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A última vez que compareci às comemorações oficiais do 10 de Junho em Maputo foi há 10 anos, e sei bem quando foi pois ainda vivia na F. Engels, ali vizinho da residência do embaixador. Cheguei bem tarde, vindo um trabalho entre Boane e Moamba, mas ainda lá fui como sempre o fazia nesta data. Quando cumprimentei o funcionário público que então ocupava as funções de representante, ele ficou a olhar insistentemente para a minha ausente gravata. Eu não lhe disse o impropério que ali mereceu - na época era cooperante, tive que aguentar - mas nunca mais lá voltei. Já agora, os últimos três embaixadores portugueses foram muito fraquinhos, e um tipo, ainda para mais tendo conhecido as verdadeiras excelências que os antecederam, perde a paciência para o mero aparelhismo, mesmo que doirado com o brilho do simbólico. E muito prejudicado com os tiques sociológicos de uma corporação profissional que a torna tendencialmente (muito) renitente à aprendizagem, auto-encerrada, numa "endogamia" intelectual medíocre e incompreendedora. É certo que ao longo dos anos conheci uma mão cheia de bons, até excelentes, diplomatas. Serão esses os que estão socialmente descansados e sociologicamente informados, nisso entendendo que uma república é uma mole de cidadãos e não uma hierarquia de estatutos ontológicos. Mas esses não são, infelizmente, a regra, e isso apouca as competências gerais. Enfim, diz-se que o homem que agora chegou a Maputo é de outro calibre, e ainda bem pois o momento histórico merece e exige. A ver vamos. Se suplanta o que se vem passando e a equipa que tem.

 

Este ano fui à recepção comemorativa. O novo embaixador fez um bom discurso, para além do protocolar. Sublinhou que os portugueses residentes, 23 000 (?, sempre julguei que um pouco mais), constituem um contingente relativamente diminuto se comparado com os emigrantes portugueses em tantos outros países. Certo que o impacto migratório não é apenas estatístico, mas é avisado recordar isso para obstar à ideia da "vaga" de portugueses num país com 23 milhões de habitantes. E deixou dois pontos importantes a reter, quais recados para nós outros, portugueses: a) estamos cá a trabalhar, a ganhar a vida, com o apoio local. No respeito das leis - necessário sublinhar, num contexto em que muito patrício julga que vem gingar diante dos regulamentos. É uma trabalheira, e conspurca a imagem de quantos por cá não o fazem; b) a comunidade portuguesa deixa a política moçambicana para os moçambicanos. Conveniente de lembrar num momento antecessor de um ciclo eleitoral, para acalmar alguns hipotéticos excitados.

 

A festividade em si própria foi interessante. Para mim, a permitir-me rever conhecidos, já raro convívio dado o meu ensimesmamento e o nosso envelhecimento. E continuo a espantar-me com isto de ver os patrícios, quando em algo oficial, a vestirem-se todos com fatos azuis. Qua aquele velho "azul Carris", o dos uniformes dos motoristas e revisores de autocarros. Acham que vão finos, assim. Não vão. Mas enfim, é o que conseguem. E se se esforçam é de louvar. Mas não deixa de ser um uniforme. E isso não é lá muito bom, que a cidadania não se uniformiza. Tornando o cada um como cada qual num cada todo como cada quais. E isso não é bom, principalmente hoje, a precisar de mais cores.

 

Para o ano há mais. E até lá há muito para percorrer. Muito mesmo.

publicado às 20:57

Mário Soares e os outros

por jpt, em 10.06.13

Tenho o facebook e a minha lista de blogs cheia das intervenções de Mário Soares, adversas ao governo português. Sobre este último já disse o que tinha a dizer no já velho dia 27.6.2011: um governo com o CDS/PP que coloca como secretário de estado um daniel campelo não tem qualquer hipótese, é mais da mesma merda, eco da corrupção do sistema político, então, na primeira era campelo, patrocinada pelo paupérrimo Sampaio.

 

Venho de uma função  oficial, o tal 10 de Junho das comunidades, onde encontro conhecidos e amigos, alguns funcionários outros nada disso, capazes de invectivar o presente e salvaguardar o passado. E assim a irritar-me, francamente. Amizade à parte fico irado. Gostam do passado, que regressa. Apreciam Soares (esse com o qual José Pacheco Pereira se apouca terminalmente, chamando-lhe agora "Presidente", como se estes cargos fossem imorredoiros, como se não fossem a termo certo, electivos, como se não fossemos nós uma república, e é pena ver um professor que respeitámos senilizar-se intelectualmente por mera estratégia, ecoando a parvónia protocolar americana, sacralizadora). Soares o do abraço, em visita oficial à Argélia, ao corrupto, corruptor Craxi, então auto-exilado pois procurado pela justiça italiana, tamanha a sua conivência com a Mafia. Os mesmos funcionários e outros nada disso que gostam de Sampaio, o presidente que foi abraçar o corrupto Abílio Curto, o presidente da câmara condenado à prisão (por "amizade", disse então em falso arroubo másculo, mascarando o pontapé dado na necessidade de defender a democracia e a tendencial limpeza do sistema administrativo-político).

 

Crise portuguesa? Sim, claro. A incapacidade de ver que a crise vem do populismo corruptor é sinal do profundo de que brota a crise. Não são os extremistas, adversários da democracia, que são os grandes inimigos desta. São estes aparentes democratas incapazes de encontraram as raízes sistémicas do abalo que sofremos. Da "banda do cavaco" a estes socialistas mediterrânicos. É refutando esta tralha, a formada nos 80s de Macau, socialista, podre desde então, e o bloco psd, germinado no cavaquistão. A democracia defender-se-á assim. Refutando esta escumalha, "presidentes" e não presidentes. Não topologicamente. Nunca com o amigo de mafioso Craxi ou com o amigo de corrupto Curto, nem com o gajo que ganhou upgrading da "Mariani".

 

Para a frente, democraticamente. E nunca para trás. E, nisso, claro, nunca com quem despreza a república, como agora o afinal servil Pacheco Pereira. Uma purga, é o que o país precisa. Já! Também, amizade à parte, diante dos funcionários ou nem tanto, amigos ou conhecidos. Assassinos do meu país. Por interesse próprio, alguns. Porque obtusos, outros.

publicado às 20:06


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