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A mulher do pm português, Laura Ferreira, tem um cancro. Os tratamentos provocaram-lhe, como é habitual, a queda do cabelo. Viajou com o marido e foi fotografada, calva.

 

Dantes escondia-se esta maleita e, até postumamente, referia-se-lhe como uma "doença prolongada" e sussurrava-se a sua presença em corpos alheios. Hoje em dia não. Pois a doença se vem tornando menos letal. Porque a robustez psicológica dos pacientes vem sendo considerada como factor de resistência. E, mais do que tudo, porque vem mudando a ideia de dignidade, integrada do estado doente - a doença não é uma vergonha, um pecado ou uma praga.

 

Mas agora algo flutua:  a "esquerda" socialista rejubila com um escabroso texto de Estrela Serrano, doutorada no ISCTE (em que raio de casa me fui eu meter, que gradua este tipo de gente) e professora de jornalismo (não surpreende o "estado daquela arte"). No qual critica o pm e a sua mulher por terem decidido expor a doença. A esse seu lixo chama, arrogante, "análise crítica dos media", enquanto manipula o seu próprio "pensamento" intitulando de ignorante qualquer leitor que "confund[a]e uma crítica ao jornal com uma crítica ao primeiro-ministro", como se não fosse este (e a sua  mulher) directa e explicitamente visado(s) no texto que botou.

 

A "esquerda" socialista, sempre pressurosa em afixar o "orgulho homossexual", a dignidade da sexualidade, escandaliza-se gritando "demagogia" se alguém afixa (dolorosamente, decerto) a dignidade da doença. A "esquerda" socialista, sempre lesta em solidariedades com o "género" e mais o transgenderismo, escandaliza-se e grita "demagogia" se uma mulher cancerosa surge calva, sem lenço (um hijab sanitário?) ou cabeleira. Mas nada dirá, nem nunca disse, se um homem canceroso aparecer calvo. Em suma, uma mulher, se doente, não se deve "expor" mas sim resguardar-se, decerto que por poluente (da razão alheia, daí a acusação de demagogia, de aproveitamento político). Nada disso com um homem.

 

Mais ainda, aos da "esquerda" socialista, sempre ufanos da sua "lusofonia", da sua "ligação privilegiada" com África, lusófona e solidária, nem lhes ocorre que, para alguém que tenha nascido e crescido em África (como é o caso de Laura Ferreira), tão mais normal seja uma mulher de cabelo rapado, sem o ónus da excentricidade que ainda tem na Europa.

 

Finalmente, aos da "esquerda" socialista, sempre tão "republicanos", nem lhes ocorre que se alguma crítica há neste caso é a de que numa república não há qualquer justificação (nem prática, nem simbólica nem mesmo protocolar) para que os governantes se desloquem em funções acompanhados dos cônjuges. Todos o fazem (começando por todos os presidentes), todos assim violando o espírito da república.

 

E é gente desta que se diz (doutorados ou não, professores ou não, jornalistas ou não) a reflectir sobre o país. A querer-se poder.

publicado às 11:09


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