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Mahler compôs bastante e bem, do bom e do bonito. E resumiu tudo em poucos minutos no "adagietto", o 4ºandamento da sua 5ª Sinfonia. Visconti foi da mesma opinião e deu-a a conhecer projectada em "Morte em Veneza". Melhor é impossível. Ficam duas interpretações da coisa, a daquele que é talvez o mais conhecido Maestro, o von Karajan, e a menos ouvida, pelo rocker Jeff Beck, provando esta última a indestrutibilidade da peça, ao mesmo tempo que as duas certificam a existência da alma (e de Alma, Mulher mui amada do compositor) e da sua imortalidade. Gostava que ouvissem as gravações - não estão no tubo cibermusical - conduzidas em 1985 por Sinopoli para a DG e (sobretudo) a que o rigoroso Maestro Kirill Kondrashin fez em 1974 para a Melodiya em que o ataque das cordas se torna excruciante e pungente até ao arrepio (à época não havia MP3's, a menos que algum míssil balístico tivesse essa designação, o YouTube seria um truque de ficção científica, uma pen nada menos que uma dissimulação que o velho Q inventara para Bond, James Bond roubar milhões de informações Top Secret, etc, etc, e os lp's da etiqueta soviética não se encontravam no designado "Ocidente", sendo trazidos à socapa do satélite soviético RDA, via Berlim/ Check Point Charlie, dentro de gabardines à tarado sexual...). Ouvi e chorai por mais.

 

Karajan 
Beck

publicado às 21:20
modificado por jpt a 12/7/14 às 22:38

Sobre o(s) debate(s)

por jpt, em 09.09.13

 

 

"A dialéctica erística é a arte de disputar, e isto de tal forma que se tenha sempre razão, quer seja ou não o caso - per fas e nefas (por qualquer meio). [...] De onde vem isso? Da mediocridade natural da espécie humana. Se não fosse esse o caso, se fôssemos essencialmente honestos, não teríamos outro fito, em qualquer debate, senão o de fazer surgir a verdade, sem cuidarmos de saber se ela é conforme à opinião que anteriormente defendêramos ou à do adversário: o que não teria importância alguma, ou pelo menos seria inteiramente secundário. Mas, tal como as coisas são, é isso o que mais importa. A vaidade inata, particularmente irritável no que se refere às nossas faculdades intelectuais, não quer aceitar que a nossa afirmação se revele falsa, nem que a do opositor seja justa. Para se sair desta dificuldade, cada um deveria simplesmente esforçar-se por não exprimir senão juízos justos, o que deveria incitar a que se pensasse primeiro e se falasse depois. Mas, na maior parte dos homens, a vaidade inata faz-se acompanhar da loquacidade e pela desonestidade inata. Falam antes de pensarem, e mesmo que tardiamente se dêem conta de que a sua afirmação é falsa e de que estão errados, as aparências hão-de por força provar o contrário. O interesse pela verdade, que pode presumir-se ser o único motivo que os guiava ao afirmar uma tese alegadamente verdadeira, cede então o passo aos interesses da vaidade: e assim o verdadeiro há-de parecer falso, e o falso, verdadeiro. [...] É assim que a fraqueza da nossa inteligência e a perversidade da nossa vontade se sustentam mutuamente; e que, em geral, aquele que debate não luta pela verdade, mas sim pela sua tese ..." (Arthur Schopenhauer, A Arte de Ter Sempre Razão. Lisboa, Frenesi, tradução de Jorge P. Pires, pp. 22-23)

publicado às 18:54


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