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A última viagem a Nelspruit (2)

por jpt, em 15.01.15

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Era o primeiro dia da campanha para as eleições em Moçambique. Para nós era já a despedida, sonhando-a de curto prazo, temendo-a para muito tempo, a tal papaia na garganta (que ainda não engoli) na angústia de perder a "terra" que, afinal, não era a minha. Nessa última semana fomos a Nelspruit, no regresso em Ressano deparei-me com esta imagem. Parei o carro, para a captar. Talvez só quem conheça a zona fronteiriça possa entender o porquê disso, do meu amargo espanto. Logo após o portão da fronteira, no início da descida - o início do país - uma queimada do lixo remanescente defronte da carcaça do velho "chapa" abandonada na berma da estrada. Orlada dos cartazes, novíssimos, até frescos, da candidatura de Filipe Nyusi, que os militantes da Frelimo ali tinham colocado nas últimas horas.

 

O contraste com a paisagem sul-africana, imediatamente atrás, rodoviária e não só, é enorme. Sim, eu sei que o Mpumalanga fronteiriço é a terra dos latifúndios de plantação, do trabalho ilegal explorado, talvez um dos resquícios maiores do velho apartheid, mesclado com o vampirismo dos novos-possidentes. Por isso mesmo a comparação "a seco" da "higiene" ainda-traansvalesca e o desarranjo da crescente Ressano Garcia é sociologicamente inepta. E por isso mesmo politicamente reaccionária.

 

Mas ainda assim, e talvez como nunca, até porque sendo a última vez perspectivada, a última entrada no "país [que não pátria] amado" chocou-me, aquele cupido usufruto do lixo em vez dos cuidados ecológicos.

 

Por isso guardei a imagem, partilho-a agora. Simbolizando o meu desejo que Filipe Nyusi, hoje empossado, tenha sucessos na sua presidência, e que estes sejam o do país. E que, nesses sucessos, se incluam também a indução junto dos tantos apoiantes do partido do sentir, pensar, ecológico. Nisso a ideia de que o lixo é para tratar, não para usar como material de suporte propagandístico.

publicado às 23:34

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Morte e Vida Fatalaku

15 Janeiro a 1 Fevereiro

(imagens de um caderno de campo)
Fotografias de SUSANA DE MATOS VIEGAS E RUI GRAÇA FEIJÓ
(com o apoio de Sérgio Modesto)

 

No Museu do Oriente

 

A minha colega Susana Matos Viegas inaugura hoje, às 18.30, no Museu do Oriente, uma exposição fotográfica, fotos de Timor a meias com Rui Graça Feijó.

 

Duvido que sejam servidas chamuças, atendendo à política austeritária em curso. Mas interessará ver isto do como os antropólogos (e cientistas sociais) olham através das lentes. Por isso lá estarei, ombreando com um fotógrafo aqui "da casa" blogal, para discutirmos os dois sobre tal coisa. 

 

publicado às 14:14


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