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Ka-Lisboa

por jpt, em 31.12.13

 

Abro o facebook. Tenho a minha "ração de novidades" cheia de fotografias de gente feliz em belos lugares, ele é-os na mamoli, na jangamo, no tofinho, até na ilha, amais a montanha table, e cá para norte acredito que nalgumas estâncias, ainda que por cá sejam mais parcimoniosos nas demonstrações (talvez a crise o agora provoque, talvez o charme discreto o implique, fico na dúvida), locais onde habitam os mais felizes dos sorrisos, as mais medradas das crianças, os mais apaixonados dos velhos casais e os mais surpreendidos dos novos casais, os mais amigos dos amigos, e ainda, e muito, os sóis com mais sol que se conhecem, nas alvoradas, ocasos e durantes.

 

 

 

Ora também sou gente, "filho de Deus", e também me apresto a prová-lo iconograficamente, nisto do "sharo logo existo".

 

Aqui vos mostro os belos céus e sóis (um bocado enchuvados) de Ka-Lisboa, neste meio da última manhã do ano. E ainda o resplandecente local onde fruímos a quase infinita felicidade que submerge a nossa família ... Potenciada nisto do "não há lugar como a nossa terra" (ainda que a gente resmungue e se encante alhures).

 

Um bom 14 para todos nós.

publicado às 10:31

O símbolo do Natal

por jpt, em 31.12.13

 

João Machado da Graça, o verdadeiro fundador do bloguismo em Moçambique, através do seu Ideias para Debate, tornou-se (como tantos outros) num aguerrido faceboquista. E foi naquele suporte, no reduto de uma também bloguista, que se insurgiu contra aqueles que atravessam hemisférios e planisférios nesta época do ano, em demanda de símbolos natalícios, esses que ele ele considera vácuos de sentido. Dele discordo, pois aos símbolos da quadra encontro-os preenchidos, abundantes de significados.

publicado às 08:22

Personalidade 2013 no Mundo

por jpt, em 30.12.13

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publicado às 06:17

Personalidade 2013 em Portugal

por jpt, em 29.12.13

 

Ao longo dos blogo-anos aqui várias vezes referi que entendo a desagregação do Sporting Clube de Portugal como uma verdadeira montra dos processos de patrimonialismo populista que escavacou o país: o Sporting tal e qual Portugal. Não vou repetir argumentos, resmungar contra os atentados à economia de mercado produzidos pela falsificação das apostas mútuas desportivas produzido pelas mafias da bola, nem, o que é muito mais significativo, vociferar contra o conglomerado banca-construção civil que vampirizou o país e, notoriamente, o clube, face a um povo (o sportinguista e o português) hesitante, alienado, expectante diante do brilho oriundo das chamadas elites sociais, corruptas e estadodependentes, e do culto dos senhores engenheiros e da sua honestidade, determinação e competência.

 

Nem que seja por ter dado um pontapé nas vísceras dessa mitologia reaccionária, toda "Antigo Regime", Bruno Carvalho é a personalidade 2013 em Portugal.

 

Com mil Brunos construíamos um império. Interno.

  

Com apenas um Bruno talvez safemos o clube, tudo o perspectiva. E talvez se consiga mostrar ao povo que os "engenheiros" e os "finos" não prestam. Nem moral nem profissionalmente. Que não se justifica trocar o futuro do país por um creditozito para amenizar o Window Shopping e pelo descanso do clubismo partidário.

 

 

 

 

publicado às 19:02

Personalidade 2013 em Moçambique

por jpt, em 29.12.13

 

 

É mera superstição matemática isto de acharmos que após determinado número de dias acaba qualquer coisa, um ano por exemplo, e que devemos fazer rescaldos do que se passou no último naco de tempo, para a este impor marcas. Também é certo que a vida sem estas coisas, superstições e marcações, teria menos piada. Por isso mesmo escolho a personalidade moçambicana do ano.

