Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




As Estradas do Niassa

por jpt, em 30.04.04

Entre Congerenge e Mandimba são 40 kms a subir via oeste, todos entre milho, mato e tabaco, tendo pela frente, intrometidas no caminho para o sol, essas montanhas Malawi. Mas se se estiver a fugir do norte, rumo a oeste também, é ainda mais bela a rota, coisas de descer para as montanhas. Venha-se de onde vier é sempre má a estrada, boa para cautelas e vagares, os quais vão demorando o entranhar desse horizonte azul acastanhado. Convém viajar cansado, pois ali quanto maior for a exaustão mais cada um vai acreditando nos seus deuses, se os tiver, ou pelo menos na felicidade, se daqueles estiver privado. Como se algo fosse existir lá em Mandimba.

 

Mas não, talvez alguns ídolos quanto muito. Água nos canos, a surpresa por a haver onde é, e electricidade. Abençoada, que ainda refresca as cervejas, e que vai deixando a roufenha discoteca a céu aberto, as ténues luzes chamando milhentos mosquitos, "pagas uma bebida, tio?", putas de fronteira neste ermo, "claro, mana", "pagas também à minha prima?", "vá lá, uma rodada", Castles que são aqui um elixir de velhice, meninas pesadas, tão cansadas já andam elas nestas noites, "vieste viver aqui, tio?", e eu envelhecendo com elas, "vá lá, bebe a cerveja", até que algum assimilado venha dizer para não incomodarem o senhor doutor, que raio sempre são putas de ermo, sem ver que já são fronteiras do meu carinho. "Que andamos a fazer às sobrinhas?" pergunto a um velho chefe de aldeia, e ele a lamentar-se, essas mulheres que não respeitam os ensinamentos, fogem da machamba, vão-se vender nos mercados, os homens que compram, e todos aceitam, "é a democracia", conclui desiludido. "Não será a machamba?", não lho pergunto eu, ou não será tudo a mesma coisa?, respondo-me agora que já ouvi esses jovens, secos, "os nossos estudos acabam no capim!".

 

Num coito da estrada um colega gringo, quatro anos bem mais a sul em programas de luta contra a doença, resmungando que é uma batalha perdida, que ninguém se protege, são os velhos hábitos e a pobreza, e agora tudo isso reforçado pelo brotar destas igrejas cristãs, elas próprias crescendo também pelo pavor da praga, uma nova morte toda-poderosa, pastores pastoreando contra o fumo, o álcool e as camisinhas, o pacote de pecados. Nem interessa se as estatísticas são exactas ou exageradas, seja como for passeamo-nos por aqui dizendo-nos a desenvolver este mundo, por ora feito de mortos-vivos. É ele mesmo que fala, não o alcool da desilusão, uma mera coca-cola na mão, nega que qualquer campanha valha como prevenção, nada disso está a funcionar e, súbito, desgringa-se todo, que o que resta fazer é distribuir esses novos medicamentos por toda África, é a única forma de aguentar isto até se chegar à cura. "E há dinheiro?", provoca o cínico, e ele de filho-da-puta para cima sobre os gajos do Banco Mundial, a insistirem na prevenção porque isso dos medicamentos lhes sairia caro, mesmo que os indianos se ofereçam para os fazer três vezes mais baratos do que as nossas (dele) indústrias. "Caro?, tanto como uma guerrazinha no Afeganistão", vai acabando ele e o nosso tempo. Que tenha cuidado, se continua com este tralálá ainda o expulsam lá do midwest dele.

 

Quero surpreendê-lo com novidades aqui do Niassa sobre o assunto, onde a população crê que a doença se apanha mesmo é através das camisinhas, vem nesse líquido que as lubrifica. Bem racional é esta visão, o empirismo do agricultor, pois se antes delas chegarem não havia doença como não lhes atribuir a praga? Encolhe os ombros, lá mais a sul também há a mesma crença, e todos as evitam. O que fazer?, ele vai pagando os novos medicamentos, caros de mil dolares/ano, a dois amigos moçambicanos, outros colegas dele também o fazem: antes as más consciências tinham o seu pobrezinho privativo, agora passaremos a ter o nosso doentezito só nosso. Mas poderemos fazer algo mais do que trocar alguns anos de vida alheia pelo lugar num céu qualquer?

