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A baixa de Maputo

por jpt, em 17.09.13

 

Sei que sou hóspede, um "viente" como se diz na Ilha, mas isto de se arrasarem estes locais para se construir um enorme silo de automóveis em plena zona nobre de Maputo, sempre me surpreende, questiono-me que tipo de cidade se sonha. Enfim, deixo as pobres fotos como já memória de um tempo que foi.

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publicado às 22:36

To Catch a Thief

por jpt, em 17.09.13

 

Sumptuoso, a caminhar para o eterno, esse provisório "eterno" que se pode afirmar, o "To catch a thief" de Hitchcock. Não é um primado de suspense, talvez por nem tanta a sua entoação, ou talvez apenas porque tantas décadas passadas encontra espectadores que já calcorrearam os trilhos do "mistério" que este mestre, e alguns outros, abriram. E, pois assim veteranos, já pouco atreitos a surpresas. As pistas estão lá para se antecipar o desfecho, que nem é o mais importante, que o argumento da acção nem será muito burilado. Pois a trama é mesmo o que se vai passando, o rio de fotogramas. Paisagens belíssimas - a inicial perseguição de automóvel é deliciosa; um Cary Grant muito em forma, bem apessoado e melhor vestido. Secundários de luxo (a proto-sogra Jessie Royce Landis, o totalmente britânico John Williams - haverá fisionomia mais estereotipada?). E, muito para além do deslumbrante, Grace Kelly, arquétipo, ideal-tipo, o que se quiser ... Alguns diálogos são sublimes, uma ironia, nos implícitos quase explícitos.

 

 

A trama é conhecida. John Robie (Cary Grant) é um ex-presidiário. Ladrão de jóias em França, cumpriu pena, e fugiu durante a guerra acompanhando um grupo de ladrões nacionais. Entraram na "resistência", nisso ganharam o perdão (ou, melhor, a liberdade condicional). Robie tornou-se até "herói" (pelo menos na imprensa americana). Vive elegantemente criando "flores e uvas" (fruindo os frutos dos velhos roubos?) na companhia de uma valente "governanta", antiga "companheira de estrada". De súbito, quinze anos depois da sua prisão, regressam os roubos de jóias, usando a sua metodologia, fazendo recair as suspeitas e a ameaça de prisão sobre todo o velho "gang". Leal, a primeira acção de Robie, já fugitivo, é procurar os velhos companheiros, todos acoitados num restaurante da Riviera, numa pré-reforma, para lhes afiançar a sua inocência. Mal recebido, com desconfiança. Com imputações de deslealdade.

 

Depois é o romance com a endiabrada Grace Kelly, polvilhado com a caça ao verdadeiro ladrão, forma de se inocentar (e, também, de salvaguardar os velhos companheiros). Na osmose com a mãe e a filha Stevens, Robie demonstra-se como é. Um americano em França - mas não daqueles finórios dos anos 20 moldados por Fitzgerald ou Hemingway. Burilado pelo bom gosto, adquirido por via dos lucros obtidos (como deliciosamente afirma ao britânico Hughson), que capeia o antigo trapezista de circo falido. Mas, como lhe diz Kelly, já não genuíno, dado que "não fala como um americano", outros assuntos e entoações. Num elegante in-between.

 

Por isso tão amargo, também, é o final, apesar de toda a ironia bem-disposta (aquelas violações dos ovos estrelados ...). Agridoce, melhor dizendo, pois que amargura se poderá reclamar diante da apoteose final de Cary Grant, conjugalmente acolhendo na sua belíssima "villa" a divina Grace Kelly, ainda para mais herdeira de "20 milhões de barris de petróleo".? Mas é, também, um ensaio sobre o ser estrangeiro, a incontornável alteridade. Melhor do que qualquer texto de antropologia, muito mais do que uma conversa de mais-velho.

 

E, talvez, apenas especulo, também Hitchcock nos EUA. Terá sido?

publicado às 22:26

Politeísmo (83)

por jpt, em 17.09.13

publicado às 18:55


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