido a minha banda de adolescência (que densidade para "boys band", impensável para os tempos do hoje "lite"), que aos restantes do culto de então continuei a ouvir (muito, Lou Reed, Neil Young, Dylan; de quando em vez, uma mala cheia).

 

 

Enfim, nunca fui (nunca iria) e nunca irei ao tal cemitério em Paris. Mas ao ler da morte do já velho Manzarek fui ouvir Doors. Para perceber que ainda tenho um CD, só um, que a minha adesão é do tempo do vinil e nem foi reconstruída. E assim lembrar a quantidade de vezes que com eles me deixei ir, e tanto, também ao som daquele orgão. "Querida", onde/quando se apagou "o meu fogo"?

Ficam aqui duas das minhas preferidas. Que, até sorridente, concluo agora serem ainda muitas:

publicado às 07:43

Costa do Sol

por jpt, em 22.05.13

Há alguns dias, lá fui ao meu "bye, bye, Costa do Sol". Domingo de manhã, tirei algumas fotos aos troncos abatidos. No ainda areal trabalhadores afadigavam-se a arrastar outros tantos, ou mais. Sou velho nisto, sei bem que nunca se fotografam pessoas sem pedir licença, nem que seja por aceno. Pois estava eu a fotografar o que aqui se vê, nacos vegetais, ali defronte à actual (por quanto tempo?) cooperativa de artesãos macondes, quando um dos trabalhadores, provavelmente capataz, começou aos gritos, como se eu estivesse a cometer uma qualquer ilegalidade. Ou, pelo menos, imoralidade.

A idade abateu-me e a época derreou-me. Percebi bem que se fosse há algum tempo logo me teria insurgido contra o atrevimento do homem, pois não há nada, nem lei escrita nem costumes, que me impeça de fotografar árvores caídas. Mas agora encolhi os ombros e meti-me no carro. A pensar em quem teria dito ao homem, ali a fazer o seu trabalho o melhor que sabe, com toda a certeza, que é proibido fotografar a desanimadora paisagem.

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publicado às 16:15

 

Felicidade cá em casa. Pois o nosso sobrinho (e primo) Francisco Alves acaba de renovar o seu título de campeão nacional sub-20 de surf, culminando esplendidamente a sua carreira júnior, enquanto vem somando sucessos já no escalão profissional superior. Pois anteontem terminou o Moche Projunior 2013 na praia internacional do Porto (reportagem aqui). Com mais um sucesso.

 

 

O Francisco (Alves) está a cumprir o seu sonho e a seguir o seu caminho. Que persegue com afinco, dedicação e trabalho. Que os deuses das águas e os patrocinadores o apoiem, o quanto ele merece. Por ele, claro. E pelos sorrisos vaidosos com que as suas admiradoras me enchem a casa.

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publicado às 10:04

Adopção por homocasais

por jpt, em 20.05.13

 

Em Portugal votou-se agora favoravelmente a possibilidade dos casais homossexuais adoptarem crianças. Uma pantomina, uns deputados ausentaram-se num "vou ali e já venho" para não votarem, partidos deram liberdade de voto (como é possivel que um deputado não tenha sempre essa liberdade? e se há restrições a esta, que raio de hierarquia existe, que nas questões cruciais como esta cada um vota como quer e nas comezinhas das aprovações quotidianas há limites?).

Marinho Pinto, o populista com que a esquerdalhada anti-democrática vibra, vem agora em sentido contrário, negar a adopção homossexual e apupam-no. O que tem piada. Os "campanhistas" homófilos continuam as suas execráveis campanhas, tipo "os heterossexuais abandonam as crianças que nós queremos adoptar" - não, o que choca não é apenas o desrespeito pelo facto de pessoas morrerem e deixarem orfãos. É também a malfadada culpabilização sobre as pessoas. A mesma escória "gayófila" que agora culpabiliza os pais biológicos que abandonam crianças passíveis de adoptar é a escória que em torno do aborto (dita "interrupção voluntária de gravidez") se fartou de contextualizar, socio e culturalmente, as pobres mães "obrigadas" a abortar (ou a abandonar os recém-nascidos), assim "desculpabilizando". Agora, porque dá jeito à retórica, recupera-se a malfadada "culpa" (já agora, aquela "culpa" que submergiu os homossexuais durante tanto tempo).

