Domingo de Macaneta, calor mesmo sério mas a sombra das árvores disponível o suficiente, que tão poucos usaram hoje o batelão para a vir concorrer. Torrar um pouco e ainda mais na água, um aqui raro mar chão que reforça o caldo salgado a disfrutar.
Depois o habitual almoço, para mim a garoupa ainda nova, espreguiçados de costas para o mar num bem defronte da foz do Inkomati, o rio ainda curvo e numa modorra toda brilhante, e aquela calmaria à sombra a entranhar-se e assim a desmanchar-nos as atenções, uma quase sesta de delícias.
Na cabana ao lado uma meia dúzia de patrícios e suas senhoras, cinquentões avançados eles não tanto elas, em meandros de avantajada patuscada. Gente do por cá, caras conhecidas, aquelas dos breves acenos quando cruzamos. Mas são tantos os seus comes que nem lhes resta tempo para irromper naquele nosso silêncio.
Súbito um deles desperta, mas em tom nada desiludido, num vibrante “Não há dúvida, os melhores frangos são os da Guia ...os melhores frangos do mundo”, repete-se no enfatizar, e ainda que logo de todos receba uma muda anuência insiste em que "não há nada como os frangos do Teodósio, o Teodósio do Rei dos Frangos", uma intimidade que o prova por lá assíduo, e até voraz pois culmina a anunciar que “chego a comer dois frangos”.
Surpreendo-me a sorrir, tanto frango até me despertou a sonolência, que raio de ideia, ali bem no Inkomati, ainda résteas de mangal, e o homem a resmungar a Guia. Mas é à Inês que não lhe escapa enquanto ri baixinho um “esta é de blog...”. É, mas afinal sem qualquer malícia, eram-lhe as saudades. Ali no Inkomati as saudades da churrascaria do teodósio...Bolas, devem ser mesmo bons os tais frangos. Só podem mesmo ser.