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"…cheguei a um acordo perfeito com o mundo: em troca do seu barulho dou-lhe o meu silêncio…" (R. Nassar)
[Com dedicatória especial para alguns comentadores e, em particular, para alguns correspondentes d' aquém e além-mar]
Um blog é óptimo. Não se publicita: não anuncia na tv, no email, não tem folhetos na caixa de correio, não tem miúdos nos semáforos. Não se vende, não se intromete. Existe, passa de boca em boca, de "links" em "links" (eu prefiro "elos"), de referência em referência. E tal como se acede logo se sai. Não magoa, não vicia. Quem quer regressa, quem não quer vai.
Talvez uma utopia comunicacional (ainda que eu desconfie de utopias). Pelo menos por enquanto - o episódio do encerramento e apagamento de blogs pela Globo brasileira talvez indicie futuros constrangimentos.Um blog é gratuito. Entenda-se, grátis e inútil. Magnífica inutilidade.
Há blogs com agenda. Entenda-se, blogs especializados. Humorísticos, artísticos, políticos, literários, de auto-edição, de divulgação científica. Etc. E há blogs com agenda. Entenda-se, blogs com mensagem. Que querem veicular um corpo mais ou menos sistémico de opiniões (mesmo que colectivas).
Óptimo e legítimo. Concorde-se ou não com o conteúdo, goste-se ou não da forma. Porque liberdade. E há blogs sem agenda. Óptimo e legítimo. Concorde-se ou não com o conteúdo, goste-se ou não da forma. Porque liberdade.
O Ma-schamba é um diário. Não intimista, mas é um diário. É radicalmente inútil. Tem as minhas opiniões. Pobres ou não, não volte ou volte. Tem as minhas sensações. Pobres ou não, não volte ou volte. Tem o meu quotidiano. Pobre ou não, não volte ou volte. Mas não tem qualquer agenda, não há sistema, não há temática. Fosse eu melhor talvez tivesse, reconheço-lhe e reconheço-me essa incapacidade.
O Ma-schamba é a minha casa. Há gelo e bebidas, refresco também, amendoim e talvez castanha, às vezes um empadão de restos mas bem feito, e até mesmo um camarãozito. Pode-se mandar vir uma pizza ou galinha take-away.
Se gosta de ouvir a conversa fique e volte. Se ao regressar trouxer uns comes e bebes, como as pessoas de bem, óptimo. Mas se não venha na mesma, talvez desvalido ainda que asseado sff. Põe-se mais água na sopa: "água e sal", se mais não houver.
Se fica para ouvir, belo. Se quiser conversar fantástico. Apoie ou critique, resmungue, some, subtraia, divida, multiplique. Porque liberdade. Ponha texto, ponha foto. Ponha comentário. Ponha email.
Mas não venha cá para me dizer que não posso falar disto ou daquilo!
Que não posso falar de Moçambique porque não sou moçambicano, que não tenho legitimidade para tal, que sou tuga e que não percebo nada disto. Porque liberdade, porque o real não é pertença de ninguém.
Que não posso falar de Portugal porque vivo em Moçambique, e devo mostar algo a quem cá não está, memorialista de memórias alheias, guia de turistas falidos. Porque liberdade, porque o real não é pertença de ninguém.
O Ma-schamba é a minha casa. Não venha cá para me dizer que devo falar disto ou daquilo, que não devo falar disto ou daquilo. Se é para isso ponha-se no olho da rua!