Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Vinicius de Moraes - 100 anos

por mvf, em 19.10.13

 

Com o nome de baptismo Marcus Vinitius da Cruz de Melo Moraes (apenas aos nove anos é registado como Vinicius de Moraes), nasce no dia 19 de Outubro de 1913, na Rua Lopes Quintas nº114, no bairro do Jardim Botânico, Rio de Janeiro. Vinicius morreu de edema pulmonar a 9 de julho de 1980 em sua casa na Gávea, também no Rio de Janeiro.

 

 

 
 
 
Quando passam 100 anos sobre o seu nascimento, a evocação em forma de poema. Perdoarão naturalmente os mais avançados um certo paroquianismo se aqui deixar "Soneto da Fidelidade", escrito pelo poeta numa curta escala no Estoril em 1939, enquanto esperava o paquete que o levaria ao Brasil vindo de Londres nos primeiros dias da II Guerra Mundial.
 
 
-------------------------
 
Soneto da Fidelidade
 
 
 
 
 
De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
 
-
 
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
 
-
 
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
 
-
 
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure
 
.
 
 
          (Vinicius de Morais, Estoril, Portugal, Outubro de 1939)

publicado às 23:59
modificado por jpt a 23/1/15 às 01:41

O tempo não volta para trás

por mvf, em 19.10.13

O tempo desta vida parou para António Mourão. 
António Mourão, nome artístico de António Manuel Dias Pequerrucho, enorme cantador de Fado, saltou para a ribalta quando no teatro Maria Vitória entrou na revista (à portuguesa) "E Viva o Velho" com o que veio a ser o seu maior êxito "Ó Tempo Volta para Trás" e um dos grandes sucessos de sempre da música feita em Portugal e ao contráro do que a agência Lusa lançou e alguns orgão de comunicação por arrasto e preguiça noticiaram - devem ter ido beber a essa fonte fidedigna que é a Wikipédia..., "Ó Tempo Volta para Tás" não é da autoria de António Mourão e sim da dupla Manuel Paião e Eduardo Damas. Enfim, o rigor é o que se vai sabendo... Siga a marcha: Mourão começou o percurso profissional pela mão da fadistíssima Argentina Santos no "Parreirinha de Alfama", passou pelo Casino Estoril e actuou diversas vezes no estrangeiro, estando tão à vontade na interpretação de fados clássicos ou fados-canção, como no folclore ou  ainda em temas da música dita ligeira. À disposição no tubo estão sucessos com "Chiquita Morena", "Mãe", "Meu Nome é Ninguém", "Uma tarde em Salvaterra", uma óptima versão de "A Noite" ou "Estranha Contradição". Ficam aqui registos destas últimas composições e, obviamente de "Ó Tempo Volta para Trás" com a orquestra de Jorge Costa Pinto a acompanhar, numa singela homenagem, infelizmente póstuma, ao cantador que, apesar da enorme aceitação do público, passou de estrela a fascista e reaccionário após o 25 de Abril, já que a malta fixando-se no refrão que é também o título conhecido, já nem ouvia o resto da letra, achando que era um apelo à contra-revolução e um sinal para retomar o curso interrompido da longa noite fascista... Bom, mas nesses tempos revolucionários o Fado, por mais explicações que se tentem para tamanha estupidez, foi considerado uma forma artística nacional-salazarenta, fascizóide e portanto retrógrada, uma canção maldita, com Amália e Mourão, apontados como principais vozes subversivas da doutrina, enquanto Carlos do Carmo rapidamente se despegava das ridículas noções, ficando conhecido aquando do seu mal conseguido restauro capilar e com enorme graça, como o "Capachinho Vermelho. Aliás, o Fado, que agora é incensado por muitos dos que o apedrejaram num conhecido hábito de trocar a casaca conforme o vento lhe dá nas abas -, foi a par de Camões e do Gama das Descobertas, enfiado no mesmo saco bafiento da longa noite fascista. 

 

                                                               

                                                               A Noite 

                                                               

 

 

                                                               Estranha Contradição

Ó Tempo Volta para Trás

 

 

publicado às 20:18

 

Aqui está o regresso do João Paulo Borges Coelho. Chegou-me ontem à noite às mãos este "Rainhas da Noite", algo entre Moatize (Tete), na mina do carvão, e Maputo, cá em baixo, entre o passado lá e o futuro cá. Quem mo passou para as mãos acabara de ler este mesmo exemplar, chegado de Lisboa. E, fan do escritor tal como eu o sou, disse entre sorrisos: "é o melhor livro dele". A ler vou já, enquanto procuro as rainhas da noite que existam por cá.

 

publicado às 08:07


Bloguistas







Tags

Todos os Assuntos