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Greve dos professores portugueses

por jpt, em 04.06.13

 

Leio, estremunhado, que os professores portugueses ameaçam fazer greve nos próximos dias. E com isso afectando o processo final de avaliações e talvez até os próprios exames finais. Preocupo-me um pouco com a minha filha, empenhadíssima na conclusão da sua 6ª classe, e com viagem para férias em Portugal já marcada para o logo depois dessas provas finais. Espero que a sua concentração, tão organizada, e as suas férias, tão merecidas, não sejam prejudicadas pelas lutas sindicais dos seus professores.

 

A este propósito leio também umas choraminguices das confederações de pais. Que, sim Senhor, os professores têm toda a razão, a culpa "disto tudo" é do(s) governo(s), que a greve é justa, que o direito à greve é fundamental, mas ... por favor stôres não prejudiquem os nossos petizes, coitadinhos, deêm-lhes as notas e façam-lhes os exames, não lhes questionem o direito à educação. Que coisa! As greves são para serem feitas quando doem mais, para potenciar os seus efeitos de pressão. Quando doem aos patrões/empregadores e aos consumidores/utentes. Com limites claro, da racionalidade económica (sobrevivência organizacional), política (a das boas modalidades do regime) e, em última análise, do interesse nacional. Objectivamente nada disso está em causa com um hipotético atraso dos exames por via de uma greve.

 

Os professores consideram que devem fazer uma greve (por razões que desconheço, sendo que até tenho um longínquo apreço pelo actual ministro)? Façam-na. Como deve ser. Quando atrapalha mais. E quanto aos paizinhos: ou são contra os motivos da greve, e contestam-na. Ou aceitam-nos, e deixam-se de choradinhos.

 

(é claro que não haverá greve aos exames, é bluff para as primeiras páginas dos jornais. Ainda bem para a Carolina. Que não mereceria esta confusão. Mas que, com toda a certeza, não veria os seus (sacrossantos) direitos postos em causa caso ela viesse a ser realizada).

publicado às 08:54

O espetro do Acordo Ortográfico

por jpt, em 04.06.13

 

Isto é um espectógrafo, grosso modo um aparelho que trabalha com a luz. A RTP, estação pública portuguesa, noticia, até ufana com a capacidade nacional, que "Portugal vai participar na construção do maior espetógrafo do mundo". "Espectro" é uma palavra que a que o malvado Acordo Ortográfico atribui dupla grafia, "espectro" e "espetro". Para os portugueses furiosos anti-brasileiros convirá referir que "espectro" é consignada nesse AO90 como "grafia brasileira", o que lhes desmonta um bocado a grafoxenofobia, sempre tonta como costumam ser os arroubos.

 

O que não percebo é a razão de se retirar a consoante sonante (em Portugal a "pronúncia culta", seja lá o que isso seja, sempre diz "espeCtro") de uma palavra. E também não percebo porque a RTP utiliza a versão "muda" (espÊtro em vez de espÉctro, ambas grafolegítimas). Mais papistas do que o Papa. Ou meros servos de um poder político boçal e ridiculamente neo-colonial? Pobre país, com tantos lacaios. Que miserável espectro de gente. Ou espetro de gente. Que a consoante é aqui o menos importante.

publicado às 07:21


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