E continuo a ouvir e ler o medíocre argumento de que é melhor entregar as crianças das instituições onde são mal-amadas aos casais homossexuais, uma espécie de mal menor. E estes surgindo como uma solução de última instância, a ficarem com o refugo adoptável. Ninguém quer o estafermo? Então que fique para os bons dos homossexuais. E é isto que os "campanhistas" verbalizam, sem qualquer pudor.

Deixemo-nos de coisas, como disse uma vez Manuela Ferreira Leite, o casamento serve para procriar (produzir filhos, criá-los e regular a atribuição dos bens). O resto vem por acréscimo, do Corin Tellado às novelas brasileiras passando por Bollywood e as comédias românticas da velha tarde de cinema. Então a esquerdalhada homófila, ignorante e raivosa, atirou-se ao ar com o óbvio assim afirmado. 

O casamento serve para (pro)criar. É esse o fundamento da instituição, muito para além das coisas de cada um. Como tal se se legislou a possibilidade do casamento homossexual isso traz, obrigatoriamente, a possibilidade de adoptar (e do acesso às modalidades de procriação assistida). Apenas a torpe hipocrisia do legislador de então permitiu esta delonga. Nisso se sublinhando a pacóvia cobardia daqueles deputados, os de então e os d'agora, os da "liberdade de voto" e os do "vou ali e já venho".

E é tempo de abandonar, de vez, esta miseranda e desprezível retórica culpabilizadora adoptada pelo movimento homófilo. Padresco.

publicado às 09:14

Vieram aí os russos?

por jpt, em 20.05.13

 

 

Há dois meses foi no Chipre: foram-se aos depósitos do povo, que é cipriota, e pimba, sacaram-lhes parcela. Na altura botei que um dia destes iriam aos dos outros, que não são cipriotas. Mas logo foi justificado o acontecido, ao que consta os bancos cipriotas estavam atulhados de dinheiro russo, sabe-se lá exactamente porquê, e que foi essa a razão do saque realizado.

Ontem ao jantar sou avisado por voz algo preocupada. A notícia até já tem dias, mas na azáfama cá de casa nela não atentáramos: o governo português vai avisando, acima dos 100 000 euros de poupanças a gente não poderá estar descansada (e abaixo também não, direi eu, que isto do "sacro[e]ssanto" respeito anunciado pelo ministro tem "algo que se lhe diga"). Decerto que os russos vieram por aí abaixo, sem que percebessemos, e encheram o banco público dos macro-investimentos mal parados [ai a CGD, administrada por mandarins dos(s) partido(s)] e os grão-bancos privados. Foi isso, abramovichámo-nos sem ver?

A lógica actual é simples: vai-se às reformas e tira-se-lhes parte. Sendo que a esmagadora maioria dos reformados não será propriamente muito abonada. E vai-se aos tipos que fizeram algumas poupanças (por maior que seja a demência populista: um tipo que tem 100 000 euros não é, seguramente, um oligarca e, muito menos, um plutocrata). Ou seja, vivemos anos a ouvir dizer que se "gastou demais" (e sim, a sociedade gastou demais, o que é bem diferente do que dizer que as pessoas consumiram demais, quais viciosos ou prostituídas imbecis). E agora pune-se aqueles que tiraram do consumo, os que descontaram para a reforma e/ou aforraram.

Nã, Gaspar até pode estar bem-intencionado (eu acho que sim) e ter várias razões (dado que a "Razão" ninguém tem). Mas, nã (repito), assim não se vai lá. Qual a solução?

Desconfio que este colchão Onix-Bristol não dê a segurança necessária, que logo brotariam os assaltos à mão-armada. Ou, pior, a proibição de levantamentos bancários. Daí que o melhor será mesmo ir até Bristol depositar o caixote preenchido durante a vida. Ou algum visitante tem melhor conselho?

publicado às 08:46

Politeísmo (38)

por jpt, em 19.05.13

publicado às 18:30

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