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O Rio Ave foi a equipa sensação da época futebolística 85/86 em Portugal, e nela pontificavam, para utilizar um termo dos jornalistas desportivos de então, Quim, Adérito e Nhabola, um trio que segurava a equipa. Outros trios houve antes, como a famosa e temível linha avançada do Sporting CP, o campeão da bola lusa em 81/82, com Oliveira, Manuel Fernandes e Jordão. Há ainda o Cocó, o Ranheta e o Facada na palhaçada e, já que entramos na Arte & Cultura, lembramos os conjuntos musicais Trio Odemira amais os enormes êxitos da sua longa carreira de mais de 50 anos, "Anel de Noivado" e "Onde Está o Amor", as famosas formações de Oscar Peterson ( trios que eram muitas vez de quatro, com guitarristas a compôr o ramalhete...) ou o trio-maravilha de Keith Jarrett com Jack DeJohnette na bateria e Gary Peacock no contrabaixo. Deixemos todos estes referentes que só atestam a parvoíce habitual a par de uma sapiência ímpar e falemos de coisas sérias. Assim, em 1970 na vermelha Moscovo, o soviético não dormia e, enquanto o Ocidente esfregava, decadente, o olho, juntava em Moscovo os monstruosos Richter, Oistrakh e Rostropovich para alegrar os proletários que não sendo de todo o mundo, se uniam, para epifânias como a que segue, interrompendo o sono eterno de Beethoven que, surdo como uma porta, quis ouvir o seu Triplo Concerto interpretado como deve ser.

 

 

publicado às 18:00
modificado por jpt a 28/12/14 às 13:34

(Amanhã é o centenário do nascimento de Álvaro Cunhal. Por isso aqui replico um postal que botei há uns meses. Também forma de um pequeno brinde, com rum, com a memória do meu pai, que dele foi grande admirador).

 

 

 

A Câmara Municipal de Lisboa chamou Álvaro Cunhal a uma avenida, neste ano do seu centenário. Resmunguice à parte, o homem foi "bigger than life", como se quer a alguns. Raríssimo, pois assim. Mais raríssimo ainda, se pensarmos no mundo português. Voto sim! Gulags?, Angolas?, Hungrias?, Checoslováquias?, o XX totalitário? Ok. Mas que panache tinha Cunhal. E que dimensão. Voto sim, venha a avenida Cunhal!

 

Depois lembro-me do meu pai António, comunista até à sua morte, "sem culto da personalidade", claro, e como tal "não-cunhalista" como o eram os comunistas da sua geração. Lembro agora que soube da morte do velho líder comunista numa manhã, em plena reunião na universidade. Ao entrar no anfiteatro, único português presente, vários colegas se levantaram para me darem os pêsames. Não, não tenho fama de comunista, alguns até me julgam algo fascista (e talvez não apenas por não ser fan da retórica semi-porno do revolucionarismo hedonista d'hoje em dia). Eram convictas essas condolências, um património simbólico do meu país que partia. Logo fui telefonar para a longínqua casa, "mãe, como está o pai?", "ai, filho, muito em baixo...", morrera pouco antes Vasco Gonçalves, naquele momento o sempre "secretário-geral". As figuras daquela geração. E, para aqueles, esta a maior de todas.

 

Entre esta lembrança de um homem ímpar e do apreço que lhe tinha o meu pai suspendo a vertigem crítica. E para isso nem preciso olhar os anões sôfregos que pululam na cena pública do meu país. Basta-me a memória do homem. Sem perseguir o que quis. Sabendo-o maior do que muito do que quero. E, com toda a certeza, do que os que querem o que eu quero.

publicado às 15:35


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