1. Pouco sei da política espanhola, não me está no cerne das preocupações. Aqui de longe tenho apenas a vaga ideia, talvez errada, que Alfonso Guerra não estava no poder.Com alguma surpresa caíu o PP. Como português isso satisfaz-me e muito! O governo que caíu foi o que arrastou o petroleiro Prestige até Portugal. Acto indigno, cobarde, agressor. Dir-se-á que natural, para defender o seu próprio país? Nada é natural. Nesse caso o único natural que existiu foram os ventos e correntes que direccionaram o crude para Galiza após o naufrágio. Repito-me, foram miseráveis, cobardes e agressores.Cobardia que sublinharam na gestão de todo aquele caso. Relatos de então consideravam que teria sido possível minorar os efeitos da catástrofe desde que a sua inevitabilidade tivesse sido desde logo assumido. O transbordo em terra foi até defendido. Não sou especialista, não conheço o caso, mas lembro-me da ideia de um governo a procurar afastar o mal e não em tratá-lo.Sobre o inenarrável comportamento com a população da Galiza acho que foi tudo dito, até pela RTP. Lembro a negação oficial da existência de uma catástrofe ambiental e as imagens da costa ali mesmo. E a falta de recursos para o combate ao crude. Se bem me lembro até à visita do príncipe, umas semanas depois: o que prova ser a monarquia espanhola algo mais do que meramente simbólica. Ficou-me a ideia de um governo a procurar negar o mal e não em tratá-lo.Cobardes por fim nesta semana. Tivessem eles assumido a hipótese Al Qaeda, tivessem assumido a responsabilidade pelas opções políticas que consideraram correctas...mas assustaram-se, tremeram. E mentiram (para os compêndios da História a circular da ministra dos negócios estrangeiros).Pareceu um mau filme de Hollywood, desses militaristas. Os políticos que enviam os heróicos militares para a guerra e depois, ao primeiro embate, acobardam-se.Um merecido final.
2. Ao ver as manifestações, gigantescas, pus-me a pensar que se os terroristas tivessem uma racionalidade semelhante à nossa à visão de um povo tão unido contra eles teriam obrigatoriamente que concluir a derrota, o erro estratégico desta acção, desta tipologia de acção.
3. Ao ver um governo cair, quase certamente pelos efeitos do atentado não posso deixar de pensar o contrário. Para os bombistas a queda de um governo inimigo por via de um atentado é uma extraordinária vitória. Cuidemo-nos.