Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Acordo Ortográfico 1990

por jpt, em 13.05.15

NAO2c.jpg

 

 

Notícias anunciaram que hoje seria a data que tornaria "obrigatória" a utilização do AO90 em Portugal. Um artigo no Público contesta essa versão, remetendo para Setembro de 2016 essa "obrigatoriedade". Sobre a pantomina que é esse acordo já aqui botei e ecoei muitas vezes [basta consultar a "categoria" Acordo Ortográfico]. 

 

Em Portugal o AO90 tem sido alvo de grande oposição: escritores (os tipos que mais projectam reinventar a língua escrita), académicos, jornalistas, e movimentos populares - há pouco foi entregue na Assembleia uma petição subscrita por uma enorme quantidade de cidadãos. E é defendido por pouca (e cada vez menos) gente. O que é interessante, ultrapassando esta questão gráfica, é notar como os poderes estatais torneiam esta óbvia recusa das "forças vivas" e vão deixando "correr o marfim" nesta questão, exemplo máximo de menosprezo pela voz activa extra-partidária.

 

Sobre o assunto António Guerreiro escreveu um bom texto (algo que lhe é habitual) há cerca de quinze dias. Está lá muito do que é necessário lembrar. E combater:

 

 

"Todo o processo de engendramento e implantação do Acordo Ortográfico de 1990 só tem paralelo nas experiências agrícolas de Lissenko: a ortografia, como o trigo duro, tem de se vergar às miragens de uma ideologia (que tem nome de “lusofonia”, mas é muito mais do que ela) e conformar-se aos desígnios de políticos e cientistas pioneiros, ditos linguistas, mas que são na verdade agentes de uma ciência politizada. Juntos, gritaram em coro, antes de perderem o pio: “A ortografia é a arte plástica do Estado”. Quem lê jornais, escritos públicos e documentos oficiais percebe que está instalada a anomalia ortográfica (em meia hora de televisão, no dia 25 de Abril, li dois “fatos” em vez de “factos”) e que a aplicação do AO90 é tão desastrosa e tão contrária aos efeitos pretendidos (temos agora três normas ortográficas no “espaço lusófono”) como a agricultura de Lissenko. E é já tão paródica como ela. O que é irritante é que toda a verdade de facto exige peremptoriamente ser reconhecida e recusa a discussão. Por isso é que os políticos com responsabilidade nesta matéria e o respectivo braço armado científico (os cientistas pioneiros do laboratório linguístico de onde saiu o AO90) recusam sair a público e discutir os resultados da sua bela obra: mostram-se às vezes irritados com o ruído da paródia. Mas apostam no silêncio, à espera que das intervenções genéticas no trigo duro nasça, se não cevada e centeio, pelo menos erva para forragens."

publicado às 02:14


Bloguistas







Tags

Todos os Assuntos