 

Avanço, saio da terra batida nacional e logo, logo, começam os verdadeiros problemas, como andar por aqui? No Maputo todos, changanas ou expatriados, aconselham cuidados vários com as doenças do Niassa, evitar a água, fugir aos pântanos e rios, às noites e canaviais, que trazem malárias e bilharziose, e outras maleitas. Mas quem assim avisa terá por aqui passado?, como seguir os conselhos se de imediato nos atolamos, e este ano ainda mal começou a chover? E são horas dentro de pântanos, riachos, da lama, e todos a empurrar, sorte que sempre vai chegando o povo, e assim se juntam as dezenas de homens necessários para que se possa avançar mais um pouco, gente tão isolada que ainda de ajuda fácil. Por aqui não há carros a passar, não é apenas o estado das estradas que o diz, são mesmo os condutores, é óbvio que não andam por aqui, tão desabituados que atolam em sítios onde nem mesmo eu me ficaria.

 

Numa aldeia peço água para lavar toda esta lama. Acorre o intérprete "não vá ao poço", e eu ofendido "claro que não", "achas que sou parvo ou quê?", mas isso já não lho digo. Que raio de ideia, um estranho a ir para o poço local é mesmo pedir problemas. Mas logo ele se desculpa. Que o ano passado por aqui houve uma epidemia de cólera, "sim, eu sei, foi terrível". E claro, logo vieram os prestáveis socorristas, prontos a sensibilizar a população para cuidados variados. Então, ali em Marrupa, um patrício meu, "decerto cooperante", resmungarei, se de ong se de Estado não sabiam, mal chegou onde os aldeões morriam de borrados correu a fotografar o poço, para pôr no relatório ou mostrar à mulherzinha nunca saberei. Claro está que, envenenador, foi bem batido, directo para o hospital. Mas quem manda estes idiotas?

 

Paro, devagar, numa aldeia Yao, coisas de antropólogo e dos seus velhos livros, lembrando um tipo que andou por aqui há muito tempo a ver e a escrever bem, esse Clyde Mitchell. E há bem menos anos também passaram uns evangelistas ambulantes a projectar filmes sobre a bíblia, como se a imagem em movimento fosse mais forte que o islão local. Enquanto os meus parceiros tratam dos seus afazeres encosto a uma sombra, logo rodeado de dezenas de crianças como por aqui sempre acontece, curiosos que a gente da minha cor não tem aparecido. Olhos bem abertos vão eles murmurando e, de repente, sai uma gargalhada entre os meus acompanhantes, "que foi?", pergunto, e eles com sorrisos do tamanho do mundo a dizerem-me que ali julgam que pareço "iesso", "o quê?", que os miúdos me acham igual a Jesus. Nem preciso do espelho para saber que o meu riso de ateu sai estúpido de ternura.

 

Se já a cidadezinha é recôndita o que não dizer destas perdidas aldeias, tudo isto longe do mundo que mexe, dos seus andares e conflitos, este um outro mundo parecendo desprovido de informação e saberes. Em cada sítio logo visito os pobres mercados, o piscar do olho à economia local, a sentir como se é por ali. Por todo o lado à minha passagem raros são os apelos ao negócio que pouco há para vender, e sempre me seguem os mesmos rumores, a mesma ironia espantando o espanto da minha presença, e a qual deixo correr nas minhas costas, o que dizer? Só na noite me confrontam ostensivamente com ela, entrando em casa soa no escuro o grito provocador: "Bin Laden, Áfinal,... você está aqui!?". A globalização?

