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Resquícios da Páscoa

por mvf, em 06.04.15

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 O famoso "Coelhinho da Páscoa" volta para o ano mas isso, infelizmente, não se pode dizer dos políticos portugueses que não desarmam nunca.

Fora dessa triste realidade que passa na TV, durante  uns dias de sossego beirão, encontrei uma placa que denota alguma atenção para com os putativos clientes com a promoção de um produto que desconhecia enquanto potencial comércio. A placa acima mostra trabalho de desenho gráfico, impressão cuidada, informação sucinta e precisa. Prefiro isto aos discursos dos tais políticos que raramente falam do e para o mesmo país em que vivo. 

publicado às 22:14

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Voltar a Portugal calou-me sobre a política pátria. Estar cá alumiou-me: incompreendo isto, locutores e respectivos apoiantes. Daí que resguarde o teclado para outras minudências - com algumas breves excepções, incursões até festivas no "affaire 44", escorrendo o fel de quem passou anos estupefacto face aos apoiantes de tamanho(s) traste(s) enquanto ele(s) em acção. Nada mais.

 

Mas agora vem aí um ciclo eleitoral. E leio que Sampaio da Nóvoa se prepara para se candidatar. Amigos dizem-me que foi um excelente reitor em Lisboa, muito saúdo isso. Nunca ouvira falar dele até um discurso das cerimónias do 10 de Junho, que deu brado pois ali criticou o "estado da arte" do país. Nesse então fui ouvir o discurso, gostei da atitude crítica, ainda para mais em cerimónia protocolar. E de algumas coisas que disse. E a outras pensei-as muito superficiais, até desmerecedoras de um reitor - meses depois, julgo que na abertura do ano académico, o reitor de Coimbra fez um discurso também muito crítico, mas muito mais denso e sedimentado, com verdadeira gravitas. Mas não deu brado, talvez por não ter aquela alguma dimensão "lite". Enfim, sobre o discurso do reitor lisboeta botei aqui algo desiludido: "Disse o reitor algumas coisas acertadas? Sim, disse. Mas, caramba, disse-as embrulhadas num papel tão pardo que até aflige ... São precisas alternativas? Com toda a certeza. Mas não será desta maneira, com toda a certeza."

 

Mas passados estes anos e tendo eu percebido o meu grau de incompreensão disto tudo simpatizei com a candidatura. O país precisa de muita coisa, talvez acima de tudo de outra gente e outras práticas. Precisa, como disse Sampaio da Nóvoa no tal discurso, de se "organizar em si". Eu quero traduzir isso como racionalizar e democratizar. E a candidatura de um democrata, excêntrico ao "comboio descendente" destas décadas é-me simpática, também por isso - e pouco me importa se é ele mais próximo do partido A ou B, dentro daqueles que professam a democracia e renegam a adesão (mesmo que afectiva ou apenas festiva) aos totalitarismos. Pois o fundamental é tornar o país uma verdadeira "sociedade aberta".

 

Estou pois disposto a apoiar, com voto e algumas conversas, a candidatura de Sampaio da Nóvoa. Por isso uso o google nesta madrugada para o conhecer melhor. Por saber dos práticas habituais daquela área política cruzo-lhe o nome com um termo, "maçonaria", o google leva-me aqui.

 

Maçónico, claro está, e nem me surpreende. A negação da sociedade aberta, do escrutínio das redes sociais, dos grupos de interesse e pressão. A cristalização dos entraves ao "organizar em si" do país, a que Sampaio da Nóvoa apela, afinal paradoxalmente. Agora, no XXI europeu, a negação da democracia. Sempre recebida com receio e, acima de tudo, com a negligência de princípios bem portuguesa, essa que veio transportando isto tudo onde chegou.

 

Votarei contra, claro. 

publicado às 02:05


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