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Santo(s)

por jpt, em 13.12.13

 

 

A propósito de Mandela escreve-se e ecoa-se em Portugal. Alguns, como se magnânimos, recordam que se Mandela foi defensor da luta armada contra o regime sul-africano veio a abandonar essa vertente. E, como se cândidos, dizem-no de forma a deixar entender que ter defendido a luta armada contra o sistema do apartheid pudesse ser mácula. Felizmente apagada pela posterior inflexão para outras formas de resistência - e, por arrasto, deixando entrever que uma luta armada contra qualquer sistema colonial tenha sido poluente. Repito, escrevem-no (in blogs e nos jornais) com a leveza da candura. Mas sem a frescura da juventude, resmungo.

 

Depois vêm outros, do outro lado do teclado, resmungando. Pois entendem esta globalização de elogios ao falecido político como se significando a sua santificação, a qual faria por esquecer exactamente essa dimensão de resistência armada. Ou seja, para esses próceres da palavra pública portuguesa (e para o esloveno Zízek, tardo alter ego de tantos), a santidade simboliza o oposto da luta armada. 

 

Convirá recordar a tais fecundos intelectuais da católica pátria (já ao Zizek não sei se lhe será tão importante) que "santo" e "luta armada" não são nem foram antónimos. Como tal se partilhar o respeito por Mandela é "santificá-lo" (um estuporado cristocentrismo, na minha opinião) isso não implicará (cristocentricamente) esquecer a sua dimensão militarizada. Deveria ser óbvio para a sapiência oratória lisboeta, tanta dela residente nas imediações bem burguesotas do Santo Condestável. Mas não o é. 

 

publicado às 14:05


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