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Espanha

por jpt, em 15.03.04
1. Pouco sei da política espanhola, não me está no cerne das preocupações. Aqui de longe tenho apenas a vaga ideia, talvez errada, que Alfonso Guerra não estava no poder.Com alguma surpresa caíu o PP. Como português isso satisfaz-me e muito! O governo que caíu foi o que arrastou o petroleiro Prestige até Portugal. Acto indigno, cobarde, agressor. Dir-se-á que natural, para defender o seu próprio país? Nada é natural. Nesse caso o único natural que existiu foram os ventos e correntes que direccionaram o crude para Galiza após o naufrágio. Repito-me, foram miseráveis, cobardes e agressores.Cobardia que sublinharam na gestão de todo aquele caso. Relatos de então consideravam que teria sido possível minorar os efeitos da catástrofe desde que a sua inevitabilidade tivesse sido desde logo assumido. O transbordo em terra foi até defendido. Não sou especialista, não conheço o caso, mas lembro-me da ideia de um governo a procurar afastar o mal e não em tratá-lo.Sobre o inenarrável comportamento com a população da Galiza acho que foi tudo dito, até pela RTP. Lembro a negação oficial da existência de uma catástrofe ambiental e as imagens da costa ali mesmo. E a falta de recursos para o combate ao crude. Se bem me lembro até à visita do príncipe, umas semanas depois: o que prova ser a monarquia espanhola algo mais do que meramente simbólica. Ficou-me a ideia de um governo a procurar negar o mal e não em tratá-lo.Cobardes por fim nesta semana. Tivessem eles assumido a hipótese Al Qaeda, tivessem assumido a responsabilidade pelas opções políticas que consideraram correctas...mas assustaram-se, tremeram. E mentiram (para os compêndios da História a circular da ministra dos negócios estrangeiros).Pareceu um mau filme de Hollywood, desses militaristas. Os políticos que enviam os heróicos militares para a guerra e depois, ao primeiro embate, acobardam-se.Um merecido final.

 

2. Ao ver as manifestações, gigantescas, pus-me a pensar que se os terroristas tivessem uma racionalidade semelhante à nossa à visão de um povo tão unido contra eles teriam obrigatoriamente que concluir a derrota, o erro estratégico desta acção, desta tipologia de acção.

 

3. Ao ver um governo cair, quase certamente pelos efeitos do atentado não posso deixar de pensar o contrário. Para os bombistas a queda de um governo inimigo por via de um atentado é uma extraordinária vitória. Cuidemo-nos.

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publicado às 04:29


3 comentários

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De jpt a 01.07.2008 às 12:26

Aí (mesmo no #3) é que tu tocas na ferida caro amigo. A evidência de que um acto terrorista pode "manipular" os resultados democráticos de um país. Independentemente dos "prestiges", estes resultados, esta reviravolta de dois dias não podia ter acontecido.Que boa retribuição, que melhores consequências se podem dar a um atentado terrorista como este?
Receio que tudo aquilo possa ser considerado o maior sucesso terrorista: Larga-se uma bomba, matam-se uns quantos e faz-se cair um regime num estado democrático. Independentemente de tudo, desta vez, preferia a máxima do Lampedusa: "é preciso que algo aconteça para tudo ficar na mesma".

Quanto ao mais: continuo a deliciar-me com a tua escrita e a irritar-me com a tua acidez crítica.

Um abraço

Publicado por: Zé Francisco às março 15, 2004 05:24 AM
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De jpt a 01.07.2008 às 12:27

Li bem? Se calhar, não li. Só li (comentário anterior):"Larga-se uma bomba, matam-se uns quantos e faz-se cair um regime num estado democrático.". Meu Deus! Caiu um regime por efeito do voto? E eu a pensar que "num estado democrático" o mais que o voto conseguia era a alternância do poder (sai PP, entra PSOE; como antes tinha acontecido: sai PSOE, entra PP). Ou o "regime" em Espanha era o PP? Então o PP já estava acima do Rei! Abraço.

Publicado por: João às março 15, 2004 09:34 AM
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De jpt a 01.07.2008 às 12:27

Caro José Teixeira, como seria de esperar não posso estar de acordo com o célebre ponto 3 (que, aliás, não joga com os nateriores). O PP foi castigado não pelos terroristas mas porque mentiu (e como assinalaste bem, já havia mentido com o Prestige). E é bom que se mude de governo quando este faz da mentira um modo de governar. Aliás, julgo que o atentado, por si, só veio dar trunfos ao PP dado que se alargava campo à histeria securitária típica da Direita. O que aconteceu foi que o PP, em vez de comer com maneiras da bandeja oferecida pelos terroristas, resolveu fazer um banquete, meteu-se nos copos, apanhou uma congestão e teve direito a ressaca. Por favor, não metam mais louros nas cabeças do Bin Laden e dos etarras do que aqueles com que os esquerdalhos os enfeitam todos os dias e a todas as horas. Abraço.

Publicado por: João às março 15, 2004 09:47 AM
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