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Politeísmo (72): casal olímpico

por jpt, em 31.08.13

publicado às 18:00

Hoje

por jpt, em 31.08.13

publicado às 08:55

Ao Balcão da Cantina (32)

por jpt, em 31.08.13

 

 

(o meu texto para a edição desta semana do "Canal de Moçambique")

 

Bragança e First

 

Em cerimónia a decorrer hoje mesmo, quarta-feira 28 de Agosto, a Universidade Eduardo Mondlane (UEM) homenageia Ruth First e Aquino de Bragança, antigos docentes e investigadores no seu Centro de Estudos Africanos (CEA). A ambos serão atribuídos graus de doutor honoris causa, a título póstumo, uma iniciativa que, com este enquadramento, julgo ser inédita na instituição. Recordo que First, cidadã sul-africana e conhecida opositora do regime praticante do apartheid, foi assassinada em 1982 através de um atentado em plenas instalações do CEA, tendo sido vítima de uma carta-bomba recebida no seu gabinete no “campus” universitário em Maputo. E que Bragança, ele próprio ferido nessa ocasião, veio a perecer em 1986 integrando a comitiva do presidente Samora Machel, de quem era muito próximo colaborador.

 

Nos últimos anos, no seio da UEM ou através de outras instituições de pesquisa, algumas actividades têm evocado estas personagens. Sem afiançar que estou a ser exaustivo noto que em 2007 e em 2012 Ruth First foi aqui homenageada em conferências internacionais organizadas pelo próprio CEA. E que em 2010 Aquino de Bragança foi lembrado na conferência “Mecanismos Estatais e Não-Estatais de Justiça e Segurança Pública – A Dinâmica do Pluralismo Jurídico em Moçambique”, organizada pelo Centro de Estudos Sociais Aquino de Bragança (CESAB), o instituto de pesquisa que assume o malogrado investigador como inspiração. Deste modo não se poderá considerar que a memória destes intelectuais tem sido descurada. Mas essa recordação tornar-se-á agora mais sonante, através deste reconhecimento máximo que a própria universidade lhes atribui, cerca de três décadas após terem morrido.

 

Regressar agora a estas figuras tem significado. Num plano mais geral o cerimonial do doutoramento honoris causa, ainda para mais em modalidade póstuma, é um importante passo na ritualização da vida académica. Nesse sentido poder-se-á encarar a situação também como um momento de reforço da identidade da UEM, o que é de saudar. Mas a iniciativa da universidade, evocando estes investigadores é também uma invocação, uma celebração de dois percursos intelectuais que assim se assumem institucionalmente como um legado a transmitir às novas gerações, até mesmo como um exemplo a prosseguir, adaptados aos contextos actuais e futuros. Assim sendo o cerimonial de hoje não é um mero acto protocolar mas dever-se-á entender como um momento de construção intelectual, através deste avivar da memória.

 

Aquino de Bragança (1924-1986), nasceu na Índia, cruzou Moçambique em 1948 de onde partiu para França para estudar Física, e viveu depois em Marrocos e na Argélia, onde integrou organizações de oposição ao regime colonial português, tendo colaborado com o movimento africano global anti-colonial, em particular francófono. Regressou ao país após a independência, no qual teve papel político de relevo, ainda que não executivo. Desde 1976 foi o primeiro director do Centro de Estudos Africanos da UEM. Ruth First (1925-1982), era uma destacada comunista sul-africana, tendo-se exilado na Grã-Bretanha e ainda na Tanzânia desde 1964, países onde leccionou e investigou, em articulação com a actividade política. Em 1977 Bragança convidou-a para integrar o corpo de investigadores em Maputo, tendo dirigido de início um projecto que veio a ser célebre, “O Mineiro Moçambicano”, verdadeiro marco de partida dos estudos sociais do novo país. A partir do ano seguinte tornou-se residente no país, como directora de investigação e docente.

