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por jpt, em 02.02.07
Civilização. Regressei ontem a Maputo (exausto de conduzir, coisa da idade). Hoje de manhã, primeiro café entre-colegas. Explicam-me, com detalhes, a vida política portuguesa do último mês - presumem-me interessado? ou sou motivo para ecoar a tvsatélite? Aquecem na discussão de um referendo, levam-me até a um mal-intencionado "mas vs. votam?" lá nas coisas da minha terra. "De conservador a reaccionário" é o diagnóstico que fazem ao meu percurso, implacáveis. Talvez, mas não gosto de referendos (não saíram já as pessoas de casa para votar nuns tipos para seus delegados?). Talvez, mas não gosto de referendos (onde posso eu votar, se emigrado? no consulado-geral?).

Mas mesmo assim votaria (onde, se emigrado? no consulado-geral? - pantomina de democracia gerada por prestigiados constitucionalistas, nunca esquecer, vetando o voto da "direita" emigrada, desonestidade que nenhuma toga ou Prémio apagaria se a gente tivesse memória). Votaria num referendo sobre civilização, num referendo sobre Eutanásia. Sim claro. Mas os moribundos não votam, os moribundos não são "gender", não gritam, dengosos, "o direito ao meu corpo". E não revigoram o saudoso movimento nacional feminino gritando o "direito à vida" das ruínas cancerosas e gemebundas que grassam nos hospícios do sadismo imbecil.

Regressei a Maputo, os amigos falam-me do meu país. Bárbaro, de modas idolátricas, num entre cristandade e europeísmo pacóvios. Sonhava-o de civilização. Discutindo a ética da morte. A vida.

Mas por lá hão-de crescer. Se "deus" quiser ...

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publicado às 11:20


4 comentários

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De Zé a 02.02.2007 às 18:02

Não, engano teu: ainda não regressaste. Vens ainda demasiado vestido do fundamental, e assim, dessa visão a cru, como podes tu entender os solilóquios do teu país? o espírito chega depois do corpo Zé, e o teu, (tua sorte), aparentemente, pela crueza e bravura com que aqui o deixas, ainda não chegou.
Estou como tu. Sobre estes paquidermes da 'democracia', esta espécie de vernissage da moral, este jet-set da consciência onde cada um tem agora a oportunidade para mostrar as entranhas maquilhadas, aperaltadas ... porra para isto tudo mais o "esta barriga é minha" e o "direito á vida" e o raio que os parta a todos, que estou como tu ... importante não é discutir a vida, mas sim decidi-la, cá dentro

(desculpa lá o abuso. mas foste tu que começaste. já tinha saudades tuas pá. assim)
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De blue a 04.02.2007 às 12:26

triste o meu pais, feira de vaidades, onde os representantes do povo precisam de se escudar num referendo para decidir
onde ditadores concorrem com poetas, ao sabor da quantidade de dinheiro gasta em publicidade poluta e demagógica
país onde a responsabilidade e os deveres cabem só a alguns
triste o meu país onde quem pode enche cartazes de demagogias várias arvorando-se do direito de julgar o outro
triste o meu país onde tantos homens acham que as mulheres encararão o aborto como método contraceptivo, a usar em quantidade ilimitada, como se as mulheres fossem abortar como quem bebe um copo de água
trite o meu país onde tal decisão continua nas mãos de quem vota no big brother, nos ídolos, ou nos grandes portugueses
triste, triste...
jpt, há dias assim. sê bem-regressado!
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De Núncio a 04.02.2007 às 21:05

Porque voto NÃO: 11 razões para dia 11.

http://odivademaquiavel.blogspot.com/2007/02/425-porque-voto-no.html
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De Anonymous a 04.02.2007 às 23:34

Deveriamos referendar o país. E pensar que 1/3 do meu ordenado destina-se a estes folclores.
DS

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