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Piketty em Lisboa

por jpt, em 27.04.15

II GM.jpg

Georges Blind, A Member Of The French Resistance, Smiling At A German Firing Squad, 1944

 

O conhecido economista Thomas Piketty fala hoje na Gulbenkian (a sessão está agora mesmo a decorrer). Algumas pessoas, que me são muito próximas, avisam-me disso, esclarecem-me sobre de quem se trata (vira o seu afamado livro "O capital no século XXI" nos escaparates mas não lhe reconheci o nome). Nisto acordei que lá iria, e que jantaria depois com alguns amigos.

Entretanto vou à internet ver do que se trata.Logo me surge a notícia de que Piketty se encontrou hoje com António Costa. Passo atrás, o meu, logo prevejo um pacato (ou talvez não) comício ali à Av. de Berna. Não estou disponível, francamente. Ainda que esta semana tenha lido uma breve declaração que muito me animou: Trigo Pereira, um dos autores do recente documento programático socialista, diz que "O plano (o tal) não funciona se o PS mantiver a cultura que teve no passado". Dá alento que um colaborador de peso diga isto. Certo que o seu destino deverá ser o dos costumados independentes do início dos ciclos de poder - ou se adaptam ou saem logo (lembram-se do primeiro ministro das finanças de Sócrates?). Não creio que um partido possa mudar de "cultura" (seja lá isso o que for) quando a nova direcção ascende num congresso após a prisão do seu amado (e elogiado) ex-líder e que nem discuta isso, a "cultura" de poder e de partido que permitiu tanto tempo no poder e tanto tempo de admiração e de adesão  - convém recordar Ferro Rodrigues, actual líder parlamentar, a elogiar Sócrates e o seu modus faciendi mesmo nas vésperas da sua detenção. Mas enfim, se há quem dentro do núcleo socialista diga que em algo têm que mudar isso é agradável, esperançoso.

 

Por isso vou à Gulbenkian, não para alimentar o comício, mas para ouvir um economista que me dizem muito interessante, apresentando uma boa síntese do que momento actual. Avisam-me que há uma boa crítica a Piketty feita por Graeber e apanho um debate entre ambos: lerei após o jantar.

 

Antes de sair leio a notícia do Expresso: Piketty com Costa, e o economista francês debruçado sobre a necessidade de alterar a dívida portuguesa (e não só). Sou leigo em economia, e assim nada me move contra essas alterações à (calamitosa) dívida portuguesa. Há anos que aqui botei a minha crença (mera crença) de que isso viria a acontecer: primeiro austeridade, menos estado, depois reestruturação e possível perdão parcial. Se calhar será assim. Simpatizo com as declarações de Piketty, apesar da companhia em que ali estava.

 

Depois avança o homem criticando o "egoísmo da Alemanha e da França" "que nunca pagaram as respetivas dívidas após a II Guerra Mundial, estejam agora a explicar a países como Portugal, Grécia e Espanha que têm de pagar as suas dívidas até ao último euro e que não podem ter inflação nem as respetivas dívidas restruturadas ...".


Oops, lá vem a repugnante demagogia. Quais as causas das dívidas, os processos internos e externos? A Alemanha e a França sairam devastadas da II Guerra Mundial e não pagaram a dívida? Portugal saiu devastado da adesão à União Europeia? Ou estaremos endividados por causa da guerra colonial? Que devastou o país? Isto é comparável? Este tipo de paleio não é uma vergonha?

 

Para jingles destes não tenho tempo nem estômago. Que se lixe o simbólico da Gulbenkian, e o "economista francês". E, até, o jantar de amigos a seguir. Pikettyzem à vontade. Os outros ... E que se desiludam os iludidos, com dichotes destes nada nem ninguém mudará de "cultura" (seja lá isso o que for).

publicado às 18:36


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