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Auto-exclusão

por jpt, em 04.07.13

 

[Postal para o Delito de Opinião]

 

Vivo longe de Portugal há muito tempo, e torna-se-me óbvio que os anos vão-me tornando ainda menos capaz de perceber isso aí, de me perceber. Um tipo angustia-se com o que vai ouvindo e lendo sobre o país. Por amor ao rincão, e por medo do hipotético reformado futuro também, que "isto" não é só cidadania. Já imigrado irritei-me com o guterrismo (no qual votei), espantei-me no interlúdio subsequente (no qual votei), desesperei-me com o engenheiro Sócrates (do qual estou inocente). Nisto que esteve agora, ou ainda mais-ou-menos está, enfim, apenas esperei algo - muito pouco e por muito pouco tempo, ao descobrir que a desvergonha centrista levava Daniel Campelo para o governo, um explicitar do desrespeito radical pelo lógica do regime ou seja, do desrespeito por quem vota e por quem não vota mas por aí anda. Ainda assim, e cansado da bandalheira relvista, há três meses aqui deixei o postal "next". A sua tese era simples, face à visível falta de unhas do PSD que se chegasse Portas a PM, a ver o que (se) poderia fazer dessa "gasta pátria".

 

 

Vejo agora o triste (para ser suave) espectáculo que Portas e o seu partido dão (e lembro-me, envergonhado, que in-blog apelei ao voto naquela reles gente). Retiro conclusões sobre a política aí? Nem tanto, apenas percebo que nada percebo do verdadeiro conteúdo. Que só digo asneiras. Ou, pelo menos, que digo muitas asneiras, pavoneando-me perorando na tasca do bairro (o "meu" ma-schamba) e aqui, na leitaria DO. Então, e para que não me apanhe um dia destes a apelar a um Gomes da Costa, à tomada do palácio de Inverno ou, pior ainda, à ascensão de Ana Drago ao poder, comprometo-me a não botar mais sobre política portuguesa. Como diz a célebre canção moçambicana do grande Dilon Djindji "juro palavra d'honra sinceramente vou morrer assim".

 

 

Vou agora, mais dia menos dia, a Portugal. Ver a minha mãe (e evitar os que "vêm a mãe", claro, os tardo-arrivistas que tanto levaram a isto). Ver a minha família, consanguínea, d'afinidade e espiritual. Um ou outro sítio, dos que me valem. Mais um ou outro medronho (envelhecido, de Monchique, se possível). Fugindo das conversas do "ai como isto está", o gemido que sempre se ouve desde o princípio de XXI. Nada tenho para dizer sobre, incapaz que sou. E nenhum conselho. Pois os meus da minha idade vão para velhos em demasia para emigrarem. E os meus mais novos já se baldaram. Quase todos, por enquanto.

publicado às 05:35


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