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Hoje, enquanto jantando de tabuleiro sobre os joelhos, vejo na televisão duas entrevistas políticas absolutamente decisivas, ainda que lamentavelmente coincidentes, eu no velho zapping para as acompanhar.

 

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Sobre o futuro governo uma entrevista a Paulo Portas onde devastou, até com crueldade pouco cristã, o deputado António Costa - na sequência (rescaldo, melhor dizendo) das entrevistas a Maria Luís Albuquerque e Assunção Cristas que, quais valquírias, canibalizaram o referido proto-ex-secretário-geral do ainda partido socialista. O abjecto cadáver do antigo nº 2 do "Senhor Engenheiro" (como diz o patrono da cátedra Eduardo Lourenço de quem os Varoufakos tanto gostam) José Sócrates já fede depois de tanta bordoada.

 

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E a propósito das presidenciais uma excelente "prestação" (como agora se diz a velha "performance") de Marisa Matias, a nova candidata à presidência da república. Firmeza, humildade, objectivos definidos, e também um je ne sais quoi ... Muitas das suas ideias não serão as minhas. Mas ainda assim cativou a minha adesão, ganhou, desde já, o meu voto. E não só por considerar eu que se o "eleitorado", essa molécula abstrusa, votar no prof. Sousa comprova a sua total ... moleculice. Como tal ... Marisa 2015 é já o meu lema.

publicado às 23:51

A Vera no "Público"

por jpt, em 19.10.15

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 A primeira fotografia, na praia da Amoreira, que deu origem ao projecto de Vera Azevedo

 

E assim de repente a "nossa" VA (Vera Azevedo) aparece no "Público", um bonito artigo de Marisa Soares dedicado ao projecto que a Vera está a realizar, o "Sal e Filhos - Gerações do surf na Caparica", coisa assim tipo etnohistória, deliciosa. E tem direito a duas páginas de jornal, com belas ilustrações e tudo. A gente aqui do ma-schamba ficou toda ufana, claro. Aqui transcrevo parte do artigo (o resto não tem acesso livre):

 

Vera fotografa as gerações que se cruzam nas ondas da Caparica

"Sal e Filhos - Gerações do surf na Caparica" é o projecto de uma apaixonada pela modalidade que quer retratar surfistas anónimos e os seus filhos, com quem partilham a prancha e a paixão pelo mar.

 

Um dia de sol à beira-mar na praia da Amoreira, na costa vicentina. Um grupo de amigos surfistas, pais e filhos, em calções de banho, cada um agarrado à sua prancha pousada na vertical. Uma fotografia "à havaiana", a preto e branco, tirada com a máquina analógica que Vera Azevedo herdou do pai. Nesta "brincadeira" de Verão, a actriz de formação, mestre em antropologia e apaixonada pelo surf, encontrou o mote para um projecto que visa retratar as várias gerações de surfistas da Costa da Caparica, em Almada.

Foi quando revelou o filme que percebeu o que tinha em mãos. Vera, 49 anos, vive a poucos passos da praia onde todos os dias dezenas de homens e mulheres de todas as idades tentam apanhar a melhor onda e ficar em pé na prancha enquanto deslizam sobre a água salgada. "Pensei: era giro fazer isto na Caparica pois há tantos pais e filhos que surfam juntos e tão poucos registos sobre isso." Nascia assim o projecto Sal e Filhos - Gerações do surf na Caparica, primeiro no Facebook, mas já com direito a site próprio, ainda em desenvolvimento.

 

A ligação de Vera à antropologia levou-a a querer ir além dos simples retratos, que tira sem grandes preocupações estéticas (até porque não tem qualquer formação em fotografia e ainda está a descobrir-lhe os segredos), tentando registar a história pessoal daqueles "anónimos à procura da onda perfeita". O objectivo é também "divulgar uma forma de ser e de estar muito peculiar, que alia o desporto e o meio natural", antes promovida por um "pequeno grupo de entusiastas" que "se iniciaram nesta 'coisa' das ondas nos anos 80 do século XX", mas já partilhada com a segunda geração de surfistas, os filhos, que tomaram o gosto à "imensidão de beleza que é o oceano".

Vera também se apaixonou pelas ondas. Aos 40 anos, uma amiga desafiou-a a inscrever-se num curso de surf. Praticou durante um ano até torcer o pé numtake off (o movimento rápido em que o praticante se levanta na prancha) mas nem isso a demoveu. "Passei a fazer bodyboard, todos os dias antes de ir trabalhar [faz produção técnica no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, há 20 anos] ou ao fim do dia.".

 

Desde que decidiu arrancar com o projecto, a autora fotografou seis duplas, sem contar com os amigos na praia da Amoreira. Por duplas entenda-se pais e filhos ou filhas. Segundo Vera Azevedo, não há muitas mães a surfar com as filhas, comprovando em parte o perfil-tipo do surfista português: sexo masculino, idade média de 28 anos, formação superior e profissionalmente activo. A Associação Nacional de Surfistas estima que existam cerca de 200 mil praticantes, 99% amadores.

Os alvos da máquina analógica de Vera são pessoas que conhece - "quando surfamos muitos anos num local conhecemo-nos nem que seja por partilharmos o mesmo 'pico'" - ou desconhecidos que ela aborda na praia. Ao princípio, admite, "ficam desconfiados mas depois acham a ideia gira e acedem em tirar fotos". Outros são amigos que apoiam a ideia "incondicionalmente" e até sugerem outras famílias. "Há quem me contacte através do Facebook a dizer que a ideia é genial e que gostava de ser fotografado. É bonito."

 

Enquanto revela fotografias, colecciona histórias. Sabe "episódios curiosos" de surfistas da Caparica que, na década de 1990, "se atreviam na praia do Norte na Nazaré sem logística absolutamente nenhuma e apanhavam valentes sustos". Voltavam lá mesmo assim. Conhece outros que "iam de carro pessoal para França depois de saírem do trabalho para entrarem num heat [uma fase da competição] do circuito europeu". Alguns deles, acrescenta, correram os circuitos de surf nacionais e europeus quando eram jovens e agora os filhos seguem-lhes os passos.

 

Com o Sal e Filhos, Vera Azevedo espera perceber as dinâmicas da comunidade de surfistas da Caparica, cumprindo em parte o objectivo da candidatura que fez a uma bolsa (não atribuída) da Fundação para a Ciência e Tecnologia sobre o impacto do surf nas comunidades piscatórias da Caparica, Ericeira, Peniche e Nazaré. Destas quatro, é a primeira que parece mais votada ao esquecimento, apesar de ser "surfável" durante o ano inteiro, mesmo com tempestade no mar. "A Costa da Caparica parece esquecida junto dos media e parece-me que a questão passa pelo pouco apoio autárquico mas também pela falta de divulgação das boas condições para a prática da modalidade", considera.

 

(continuação)

publicado às 12:44


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