 

Certo que num ano tão complexo para o país muitos poderão olhar outros redutos do social. Para mim a personalidade pública que mais se destacou foi a Associação para o Desenvolvimento Cultural Kulungwana: constante no apoio privado (ainda que não economicista) às artes plásticas, com um painel cuidado de exposições e de colaborações; muito bem sucedida na realização do Xiquitse - temporada(s) de música clássica em Maputo, algo cada vez mais sedimentado, descentralizado e com público local. Mas mais do que tudo com a belíssima iniciativa, investimento, de participar na 6ª Feira de Arte de Joanesburgo, aí apresentando uma boa exposição, “TempoRealTime”, fotografias de Filipe Branquinho, Mario Macilau e Mauro Pinto. Belos trabalhos excelentemente apresentados, numa acurada curadoria de Berry Bickle. A mostrar um caminho cosmopolita, na realização e na produção, que urge nas artes moçambicanas. E, sem qualquer hesitação, no resto das actividades nacionais.

 

Por isso aqui fica a minha vénia à Kulungwana!

publicado às 18:40

 

Pois o Natal é quando um homem quiser ... Que melhor para comemorar a época festiva, o dia natalício, o fim do ano e o princípio do seguinte, do que esta majestosa versão. A 9ª de Beethoven, talvez o cume da afirmação do universal no XIX europeu (cume porque foi bem conseguida), tocada e cantada por uma selecção internacional (um "Barbarians" se falássemos de râguebi) conduzida pelo grande divulgador (universalizador) Bernstein. Em Berlim, no dia de Natal de 1989, celebrando o fim do maldito muro, daquela cortina de ferro. Religião, filosofia, arte e estética, política, tudo misturado na reclamação da razão. Assim como que a mostrar o quão confusas são estas palavras. Por isso a música, que não se traduz.

 

Então aqui fica este templo, precioso. O dia de Natal, celebrando o global (aka universal) e o livre.

publicado às 16:22

2013: a guerra do Afeganistão

por jpt, em 28.12.13

 

Isto de entrar nas estantes paternas e nos exemplares avoengos é sempre interessante. Agora um "Cartas Bárbaras", uma segunda edição de 1907, comprado pelo meu avô paterno em Coimbra em 1911. Eça é espantosamente contemporâneo, e não apenas no desvendar da mesquinhez lisboeta:

 

 

“Os inglezes estão experimentando, no seu atribulado imperio da India, a verdade d’esse humoristico logar commum do seculo XVIII: “A Historia é uma velhota que se repete sem cessar”.

 

O Fado ou a Providencia, ou a Entidade qualquer que lá de cima dirigiu os episodios da campanha do Afghanistan em 1847, está fazendo simplesmente uma copia servil, revelando assim um imaginação exhausta.

 

Em 1847 os inglezes, “por uma Razão d’Estado, um necessidade de fronteiras scientíficas, a segurança do imperio, uma barreira ao dominio russo da Asia …” e outras cousas vagas que os politicos da India rosnam sombriamente, retorcendo os bigodes – invadem o Afghanistan, e ahi vão aniquilando tribus seculares, desmantelando villas, assolando searas e vinhas: apossam-se, por fim, da santa cidade de Cabul; sacodem do serralho um velho emir apavorado; colocam lá outro de raça mais submissa, que já trazem preparado nas bagagens, com escravas e tapetes; e, logo que os correspondentes dos jornaes têm telegrafado a victoria, o exercito, acampando á beira dos arroios e nos vergeis de Cabul, desaperta o correame, e fuma o cachimbo da paz … Assim é exactamente em 1880.

 

No nosso tempo, precisamente como em 1847, chefes energicos, Messias indigenas, vão percorrendo o territorio, e com os grandes nomes de Patria e de Religião, prégam a guerra santa: as tribus reunem-se, as familias feodaes correm com os seus troços de cavalaria, principais rivaes juntam-se no odio hereditario contra o estrangeiro, o homem vermelho, e em pouco tempo é todo ou um rebrilhar de fogos de acampamento nos altos das serranias, dominando os desfiladeiros que são o caminho, a estrada da India… E quando por alli apparecer, emfim, o grosso do exercito inglez, á volta de Cabul, atravancado de artilharia, escoando-se espessamente, por entre as gargantas das serras, no leito secco das torrentes, com as suas longas caravanas de camelos, aquella massa barbara vola-lhe em cima e aniquila-o.

