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O perdão da dívida (e Portugal)

por jpt, em 12.06.05

O perdão da dívida a 18 países paupérrimos. Agora. Outros, faseados, se seguirão. Uma grande campanha internacional, uma grande iniciativa política. Não a resolução do problema da pobreza radical, mas também não mero paliativo. E também semi-corolário de um conjunto de dispositivos político-administrativos impostos e apoiados. Portanto não apenas dádiva.

Moçambique foi abrangido, por ser do clube dos mais pobres, triste título. Mas por ter realizado ou estar a realizar vários dos processos sugeridos e/ou impostos. Apesar do niilismo (exógeno mas às vezes também endógeno), esse que se recusa a ver coisas boas porque as há más.

[Recordo que no final do milénio passado, ainda no tempo do ministro das finanças Sousa Franco, Portugal perdoou grande parte da dívida moçambicana, acho que 82%, não estou certo. Um bom passo na altura. Mas nem isso conseguem estrategizar. Mais que não fosse isso.

Constato, nada surpreendido o relativo silêncio português sobre o assunto. Nada que tenha visto na imprensa nos últimos dias. Ontem na RTP o telejornal deu a notícia lá para o fim, apenas um pouco mais de tempo do que o desabamento de terras na China e o Harrods com produtos portugueses, o sal português como coqueluche agora, é assim que lá se olha o mundo. Sobre a questão nem um comentador, nem um comentário, nem um especialista, nem um político. Uma vergonha, este umbiguismo, este vazio.

Hoje nos jornais "de referência" portugueses nem uma chamada de primeira página. No bloguismo luso pouco pouco, que tenha visto (uma pequena parcela, que ele é já infinito, país que somos de bloguistas) apenas uma ou outra referência. E, perdoem-se-me os maus fígados, mais referências ao Sr. Blair, socialismo oblige, do que à verdadeira questão.

Esmorece o país no pequeno quotidiano. E quando, em bico-de-pés, espreita para além do muro ainda o faz apenas a alimentar as tricas internas. Nem cabotagem é, mera lagoa. Ou charco?

A ver vou o telejornal público. Será que acordaram, na ressaca do tintol e da sardinhada?]

adenda: a desradicalizar a coisa, que nos blogs se vai falando: The Serendipitous Cacophonies, o Golfinho (Bono, pois claro) entre decerto muitos outros. Não será um must, mas há gente atenta, bem haja.

publicado às 17:41


9 comentários

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De jpt a 15.06.2008 às 17:45

Ma-Schamba
« Che Guevara na Feira Popular | Entrada | O perdão da dívida (e algum Portugal) »

junho 12, 2005
O perdão da dívida (e Portugal)
O perdão da dívida a 18 países paupérrimos. Agora. Outros, faseados, se seguirão. Uma grande campanha internacional, uma grande iniciativa política. Não a resolução do problema da pobreza radical, mas também não mero paliativo. E também semi-corolário de um conjunto de dispositivos político-administrativos impostos e apoiados. Portanto não apenas dádiva.

Moçambique foi abrangido, por ser do clube dos mais pobres, triste título. Mas por ter realizado ou estar a realizar vários dos processos sugeridos e/ou impostos. Apesar do niilismo (exógeno mas às vezes também endógeno), esse que se recusa a ver coisas boas porque as há más.

[Recordo que no final do milénio passado, ainda no tempo do ministro das finanças Sousa Franco, Portugal perdoou grande parte da dívida moçambicana, acho que 82%, não estou certo. Um bom passo na altura. Mas nem isso conseguem estrategizar. Mais que não fosse isso.

Constato, nada surpreendido o relativo silêncio português sobre o assunto. Nada que tenha visto na imprensa nos últimos dias. Ontem na RTP o telejornal deu a notícia lá para o fim, apenas um pouco mais de tempo do que o desabamento de terras na China e o Harrods com produtos portugueses, o sal português como coqueluche agora, é assim que lá se olha o mundo. Sobre a questão nem um comentador, nem um comentário, nem um especialista, nem um político. Uma vergonha, este umbiguismo, este vazio.

