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25 de Abril

por jpt, em 17.04.04

"No 25 de Abril de 74 estava eu bem lançado para fazer a 4ª classe. Algo distante das questões políticas, apesar de lá em casa se falar de um tal Karl May que não era o que escrevia os meus livros de cóbois. Gostei muito da tal revolução, não houve aulas nesse dia, a minha irmã, já jovem mãe, estava esfuziante, acordou-me tarde, quase às 9 horas a dizer "hoje não há aulas, há uma revolução" e devia ser importante pois ainda me lembro dela a dizê-lo, o cunhado ainda em Serpa Pinto na santa guerra, de onde ela tinha regressado para parir a Patrícia, magnífica mas só depois o soubemos. Os manos já eram marinheiros, não sei onde andavam, o João depois contou que ainda foi arriar a bandeira em São Tomé, e então era mesmo o fim daquele império, e esquerdas deles à parte chorou quando a bandeira desceu, e eu não sei se acredite ou não porque ele é assim como eu, um bocado tanguista, mas eu gostava muito que tivesse sido assim, ficava-lhe muito bem a ele e à família. E os pais estavam em Londres num congresso daqueles do pai da engenharia, à espera de voltarem, contentíssimos, a velha Avó acho que sem perceber nada mas lembro-a a dar palmadinhas no ombro do pai quando este chegou, acho que nunca mais o vi chorar, nem quando ela morreu. A rapaziada a comemorar sem entender aquilo, mas a ribombar a felicidade lá das casas, enquanto a futebolada inesperada era cortada pelos peões de transístor (lembram-se?) no ouvido que ia dizendo novas sobre uns tipos que eram Faxistas, e depois que o Marcelo se rendeu, e os Mesquitas do prédio ao lado, que jogavam bem à bola, sem estarem muito contentes (talvez os pais não estivessem) e passaram logo a Faxistas, coitados."

- Está bem menino, mas diz lá, o 25 de Abril foi Revolução? Ou Evolução?

- Não sei, senhor. Para mim o 25 de Abril foi o meu pai António.

(roubado ao Bota Acima)

publicado às 21:38


2 comentários

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De Diogo Magaia a 28.04.2012 às 11:11

Boa recordação, 25 Abril de 1974, era adido no Quartel de Montijo aguardando embarque para a minha primeira missão no "Ultramar". Foi uma grande festa no quartel, cada soldado com o seu motivo, os ultramarinos (militares oriundos das ex-colónias portuguesa), aproximação da libertação dos seus países da colonização portuguesa, enquanto os metropolitanos era o fim de missões de guerra contra os "turras" no ultramar e o fim da P.I.D.E.
Para quem viveu o periodo saslazarista é uma revolução.
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[...] oito anos houve uma corrente bloguista sobre a data: escrevi este 25 de Abril. Que acaba com o “Para mim o 25 de Abril foi o meu pai António…“. Estava ele em [...]

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