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por jpt, em 04.02.05
"...Sartre era um moralista. Não podia admitir que as minhas tomadas de posição, talvez erradas, não fossem culpadas. Para ele, moralista, era difícil aceitar os argumentos de um homem que tomava uma posição radicalmente diferente da sua. Logo, condenava-me moralmente. Aliás sempre pensei que ele era mais moralista do que político. E creio que muitas vezes se perdeu na política, precisamente porque era essencialmente um moralista, mas de um estilo muito diferente do tipo habitual: um moralista ao contrário, um moralista da autenticidade e de modo algum do moralismo burguês do qual tinha horror."
[R. Aron, O Espectador Comprometido. Diálogos com Jean-Louis Missika e Dominique Wolton, Lisboa, Moraes, 1983, p. 142]

publicado às 23:42


6 comentários

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De jpt a 26.05.2008 às 09:46

E se não fosse a Vida e Obra de Sartre, "a consciência odiada do seu século", de que teria constado a obra de Aron, que (sobre)viveu a maldizê-lo?

Publicado por: IO às fevereiro 4, 2005 03:52 PM
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De jpt a 26.05.2008 às 09:46

Saber muito, por vezes, diminue a tolerancia.
Porque conhecer pode aumentar o peso da normatividade.

Mas a paciencia ou a sua falta resultam, no fundo do carácter de cada um, ou seja, são uma questão de humildade.

Parece-me...

Publicado por: cbs às fevereiro 4, 2005 06:16 PM
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De jpt a 26.05.2008 às 09:47

IO vá lá, este trecho não está aqui a protestar com o Sartre. [explico-me, este post é uma violação do sacrossanto principio da não mistura trabalho-blog; fui reler o Espectador Comprometido pois vou utilizar um texto do Aron como muleta de outro, e quis relembrar o autor para o apresentar] Nisto sai esta frase, actual que "até apita" . Quanto às querelas com Sartre isso não é do meu tempo. Só me posso perguntar, diante da tua indignação sartriana, que raio ficou dele, como sobreviveu à passagem do tempo? Já quanto a Aron ainda se lê. Mas enfim, honestamente, não são coisas da minha geração, não estou dentro dessas colecções de cromos parisienses - no meu tempo Paris já tinha ardido!
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De jpt a 26.05.2008 às 09:47

CBS discordo. Realmente costumamos pensar assim, e todos o somos um pouco. Mas, e ainda que isto tenha limites, tolerância, paciência e humildade (acima de tudo esta) são sinais de inteligência (porventura os mais importantes). Só uma imbecil ideologia de hierarquia socio-cultural que faz de Portugal uma pequena coimbra de lentes magistrais, estudantes alcoolizados e povo servil e amacacado, continua a achar que má-educação e arrogância são saber.
Obrigado pela nota, até breve
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De jpt a 26.05.2008 às 09:48

Que são guerras que se apagaram com a última geração que inspirou os vapores do Quartier Latin, são (essa última geração foi a minha, já que o célebre casal Sartre-Beauvoir se apagou nos anos oitenta).
Quanto ao que resta de Sartre?_ bom, não são raros os artigos do pensar que, nos nossos jornais, ainda se lhe referem.

Abraço, uma que, lá em cima, respondeu por nostálgico instinto...

Publicado por: IO às fevereiro 5, 2005 10:02 PM
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De jpt a 26.05.2008 às 09:48

IO pois acredito. Confesso que lhe fugi na adolesc~encia, nunca voltei, e que por isso não o posso reconhecer no alhures (quotidiano?).

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