 

Teresa Cruz e Silva recordou, num recente colóquio no “Franco-Moçambicano”, o papel de Bragança na reorganização dos estudos sociais após a independência, na renovação curricular, no lançamento de linhas de pesquisa, na cooptação de investigadores estrangeiros, e na selecção de um conjunto de jovens intelectuais nacionais que vieram a fazer carreira académica bastante produtiva. Assim uma das figuras fundadoras da academia nacional. First logo se integrou nesse processo. É recordada como personagem carismática, com capacidade de liderança intelectual e docente competente.

 

A memória que deles consta na universidade a ambos apresenta como indivíduos com fineza teórica, apuramento metodológico, e com grande entusiasmo pela dinamização da investigação de terreno no âmbito das ciências sociais, que entendiam fundamental para o desenvolvimento do país, na sua formação nacional. Bragança defendeu uma visão que associava o conhecimento científico sobre a realidade social à produção de políticas estatais de desenvolvimento nacional. E fê-lo com saudável heterodoxia intelectual, matizando tendências de então, mais estreitamente ligadas ao marxismo-leninismo. Ou seja, defendeu a criatividade do trabalho intelectual, a pluralidade das questões e das respostas, e o seu basear nas realidades (nacionais) e não em rígidos seguidismos ideológicos. Também First conjugava essa concepção de ligação entre a carreira científica e o esforço político, desenvolvimentista e libertador, considerando tanto a pesquisa como a docência como motores da produção de conhecimentos e de quadros técnicos adequados a esses objectivos finais.

 

Gente de causas e políticas, intelectuais engajados, concebendo a ciência social como processo de aprendizagem do real, ao serviço da libertação efectiva das populações através do combate às profundas desigualdades e aos efeitos do subdesenvolvimento. Julgo que estes serão componentes dos seus trajectos intelectuais que hoje serão lembrados. E elogiados. Procurando a sua transmissão.

publicado às 08:50

Politeísmo (71)

por jpt, em 28.08.13

publicado às 18:00

Politeísmo (70)

por jpt, em 26.08.13

publicado às 17:03

Quando chove

por jpt, em 25.08.13

A ver se a nova estrutura da Nyerere aguentará este particular recanto, sempre regressado (riacho subterrâneo?).

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publicado às 15:17

Já antes referi as redes sociais que mais me interessam na actualidade:

 

a) Uma biblioteca, sempre actualizada, esta Academia, onde se encontram textos muito interessantes, maioritariamente académicos mas não só. É um verdadeiro filão. Para os interessados aqui fica a ligação para a minha conta jpt na Academia.edu

 

 

b) Este "Clube do Livro" (Goodreads), um local carregada de livros e de leitores, uma delícia, um sistema cheio de informações, muito fácil de utilizar ("amigo do utente"), e esteticamente bem conseguido.  Aqui fica a ligação para a minha conta, para os que queiram entrar no "clube".


As estantes de jpt:
José Pimentel Teixeira's book recommendations, liked quotes, book clubs, book trivia, book lists (read shelf)

 

(Já agora, dá ajuda para a eterna questão das ofertas natalícias (aniversários próprios ou de Cristo), basta consultar a lista de "livros a ler" que cada um pode constituir).

 

Fiz algumas alterações na coluna da direita deste blog e, entre elas, ali repliquei as ligações para esses sítios que também neste postal coloco. Para os que se interessarem ficam os votos: divirtam-se.

publicado às 09:46

Politeísmo (69)

por jpt, em 25.08.13

publicado às 08:02

publicado às 23:04

Globalização 2

por jpt, em 24.08.13

Um nicho de um Maputo desaparecendo, a velha Baixa.

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publicado às 20:55

Politeísmo (68)

por jpt, em 24.08.13

publicado às 19:20

Bruma

por jpt, em 24.08.13

 

Nunca vi Bruma a jogar ao vivo. E acho que nunca lhe vi um jogo completo na TV. Assim nem sei opinar sobre a sua qualidade, mais um da longa lista de extremos que o Sporting vem apresentando: extraordinário, como Futre ou Cristiano ou (vá lá, que jogava nas alas) Figo? Excelente como Simão ou Nani ou Quaresma? Ou será mais comum, a expectativa muito aumentada pelo entusiasmo dos meus co-sportinguistas e pela retórica dos "jornalistas" desportivos?

