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Celebrar Bordalo Pinheiro

por jpt, em 23.01.15

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Hoje sexta-feira acontecem os 110 anos da morte do enorme Rafael Bordalo Pinheiro. No agradabilíssimo museu que lhe é dedicado (ali ao Campo Grande, na falda do glorioso estádio de Alvalade), casa diligentemente dirigida por João Alpuim Botelho, acontecerá sessão evocativa (e espero que invocativa) do gigante. Participarão os mestres António, Bandeira e Nuno Saraiva, dele descendentes, que são as pessoas que vou ouvir. Espero encontrar visitantes do ma-schamba.

publicado às 04:08

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Não tenho qualquer simpatia pela "causa homossexual" política portuguesa, repugna-me até. Pois, ainda que abrilhantada na aparência irreverente, foi serva dessa miserável era socialista, astutamente utilizada, colonizada até, pelo craxismo luso. Tal como antes o foi o dickensiano discurso da causa "interrupção voluntária da gravidez" e, depois, já aí vinha o reggae da despenalização haxixiana, colapsada face à forte crise financeira que a atirou para as calendas gregas. 

 

Dito isto: há alguns anos Manuela Ferreira Leite explicitou o que é e deveria ser óbvio. A família é para procriar, é uma instituição com essa finalidade. A esquerdalhada infecta, na colecção de cromos em que vive, apupou-a, chamou-lhe "velha" e coisas assim. Até, miséria de Estado que paga a tal gente, antropólogos funcionários públicos - que deveriam ter sido despedidos, liminarmente, por incompetência ao expressarem o dislate de discordarem com tal evidência, assim ferindo o cerne da sua actividade profissional.

 

Em assim sendo é óbvio que tendo a sociedade portuguesa, e os seus representantes políticos democraticamente eleitos, concordado e legislado em favor do casamento entre homossexuais estes têm, por inerência, todos os direitos a procriar. Biologica e/ou socialmente, adoptando ou "tecnologizando". Pois o casamento é para isso, regulando direitos e deveres sobre filiações, obrigações face a parentelas e distribuindo patrimónios transgeracionais.

 

Negar isso, como ontem continuou a fazer a Assembleia da República portuguesa, é a mais abjecta das indigências intelectuais. E uma vergonhosa cobardia política. Uma sem-vergonha que vem do PS de Sócrates - aplaudida por algum do "homoalegrismo" -, e que se reproduz. Ou se tem a coragem política de reverter a situação, inibindo este tipo de casamentos (para quê?, pergunto-me, que mal provocam ao mundo?). Ou assume-se o que é o casamento.

 

E nada disto tem a ver com os "direitos" das "pobres" crianças despojadas nos orfanatos, essa choraminguice dickensiana, falha de imaginação, que sempre brota. Tem só a ver com os direitos dos adultos. Quem pode casar (sendo solteiro/divorciado, sendo intelectualmente capaz, estando na posse do livre-arbítrio) pode adoptar ou procriar biologicamente. Repito: ou revertem a lei ou aceitam isto, não há meio termo. Ponto final parágrafo.

 

O resto, o lixo, isto que há, tem nomes: Sócrates, Passos Coelho, Portas. E quem os apoia, pois nisto não há "liberdade de consciência". Só mesmo hipocrisia.

publicado às 02:39

publicado às 01:13

Clint, "Atirador americano"

por jpt, em 23.01.15

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Estreado hoje o "Atirador americano" de Clint Eastwood. É majestoso. É o grande filme sobre a guerra desde que Kubrick se debruçara em "Full Metal Jacket", refutando-a. Há aquela coisa da fantasia realista, que sobre o assunto Spielberg mimetizara nos frenéticos e abissais primeiros minutos do "Soldado Ryan" - mas que destroçara logo de seguida no patrioteirismo de rebuçado do resto do filme. Mas agora Clint, o maior de todos nós, humanos, ultrapassa os discursos alheios. Sim, a realização de cume, de um realismo ríspido, cruel, coloca-nos no palco da guerra, como se seus agentes e não meras vítimas. Mas muito, muitíssimo, mais do que isso, e muito mais ainda do que os filmes de mensagem, ali está uma reconstrução cultural fantástica, um etnógrafo assombroso, o cinema antropológico levado ao inultrapassável, um filme sobre "maiorias indígenas" exagero eu. Diz o herói - e como podem os amantes da Ilíada e da Odisseia refutar os textos actuais sobre heróis, e sua ira até semi-divina? - que luta por "Deus, Pátria e Família"  E nós sabemos, até porque os diálogos logo ali o negam, que o seu "deus" quase inexiste e também que a família se lhe desvanece. Fica, apenas, mas um Apenas maiusculizado, a "pátria", essa que, afinal também canibal, o devasta na guerra, e tão mais aos seus circundantes, desde o irmão à última e esquiva, mas determinante, personagem do filme. É por isso que Clint é não só o Cineasta mas o grande intelectual deste virar de milénio, há décadas a afirmar a ambivalência, a rugosidade e, acima de tudo, as crostas e  pústulas dos valores que perseguimos e afirmamos. Sem que isso tudo implique que os abandonemos. E é essa (sua) adesão consciente à ambivalência que se chama coragem. E é isso que o cada vez mais ancião nos lega, em formato de partilha, constante, filme a filme. 

 

Quem me dera poder bradar "Clint rules". Mas cada vez mais me parece que não, que neste mundo facetado, tantos o tresvêem, impercebendo-o como o verdadeiro iconoclasta de XXI.

 

publicado às 00:22


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