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Vincenzo Bellini podia ser uma marca italiana de pronto-a-vestir masculino, de gelados (imaginem o pregão: Gelatti Bellini!!!) ou de pizzas instantâneas, mas é, no caso, somente o nome do compositor que com de enorme inspiração compôs "Norma", uma ópera, que curiosamente e como muitas outras, baseada numa peça teatral francesa (Norma ou l'infanticide, uma criação de Alexandre Soumet). "Norma", dizem os entendidos, é particularmente exigente na sua interpretação, valorizando bastante mais a capacidade canora do que a dramatização do papel, dizendo-se até, numa frase de gosto duvidoso, que é o Evereste do belcanto italiano. Enfim... A verdade é que sendo assim ou nem parecido, Maria Callas é a recordista de aparições em palco, tendo interpretado o papel principal (a druída Norma) por 92 vezes!!!, mas é Joan Sutherland quem é considerada a Norma das Normas, talvez porque Pavarotti tenha dito depois de assistir à coisa, que a australiana era a melhor voz feminina de sempre. Certo é que "Casta Diva", uma das mais famosas árias do repertório operático, foi interpretada magistralmente tanto por Callas como por Sutherland, ficando aqui uma gravação da segunda, enquanto da primeira se pode ver e ouvir "Ah! bello a me retorna", ária talvez menos conhecida mas igualmente notável da obra-prima de Bellini. No youtube, arquivo extraordinário, a data desta gravação de Maria Callas aparece como sendo de 1958 em Paris, mas não parece datada rigorosamente porque nesse ano, Callas só terá levado Norma a passear em Roma.






Maria Callas



Joan Sutherland

publicado às 22:06

Sou amigo do Filipe Verde há quase trinta anos (como custa escrever estas quantidades) e é também por isso, por esta minha fidelidade à ideologia do amiguismo, que aqui venho divulgar este "Exploradores Portugueses e Reis Africanos" (editado por A Esfera dos Livros), o livro que agora escreveu com Frederico Rosa. O qual será apresentado ao público no próximo dia 22 (terça-feira) em Lisboa, na livraria Bertrand no Chiado, por aquela hora do fim da tarde. Acontece ainda que o Filipe é o tipo com a mente mais brilhante que eu conheço (sim, sei do piroso que isto soa), opinião que já bloguei a propósito do lançamento do seu luminoso livro "O Homem Livre", o qual deveria ser presença constante nas estantes mas que me parece meio esgotado, e que continuo a recomendar como obra máxima do pensamento actual em Portugal. O Filipe Verde tem ainda a rara capacidade de pensar denso e escrever leve (entenda-se: muito bem), tornando acessível o seu pensamento de Homem Livre, nada sujeito a modismos e a obrigações de lojas, clubes ou capelas. Com tudo isto até parece que quero desmerecer o co-autor Frederico Rosa, mas não é o caso, é apenas eco de o desconhecer, apenas o ouvi uma vez, há anos, numa informadíssima comunicação, daquelas que denotam um intelectual de mão-cheia.

 

O livro destes dois antropólogos intenta uma releitura das viagens portuguesas em África durante XIX, visitando o calcorrear de Lacerda e Almeida, António Gamito, Rodrigues Graça, Silva Porto, Serpa Pinto, Hermenegildo Capelo, Roberto Ivens e Henrique de Carvalho, cruzando o olhar da antropologia, da história e da literatura. Coisa pensada não para especialistas mas sim para quem se possa e queira interessar, seja sobre o período histórico, seja sobre África, seja sobre essa coisa da construção dos discursos sobre o longínquo (e quantas vezes tornado exótico). Em termos de apelar a um repensar da história começa muito bem, logo com o título, nisto de "...Reis Africanos", pontapeando o velho olhar sobre o caos (apolítico) africano, o primitivismo sempre presente, com várias roupagens ...

 

Enfim, o lançamento é daqui a uma semana. E se alguém daqui (do in-blog) parta para assistir (os tipos falam bem, já agora) peço para ir lá ao Filipe Verde e entregar um abraço ido do jpt, qu'isto de viver longe tem recompensas mas também tem destas coisas, o perder os bons momentos dos nossos. 

 

Para quem não tiver disponibilidade fica o desafio, o de folhear o livro a deixar-se tentar, a ver se gasta os quase vinte euros (em podendo, e pelo que já li, justificar-se-á).

publicado às 08:20


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