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As imagens estão por todo o lado, o aparente flirt (como se dizia quando era eu miúdo) de Obama com uma vistosa e vivaça rapariga loura, a qual, por acaso até é primeira-ministra, tudo isto na homenagem fúnebre a Mandela e, pior ainda, mesmo ao lado da senhora Obama. Mas em lado nenhum as vi apresentadas com tanto humor como neste postal de Rui Rocha, no Delito de Opinião. 

 

Com tudo isto se chama a atenção para o governo dinamarquês, tão belamente liderado. Por isso aqui repito este postal, que coloquei em Maio passado, parece-me muito a propósito. A ver se agora, aproveitando a celebridade, se publica a versão legendada em português. 

 

 

 

Já que abaixo falei de TV aqui boto sobre a série que venho vendo, e com muitíssimo agrado: "Borgen", um produto dinamarquês, verdadeiramente de qualidade, refinado e interessantíssimo. Procurei na internet por referências em português e apenas as encontro originadas no Brasil, pelo que deduzo que ainda não tenha sido transmitida em Portugal. Se assim é ainda bem. Pois significa que ainda a podem ver pela primeira vez, um prazer (res)guardado. Em Moçambique também não passou, mas isso já me parece mais difícil que venha a acontecer. Cá em casa vêmo-la por especial simpatia de uma nossa danish connection, que já nos emprestou os dois primeiros lotes ("estações"), havendo ainda um terceiro (e último) a receber, num total de 30 episódios.

 

É uma série política. "Borgen" significa castelo, sendo o nome popular do Palácio Christiansborg, sede dos três poderes dinamarqueses. Trata da surpreendente ascensão a primeira-ministra da chefe de um pequeno partido de centro-esquerda, algo devido ao impacto público da sua pureza algo idealista (e ao facto de ser bem apessoada, diz este telespectador), a personagem Birgitte Nyborg [a actriz Sidse Babett Knudsen].

 

 

Numa produção que é muito boa, e isso sem se desdobrar em luxos e quantidades, há alguns eixos da trama que são especialmente apetecíveis. O pano de fundo (pelo menos nos 18 primeiros episódios) é o rolar da protagonista para um crescente realismo político, que em nada sendo sinónimo de cinismo implica uma evidente crispação (também simbolizada através da vertente familiar), por vezes por ela pressentida mas também perseguida. O que é algo bem rico, até pela densidade de carácter que permite ir descobrindo, para além das topologias e tipologias mais imediatas. Mostra ainda o jogo político local com particular incisão, a confrontação entre blocos ("esquerda" e "direita") e suas flutuantes fidelidades ideológicas, bem como as suas transformações históricas - é excelente, superlativa mesmo, a apresentação do ocaso sociológico do velho "socialismo democrático" local. E mostra também as artes e engulhos da governação em coligação (a primeira-ministra provém de um partido minoritário, ainda para mais), o que tornará a série bem actual, vera lição, para o histriónico cenário político português.

 

Dois outros pontos ali transparecem. Sendo a série bastante realista nota-se a frugalidade dinamarquesa, nos cenários e nas práticas (seja de representação política seja de vida doméstica - e como pequenas são as casas e pequeno-burguesas aparentam ser as vivências). E ainda que se notando uma secura no trato (pelo menos para os olhos latinos) impõe-se um evidente protocolo leve, que é algo que bem se poderia importar para o enorme sul.

 

 

Finalmente há a constante presença da comunicação social, um tráfego constante. Que sendo em parte uma deriva da trama, até romântica, da série, não poderá deixar de denotar esse "convívio" quotidiano entre o poder executivo e o temido quarto vector dos possidentes. O qual em "Borgen" surge com várias matizes, desde o pérfido anterior chefe trabalhista até a gente profissional muito louvável (é notória a "aliança de classe" entre argumentistas e o mundo do jornalismo). Na série o protagonismo do sector jornalístico recai na personagem Katrine Fonsmark [a actriz Birgitte Hjort Sørensen, que vai muito bem e cuja carreira anseio por acompanhar].

 

Resta dizer o óbvio: algo está muito viçoso no reino da Dinamarca.

publicado às 15:07

Mandela em sotaque lisboeta

por jpt, em 12.12.13

 

Sem internet em casa e tendo, entretanto, ido à África do Sul não acompanhei as parangonas portuguesas sobre a morte de Nelson Mandela. Regresso agora e vejo um punhado de ecos. A rasteira política interna, com as acusações ao governo de finais de 1980s (com argumentos não apenas descontextualizados mas também falsificados), uma coisa vergonhosa. Mas também o coro vácuo, tipo água-de-colónia a litro. Pior ainda os que procuram ser inteligentes e conhecedores: o constante Vasco Pulido Valente lá aproveita o assunto para, como sempre, dizer mal de (quase) todos os portugueses, enquanto vai resmungando que nada mudou na África do Sul (a qual, nas suas doutas palavras, "continua dividida entre brancos ricos e pretos pobres"). Outros blogo-opinadores idem. E alguns, mais "cultos", ecoam uma patacoada (mais uma) do (ex?)ícone Zízek (outro para quem nada mudou - até porque os EUA são o motor da história, a história, o motor, dela também o demónio. Sendo dela pó os que o, ao Zizek, aplaudem).

 

Enfim, nada de novo entre os Açores e a Madeira.

publicado às 13:45

A emigração em Portugal

por jpt, em 12.12.13

 

De vez em quando resmungo sobre o que se pensa em Portugal da emigração. Como neste meu "O Emigrão". Questão (discursos) na qual se vê, talvez como em poucas, o conservadorismo, reaccionário, que acampou no rincão e se comporta qual escova de para-brisas, varre conscientemente da direita à esquerda e vice-versa. Lembrei-me disso ao encontrar, na rede Pinterest, este cartaz publicitário da TAP, do qual nada mais sei (autoria ou data).

 

Que empresa portuguesa se atreveria a fazer um anúncio com este conteúdo? Mesmo que com estética ou referências actualizadas? Seria trucidada.

publicado às 13:24


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