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Carlos Nuno Castel-Branco

por jpt, em 29.07.15

carlos nuno.jpg

(Carlos Nuno Castel-Branco; fotografia de João Cordeiro, publicada no "Público")

 

No Público de hoje um artigo sobre o processo movido ao economista moçambicano Carlos Nuno Castel-Branco, por "crime contra a segurança do Estado, por difamação e calúnia" devido a uma "carta ao Presidente da República", e ainda a Fernando Mbanze, editor do jornal Mediafax que a publicou. O julgamento foi adiado para finais de Agosto. Entretanto estão disponíveis petições da Aministia Internacional solicitando o encerramento deste processo (em inglês; em português). O conteúdo desta petição pode ser analisado e será discutível, como excelentemente o acaba de fazer Elísio Macamo no seu mural de facebook. Mas acima de tudo parece-me urgente, e muito benéfico, que o processo se esgote. Também como contributo para a pacificação do ambiente nacional, como sinal adverso aos revanchismos.

 

Mas também como fruto de uma análise contextual. Vou ser franco, eu não gostei da carta publicada, um texto no mural de facebook do autor publicado no tão tenso final de 2013. O qual deu brado, foi muito discutido, saudado e repudiado (em termos públicos foi repudiado em tons muito feios, nos quais muitas vezes habitou o racismo). O meu desgosto não se prende com a perspectiva do autor sobre o processo nacional, pois esse é um outro registo de debate. Mas sim com o seu tom, abrasivo, demasiado abrasivo em meu entender. Naquelas múltiplas discussões sobre o tema várias vezes o considerei "um mau momento". Que todos temos, em particular os que praticam esta escrita quase-imediata na internet. Mas também não me parece que um texto destes seja um atentado à segurança nacional. É muito mais um irado desabafo, um discurso de um cidadão exaltado com um processo de que discorda. E isso deveria obrigar a pensar o seu autor, pois Carlos Nuno Castel-Branco é um homem peculiar: um poderoso investigador, um excelente académico, um infatigável trabalhador, um cidadão despojado. E, talvez mais do que tudo isso, um enorme patriota. Como o sabemos, todos os que o conhecemos, pessoal e/ou intelectualmente. Alguém cujo percurso de constante dádiva não justifica tamanha leitura literal, como esta que agora acontece. E por isso mesmo muito aguardo que este processo se encerre.

publicado às 13:03


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