Hoje nos jornais "de referência" portugueses nem uma chamada de primeira página. No bloguismo luso pouco pouco, que tenha visto (uma pequena parcela, que ele é já infinito, país que somos de bloguistas) apenas uma ou outra referência. E, perdoem-se-me os maus fígados, mais referências ao Sr. Blair, socialismo oblige, do que à verdadeira questão.

Esmorece o país no pequeno quotidiano. E quando, em bico-de-pés, espreita para além do muro ainda o faz apenas a alimentar as tricas internas. Nem cabotagem é, mera lagoa. Ou charco?

A ver vou o telejornal público. Será que acordaram, na ressaca do tintol e da sardinhada?]

adenda: a desradicalizar a coisa, que nos blogs se vai falando: The Serendipitous Cacophonies, o Golfinho (Bono, pois claro) entre decerto muitos outros. Não será um must, mas há gente atenta, bem haja.

Publicado por jpt às junho 12, 2005 08:46 PM

Comentários
Caro jpt, roubei isto do site da televisão pública:

""Estes 20 anos foram de grande crescimento, não só económico e social, mas também de aumento do peso político de Portugal no mundo", disse Freitas do Amaral à entrada de uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE), no Luxemburgo."

Com tanto peso acha que questões menores tenham que ter tratamento jornalístico ou o camandro???

A rapaziada dos blogs foi de fim-de-semana.
Os analistas da situação também.
Disseram-me, ao ouvido, que o Dias da Cunha também está a banhos.(Sorte a nossa).

Amanhã é outro dia e lá para as bandas de Lisboa é dia de descanso e de santo padroeiro.
Eu vou ali ver se me liberto do peso que - sem saber - carrego e que me estava a dar cabo do esqueleto.

Fique bem e dê cumprimentos ao Che.


Publicado por: jazevedo às junho 12, 2005 11:01 PM
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De jpt a 15.06.2008 às 17:46

Caro jpt, roubei isto do site da televisão pública:

""Estes 20 anos foram de grande crescimento, não só económico e social, mas também de aumento do peso político de Portugal no mundo", disse Freitas do Amaral à entrada de uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE), no Luxemburgo."

Com tanto peso acha que questões menores tenham que ter tratamento jornalístico ou o camandro???

A rapaziada dos blogs foi de fim-de-semana.
Os analistas da situação também.
Disseram-me, ao ouvido, que o Dias da Cunha também está a banhos.(Sorte a nossa).

Amanhã é outro dia e lá para as bandas de Lisboa é dia de descanso e de santo padroeiro.
Eu vou ali ver se me liberto do peso que - sem saber - carrego e que me estava a dar cabo do esqueleto.

Fique bem e dê cumprimentos ao Che.


Publicado por: jazevedo às junho 12, 2005 11:01 PM
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De jpt a 15.06.2008 às 17:46

não deixa de ter razão, acabo de largar a tv, a de áfrica, e lá estão os santos populares - nada como uma festarola, também concordo.

Publicado por: jpt às junho 13, 2005 12:03 AM
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De jpt a 15.06.2008 às 17:47

No meu blog foram escritos 3 posts sobre o assunto.

Um abraço.

Publicado por: Golfinho às junho 13, 2005 12:10 AM
http://golfinhu2.weblog.com.pt/
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De jpt a 15.06.2008 às 17:47

é o que eu digo, isto está infinito, se se começar no A quando chego eu ao G? Abraço, até aí

Publicado por: jpt às junho 13, 2005 12:31 AM
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De jpt a 15.06.2008 às 17:48

Pessoalmente, acho isto uma grandessissima hipocrisia de Bono e Cª Lda. (são os últimos 3 posts que me refiro, não os 1ºs que são copy paste) na sua propraganda para prémio nobel da paz e putativa campanha para secretário-geral da ONU.

O problema em Àfrica é a mentalidade. Melhor, falta de mentalidade democrática e a corrupção.