 

Foi assim em 1847, é assim em 1880. Então os restos debandados do exercito refugiam-se n’alguma das cidades de fronteira, que ora é Ghasnat ora Candahar: os afghans correm, põem o cerco, cerco lento, cerco de vagares orientaes: o general sitiado, que n’essas guerras asiaticas pôde sempre communicar, telegrapha para o viso-rei da India, reclamando com furor reforços, chá e assucar! (Isto é textual; foi o general Roberts que soltou ha dias este grito de gulodice britannica; o inglez, sem chá, bate-se frouxamente). Então o governo da India, gastando milhões de libras, como quem gasta agua, manda a toda a pressa fardos disformes de chá reparador, brancas colllinas de assucar, e dez ou quinze mil homens. De Inglaterra partem esses negros e monstruosos transportes de guerra, rebanhos de cavallos, parques de artilharia, toda uma invasão temerosa … Foi assim em 1847, assim é em 1880.

 

Esta hoste desembarca no Industão, junta-se a outras columnas de tropa india, e é dirigida dia e noite sobre a fronteira em expressos a quarenta milhas por hora: d’ahi começa uma marcha assoladora, com cincoenta mil camelos de bagagens, telegraphos, machinas hydraulicas, e uma cavalgada eloquente de correspondentes de jornaes. Uma manhã avista-se Candahar ou Ghasnat – e n’um momento, é aniquilado, disperso no pó da planície o pobre exercito afghan, com as suas cimitarras de melodrama e as suas veneraveis codubrinas do modelo das qu’outrora fizeram fogo em Diu. Ghasnat está livre! Candahar está livre! Hurrah! – Faz-se imediatamente d’isto uma canção patriotica: e a façanha é por toda a Inglaterra popularisada n’uma estampa, em que se vê o general libertador e o general sitiado apertando-se a mão com vehemencia, no primeiro plano, entre cavallos empinados e granadeiros bellos como Apollos que expiram em attitude nobre! Foi assim em 1847; ha-de ser assim em 1880. (…)

 

E de tanto sangue, tanta agonia, tanto luto, que resta por fim? Uma canção patriotica, uma estampa idiota nas salas de jantar, mais tarde uma linha de prosa n’uma pagina de chronica … (…)

 

No entanto a Inglaterra goza por algum tempo a “grande victoria no Afghanistan” – com a certeza de ter de recomeçar, d’aqui a dez annos ou quinze annos, porque nem póde conquistar e annexar um vasto reino, que é grande como a França, nem póde consentir, collados à sua ilharga, uns poucos de milhões de homens fanaticos, batalhadores e hostis. "Politica" por tanto é debilital-os periodicamente, com uma invasão arruinadora. São as fortes necessidades de um grande imperio. “

 

[Eça de Queiroz, “Afghanistan e Irlanda” in Cartas de Inglaterra. Porto: Livraria Chardon, 1907 (2ª edição), pp. 1-5] – adquirido em Coimbra em 1911

publicado às 15:40

publicado às 08:47

publicado às 17:44
modificado por jpt a 23/1/15 às 01:22

publicado às 21:03
modificado por jpt a 28/12/14 às 13:42

Um Natal Épico

por VA, em 20.12.13
O meu nome é Norris, Chuck Norris e desejo a todos BOAS FESTAS BOAS! 



VA

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publicado às 17:25

Gigolo

por jpt, em 19.12.13

 

(Maputo, Av. Kim-Il-Sung, hoje)

 

O que passará na cabeça de um tipo para chamar "gigolo" ao seu chapa? E se comprar outro pintar-lhe-á um "puta"?

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publicado às 17:20

Ainda Mandela

por jpt, em 19.12.13

 

 

(Fronteira de) Lebombo, semana passada. Era assim a entrada na África do Sul, aquele país onde alguns intelectuais europeus dizem que nada muda. E onde os passantes esperavam para assinar as condolências ...

publicado às 17:16

O neo-Maputo

por jpt, em 19.12.13

 

 

Este muro será, com toda a certeza, uma "obra" arquitectónica. Eu é que não a percebo ...

publicado às 17:11

Sem mácula

por jpt, em 19.12.13

 

(Maputo, 2013)

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publicado às 17:09

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