 

Assim sendo, da qualidade dele não sei dizer. Mas o processo em que foi metido é interessante. Mostra como as coisas do futebol nos colocam parêntesis na forma como vemos o resto. Os adeptos, quantos deles empregados, prontos à greve ou ao protesto (ou à maledicência), torcem nestes casos incondicionalmente pelo patronato. Os contra-adeptos, quantos deles empregados ou patrões ou liberais, prontos à concertação social, à concórdia, ao contratualismo, nestes casos torcem incondicionalmente pelos "direitos dos trabalhadores" (desde que tal prejudique o clube adversário).

 

A história da Bruma é triste. Não que o (meu) Sporting seja realmente exemplar na forma como trata os seus profissionais - falo da história recente, não desta direcção que, até agora, me parece muito empenhada. E, que como tantos clubes-patrões, não mereça ser confrontado por gente que defenda os interesses dos jogadores, miúdos, relativamente ignorantes dos meandros jurídicos, fiscais, contratuais, e potencialmente explorados pelos clubes. Mas mesmo assim o caso tem contornos muito próprios, tudo parece um daqueles filmes americanos sobre o mundo do boxe, com jovens fortes e ágeis, sobre-empenhados no jogo, e totalmente sugados pela "entourage" canibal. Conhecemos o "the end".

 

Nem fui lendo tudo aquilo que a "gente" de Bruma (agente, advogado, sei lá mais quem) vem dizendo aos jornais. Mas algumas "gordas" ficaram-me. Uma das quais foi o agente dizendo que o Sporting o tinha enganado, queria ele a renovação de um conjunto de jogadores ("seus", como diz, desnudando-se pela semântica da sintaxe) e como o clube não o quis então impediu a renovação de Bruma e levantou este processo. Ou seja, quer mecanismos de "contratação colectiva" nesta actividade. E como lhe são recusados usa o destino de um jogador como pressão ou mero revanchismo. Enfim, por mais que os jogadores (em particular os putos) mereçam ser defendidos nesse mundo-cão que é o da bola, parece-me que não é este o caminho. Nem deve ser esta a gente.

 

E um outro comentário, lateral. Estamos (saudavelmente) habituados a defender as minorias, identitárias. Como imigrante (e não só) sou particularmente sensível a isso. Este caso é ilustrativo. Pois estes meus patrícios, oriundos de África, são a mostra de algo interessante. É que se os direitos colectivos (e individuais) das minorias são importantíssimos é necessário perceber que nestas habitam muitos gabirús. Parece-me ser o caso.

 

Jogando no Sporting ou alhures, que o puto não acabe mal. Sugado e desiludido. Ainda vai a tempo.

 

(Postal também colocado no Delito de Opinião)

publicado às 06:55

Djávenho*

por jpt, em 24.08.13

 

Djavan não é exactamente "a minha praia", coisa do gosto pessoal. Mas é um artista de mão cheia. Recentemente, e por duas vezes, esteve para actuar em Moçambique, venderam-se bilhetes, e depois tudo foi cancelado. Deram brado as situações, julgo que uma por doença inesperada do músico (acontece) e outra por incumprimento contratual do produtor aqui (não deveria acontecer). Enfim, episódios que ficaram na história do "show business" em Moçambique - infelizmente demasiado polvilhada por episódios menos bem conseguidos, com alguns produtores a desrespeitarem o público. Agora Djavan vem aí, mesmo, numa produção mais cuidada e competente.

 

Dia 12 de Setembro em Maputo, como ele aqui anuncia o seu "djávenho" - até para acalmar as desconfianças dos anteriormente desiludidos:

 

 

E aqui um excerto de Djavan em 2013, no espectáculo que vem aqui apresentar, na íntegra.

 

 

 

Então divirtam-se lá no espectáculo ...

 

 

*Não resisto a este piscar de olho a este particularismo do português moçambicano, isso da constante troca do "ir" pelo "vir"...

publicado às 06:13

ishh

por jpt, em 23.08.13

publicado às 14:58

Politeísmo (67)

por jpt, em 23.08.13

publicado às 07:59

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