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Bigger than life

por jpt, em 11.06.13

 

A Câmara Municipal de Lisboa chamou Álvaro Cunhal a uma avenida, neste ano do seu centenário. Resmunguice à parte, o homem foi "bigger than life", como se quer a alguns. Raríssimo, pois assim. Mais raríssimo ainda, se pensarmos no mundo português. Voto sim! Gulags?, Angolas?, Hungrias?, Checoslováquias?, o XX totalitário? Ok. Mas que panache tinha Cunhal. E que dimensão. Voto sim, venha a avenida Cunhal!

 

Depois lembro-me do meu pai António, comunista até à sua morte, "sem culto da personalidade", claro, e como tal "não-cunhalista" como o eram os comunistas da sua geração. Lembro agora que soube da morte do velho líder comunista numa manhã, em plena reunião na universidade. Ao entrar no anfiteatro, único português presente, vários colegas se levantaram para me darem os pêsames. Não, não tenho fama de comunista, alguns até me julgam algo fascista (e talvez não apenas por não ser fan da retórica semi-porno do revolucionarismo hedonista d'hoje em dia). Eram convictas essas condolências, um património simbólico do meu país que partia. Logo fui telefonar para a longínqua casa, "mãe, como está o pai?", "ai, filho, muito em baixo...", morrera pouco antes Vasco Gonçalves, naquele momento o sempre "secretário-geral". As figuras daquela geração. E, para aqueles, esta a maior de todas.

 

Entre esta lembrança de um homem ímpar e do apreço que lhe tinha o meu pai suspendo a vertigem crítica. E para isso nem preciso olhar os anões sôfregos que pululam na cena pública do meu país. Basta-me a memória do homem. Sem perseguir o que quis. Sabendo-o maior do que muito do que quero. E, com toda a certeza, do que os que querem o que eu quero.

publicado às 20:11


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