Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Do que me ficou desta semana

por jpt, em 06.02.15

berna.jpg

 

 

Como disse aqui à semana que agora acaba preenchi-a com um congresso de ciências sociais, em Lisboa, ali ao antigo D.R.M. Cerca de 1500 participantes, mais os visitantes que iam só para ouvir alguma comunicação, bastantes portugueses, imensos brasileiros, escassíssimos congressistas vindos de outras paragens. Nestes cinco dias muitas conversas, algumas longas, muitas breves, com conhecidos ou neo-conhecidos. Num contexto destes fala-se de muitas coisas, claro, mas a política não falta, ainda para mais em época de "crise" e de syrizismo. Trata-se de um universo francamente à "esquerda", vem um pouco da tradição crítica das ciências sociais, vem também da própria história destes eventos (tratava-se do 12º "luso-afro-brasileiro").

 

E por isso retiro duas ideias da empiria acontecida. Apanhei um alargado punhado de colegas brasileiros bufando, autenticamente, com o PT, em particular com Lula ( e seu filho também) e com o estado venal do poder sob Dilma, ainda que diferenciando-a do seu predecessor. E isto, friso, verbalizado por gente que se anuncia como sendo (ou tendo sido) eleitor entusiástico do PT. Contrariamente, cruzei esta semana de inúmeros contactos com colegas portugueses sem que algum deles me tivesse referido o "affaire" José Sócrates.

 

Pois reina na sociedade lisboeta, apesar das primeiras páginas e das entrevistas na RTP, um silêncio sobre o ex-primeiro ministro, a esconder o desconforto que o eixo alargado dos seus (ex?)apoiantes sente. Isto mostrará, julgo e disso estou esperançado, que Sócrates é um cadáver político, impossível que se torna escamotear a gravidade das trapalhadas que o homem produziu quando alcandorado ao poder, pelo "povo", pela "classe média" e pelos "intelectuais profissionais tão apoiantes de Mariano Gago" - esta sequela actual do velho patrimonialismo de morgadio, isso do "dê-nos as bolsas de investigação que a gente dá os votos e o apoio público". Mas mostra também o vigor desta elisão higiénica que o PS intentou desde o seu congresso: não falar do assunto, deixar assentar a areia, enterrar o corpo malfadado. E regressar ao poder, sem reflectir no acontecido. Para fazer da mesma forma, claro que o mesmo. O primeiro passo, o de fazer as hostes (e os "amigos") assobiar para o lado está a correr bem, com competência.

 

A segunda coisa interessante ocorrida durante a semana foram as declarações de Soares, isso de "o juiz que se cuide!", dedicado ao juiz que enfrenta as referidas trapalhadas de Sócrates. Também sobre esta ameaça do antigo presidente nada ouvi, nenhum escândalo, nenhum remoque. Nem mesmo alguma "caridosa" redução do dislate a uma deriva anciã. Também aqui a lei da rolha partidária (ou amiguista) está a funcionar, e de modo bem competente. Nem mesmo aqueles que há mês e pouco tanto se indignaram com o poder timorense destratando os juizes portugueses aproveitaram o "intervalo para café" para se indignarem.

 

É certo que me baseio numa amostra muito pequena, ouvida sem qualquer sistema. Ficando-me num mero "achismo". Mas parece-me assim que a passadeira rosa está aí bem esticada, para que os futuros (antigos) possidentes nela ascendam. E isso assusta.

publicado às 21:07

Ensaio sobre a utopia

por jpt, em 06.02.15

utopia.jpg

[Algures, Lisboa, Janeiro 2015]

Tags:

publicado às 15:50


Bloguistas







Tags

Todos os Assuntos