Ao perdoarem essa dívida e ao darem a possibilidade de os países gastarem esse dinheiro em saúde, vão enriquecer ainda mais os líderes corruptos dos países africanos à excepção da àfrica do sul.

Nós, europeus e americanos enviamos para lá retrovírus e preservativos a custo zero e esses srs. poe-nos à venda a prewços superiores ao salário mínimo de um africano.

Mais, é hipocrisia de Bono vir à sua europa defender o livre comércio. Uma Europa que se tornou uma forteleza. Uma Europa que alimenta os seus agricultores com chorudos ordenados e que impede assim as exportações dos produtos africanos! estou a falar da PAC. A Europa e América nunca vão abdicar dos seus interesses em deterimento do continente africano.

Veja-se o que se passou relativamente aos têxteis chineses.

Tem que haver é um grande investimento na cultura e educação daquele Povo, "ensinha-les a pescar", ensinar os caminhos para o crescimento económico sustentado, para que criem uma comunidade africana económica onde vendam entre si os seus produtos.

Mais hipócrita é Bono quando é o cabeça de uma organização, a make proverty, cujas pulseiras foram fabricadas na China por mão de obra infantil.

Publicado por: Golfinho às junho 13, 2005 12:48 AM
http://golfinhu2.weblog.com.pt/
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De jpt a 15.06.2008 às 17:48

Não sou fã do Bono nem dos U2 nem de coisa que o valha.
Também não sou analista político nem para lá caminho.
Não vejo o Bono, que tem nome, como secretário-geral da ONU.
Não vejo, pelo menos em Portugal, agricultores com chorudos ordenados alimentados pela PAC.
Não vejo, com toda esta carga repressiva, porque não se devam impôr restrições, na Europa, à entrada dos texteis chineses.
De forma continuada vira-se a cara ao que devia estar feito e não está.(por culpa de quem todos sabemos).
Essa da cana de pesca não se adapta aos tempos de hoje.
Em países cujas condições de saúde pública são um atentado às suas populações vir falar em retrovirus e preservativos só pode ser querer tapar o sol com a peneira. É o tal virar a cara e discutir o sexo dos anjos.
É o que eu penso, desculpem lá mas eu sou assim.

Publicado por: jazevedo às junho 13, 2005 06:04 PM
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De jpt a 15.06.2008 às 17:48

Jazevedo,

infelizmente, essa é a realidade.

Publicado por: Golfinho às junho 13, 2005 09:10 PM
http://golfinhu2.weblog.com.pt/
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De jpt a 15.06.2008 às 17:49

Golfinho nao me parece muito fundamentada essa argumentacao. Ha mais de uma decada que ha uma politica imposta e induzida de transformacao dos Estados, da governacao, da economia e da sociedade. Chamemos-lhe, na linguagem facil, de liberalizacao. Pode-se ou nao discordar, mas tem sido realizada com grande afinco, no sentido de mudar estrutura social e procedimentos institucionais. Foi perfeita face aos seus objectivos? Nao. (nao discuto se é em si mesma positiva ou perfeita)
Agora vir dizer que isto é apenas uma dádiva é um erro, um erro de informacao. É muito interessante, tenho lido em alguns blogs mais à direita, mais liberais, as maiores oposicoes a esta medida, vindo do nada, apenas para ajudar ditadores etc e tal. sem perceberem (sem saberem, alias) que vem no seguimento (nao é um corolário, mas é um seguimento) de um longo processo de transformacao socioeconmoico liberalizante, sob desenho ocidental. Como quase sempre falam de cor, no seio dsa pobrezitas ideologiazinhas de manual e pesquisa na internet. Meros preconceitos. E muita basófia.
Quanto ao Nobel da Paz nao sabia, golfinho,que o bono andava atras. Ate acredito. Mas enfim, cada um como cada qual. Agora acredito que esta campanha é positiva. abraco

Publicado por: jpt às junho 14, 2005 12:03 PM

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