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Há algumas semanas, antes das eleições portuguesas, escrevi aqui um texto "Prós e Contras (e Paulo Dentinho)" a propósito das críticas dos dirigentes socialistas à informação do canal televisivo público. Nesse texto critiquei, também as declarações de Porfírio Silva, bloguista, universitário, dirigente socialista e leio que apontado como ministeriável no próximo governo.

 

Porfírio Silva leu agora o texto e reagiu nos comentários do texto, considerando-se por mim caluniado. Como o postal é já antigo e, ainda para mais, como actualmente os comentários deste blog são pouco visíveis e menos visitados, e porque a calúnia é uma coisa mais-que-feia, aqui chamo a atenção aos interessados (idealmente: todos os que leram o texto) para a sua reclamação e, também, para a minha argumentação. São acessíveis nesta ligação.

publicado às 15:27

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Tudo (toda a imprensa) o indica, esta será a primeira semana do novo governo português, o regresso do PS ao palácio de São Bento, um governo minoritário com o apoio do BE, do PCP e daquela coisa "os verdes". Muitas tarefas terá o governo, com toda a certeza. Uma atenção sobre aquela vertente "eucaliptos" seria interessante - seria bom neste caso que houvesse um partido ecologista no bloco do poder ou influenciando-o. 

 

Mas estou certo que haverá uma linha de actuação (reclamação) no seio deste novo conglomerado (pro)governativo. Creio que a rapaziada e raparigada universitária e seus afins, conjugada no BE, avançará para uma necessária "causa fracturante". Por entusiasmo; como forma de congregação da fluída coligação; e devido à desideologização da "classe média" europeia (em particular se lisboeta). Por isso presumo que nestas sete colinas e seus subúrbios já estejam alguns trabalhadores intelectuais de estirpe marxófila a preparem a liberalização do consumo do cânhamo com THC ilimitado e mesmo do seu comércio, uma causa fracturante simpática e alegre. Não para avançar este 2016, que isto ainda está muito arisco, mas decerto lá para o ano seguinte.

 

Torço o nariz, e não por razões morais. Pois tenho outra causa fracturante para esta legislatura, em que o BE pode reclamar moedas de troca. É uma causa egoísta, tenho consciência de que o meu tempo se escoa, tende abruptamente para o final. Mas é também uma causa social, sei que não estou sozinho nesta deriva. Como tal considero que para "causa fracturante" actual, para congregar as tropas, para militar, o fundamental será lançar uma legislação abrangente, progressista, da eutanásia. É certo que os mortos não votam e os familiares enlutados tendem para a amnésia. Mas seria um passo no desenvolvimento cultural do país. E, falando por mim, se a legislarem juro que fumarei uns charros em público para apoiar a campanha seguinte, a tal do cannabis. Se ainda cá andar ....

publicado às 15:02

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Tudo (toda a imprensa) o indica, esta será a primeira semana do novo governo português, o regresso do PS ao poder, em modalidade de governo minoritário. Daí este meu segundo lugar, coisa que poderia interessar. Há alguns dias o nosso presidente teve uma intervenção canhestra, pois enquanto adiantou que havia partidos ingovernamentais foi apelando à rebelião no PS, um tratado de impolítica - deveria ser óbvio que isso apenas implicaria a congregação das tropas alheias. Mas a presidencial alocução teve um efeito entre vários amigos meus (falo dos reais): levou-os a botar por todo o lado, em modalidades de viva-voz, texto, imagens, auto-produções ou partilhas, veementes críticas ao presidente por considerar este que havia partidos democraticamente sufragados sem direitos à participação do governo (o BE, o PCP, e até aquilo dos "Verdes"), como se isso fosse uma menorização inaceitável, mesmo uma infantilização. Muito bem, muito democráticas as reacções.

 

Agora está aí à vista o novo governo. Já disse que não espero nada de escatológico, será coisa para nós normal, para além de perfeitamente legítima. Só me intriga uma coisa. Será um governo minoritário, só com o PS, proposto para uma difícil legislatura. Um suporte minoritário algo mais frágil do que os anteriores minoritários, dado que o PS foi apenas o segundo partido mais votado. E os partidos que o apoiarão no parlamento não entram no governo. Perfeitamente legítimo, nada a obstar. O que me intriga são os tais meus amigos (falo dos reais). É que esta é uma coisa que lhes poderia interessar. É que não os vejo a botarem falas, textos, imagens, auto-produções ou partilhas, criticando o facto dos tais partidos não irem para o governo. 4 anos de um governo do segundo partido mais votado? Sem que os apoiantes estejam também no governo? Não é isto uma menorização inaceitável, mesmo uma infantilização? 

 

Ou seja, têm cabimento num parlamento mas não no governo. Afinal, teve Cavaco Silva razão? Pelo que concluo da actual desazáfama dos meus amigos (falo dos reais) teve-a. Mesmo que daquela forma canhestra, como nele sempre foi habitual.

publicado às 14:46

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Tudo (toda a imprensa) o indica, esta será a primeira semana do novo governo português, o regresso do PS ao palácio de São Bento, sob a liderança do seu secretário-geral António Costa. Em primeiro lugar aquilo que verdadeiramente interessa: o futuro primeiro-ministro é por via paterna descendente de famílias moçambicanas [avô paterno da comunidade goesa católica, de ascendência brâmane; avó paterna da conhecida família Frechaut, ramo de franceses índicos estabelecidos no país durante XIX] e espero que isso venha a influenciar, no respeito pelos interesses de ambos os países, um ainda maior reforço das boas relações, um pequeno tempero, se me é permitido o sorriso, na interacção.

 

Em segundo lugar aquilo que também interessa: por mais que eu trema de ira com isto do PS voltar ao poder (como é possível?, meu Deus!, clama este ateu ...), por mais que eu esteja crente que o PS de António Costa é mais do PS de José Sócrates, tenho que saudar esta coisa no meu país, isto de uma campanha renhidíssima e de uma pós-campanha mais-do-que-problemática não ter provocado as aleivosias racialistas ou mesmo racistas adversas a Costa que se poderiam temer, oriundas de sectores mais ultramontanos mas difusamente apreendidas (na prática até foi no PS que isso mais se notou). Não se trata de um "obamismo" (ainda que eu já me tenha rido com um apenas-jocoso "Obama baneane" que um amigo, moçambicano já agora, botou em jantar) que a situação sociológica é completamente diferente. Mas é um excelente sinal sobre o Portugal actual que as ligeiras matizes fenotípicas não sirvam para poluir o ambiente. É certo que alguns poderão clamar que há racismo no país e que neste caso a extrema homologia sociológica se sobrepõe a tudo o resto. Seja, mas ainda assim sob este prisma o ambiente desta ascensão de António Costa é um sinal muito saudável da sociedade portuguesa.

publicado às 13:58


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