 

Uma sede administrativa, mais de trinta casas de alvenaria, quase todas abandonadas porque propriedade dos Caminhos de Ferro de Moçambique, que prefere arruiná-las a cedê-las. Uma delas é a cantina, vazia, de Saíde Jonasse, avantajado machambeiro em região de gente esquálida, mais gordo até do que eu, um barbudo muçulmano de olho em todos estes meticais que me dou ao trabalho de transportar. Entro para almoçar, pôs-nos a melhor toalha, um plástico com uma fotomontagem berrante de colorida. Encimada pelo horizonte de Manhattan está uma praia tropical, coral e palmeiras, uma estranheza made in Japan, "calamidade" decerto, e da qual desconhece o conteúdo. Divertido, pelo absurdo do estampado, e por ver o ignorante orgulho com que me põe a rija galinha sobre as falecidas "Torres Gémeas", digo-lho e sai em alvoroço, lá na cidade já tinha ouvido falar do assunto. Ainda duvida, mas depois pede-me uma fotografia, não lha posso negar, sentado, o cotovelo pousado no coral tropical, a mão nas torres que já não o são.

 

A galinha do dia seguinte já a como no tampo de madeira.

 

O Chitengue, breve afluente do Lugenda, uma pequena picada que o bordeja, estreito caminho de andarilho ou, quanto muito, de bicicleta. Entre o canavial e o bananal um sol de tarde moribunda inunda o amarelo dos frutos enquanto faísca nos charcos. No caminho, barrada pelo carro, surge uma muito bela mulher, chapéu de sol arco-íris como é aqui usual, capulanas garridas ocres e amarelas. Não resisto a roubar-lhe a beleza exótica, todas aquelas cores enroladas em bananas luzidias, mas mal abro a porta logo ela foge, corre desabrida até que a percamos de vista, aos gritos "é a morte, é a morte!!", traduzem rindo os meus companheiros. Serei assim tão feio? que espelho fui aqui encontrar, do físico ou da alma não me apercebi. Um pouco à frente encontramo-la já acompanhada por um homem, e todos a sossegam, desfaço-me em desculpas. Aí, diante dos elogios à sua beldade, digna-se a pousar agora fazendo-se sedutora e eu, nu de tontos pruridos, saio contente com o estereótipo apanhado, como se meu antepassado fosse.

 

Marchamos para a aldeia Namicoyo, ladeando um riacho, o capim abraçando a picada, e como sempre que se trata de andar vou ficando para trás. Lá à frente, escondidos por uma curva, os meus acompanhantes cruzam um grupo vindo das machambas, percebo-o pelos inúmeros "salaama" que se trocam. Quando avisto o velho que marcha à frente da sua gente saúdo-o, mas ele estanca sem aceitar este meu "salaama", que "aqui não há salaama", e eu sem perceber, "aqui há fome, ouviu", diz-me em português, "agora há fome!". Eu, institivamente, abro os braços algo aparvalhado pela investida, como que reclamando a minha inocência, desculpando-me da fome, tal como se tivesse quaisquer divinos poderes sobre essa chuva que chegou meio tarde para o milho, e ele insiste, "há fome, vá dizer isso", e eu a ver-me, estúpido, de braços e olhos abertos. Nem lho respondo, mas que tenho eu a ver com o clima?, o "fazedor de chuva" quanto muito é ele ou o seu chefe, nunca eu. Dá-me as costas, e lá vai com a família, deixando-me a resmungar a minha óbvia impotência, mas que raio, maior do que a dele.

 

Nas estradas campos e campos de tabaco, é aqui que se faz o que me vai matando. Para obterem um pouco de dinheiro os camponeses cultivam-no e descuram o milho, que o trabalho não é elástico e tem limite. Depois, lá mais para a frente, logo antes da época da colheita, gastam esse pouco dinheiro para comprarem, então bem caro, o milho que precisam para comer. Custa gerir o equilíbrio das culturas, o das reservas e ainda mais o das expectativas. Ah, e é aqui impossível gerir o equilíbrio dos preços pagos pelas companhias, ditados por uns tais de mercados mundiais. Enfim, lá vão eles, quase sempre a perder, dir-se-ia, se não parecesse cinismo.

 

Portanto há que organizar e trabalhar melhor, e para isso lá se chamam os tipos do Desenvolvimento, e eis-me aqui aos dolares. Hoje acompanho um regente agrícola, gente do sul, estudos no estrangeiro, saberes complexos. Jovem ainda, barriguinha quase tanta como a minha, mas um rabo maior, assim sendo um S de cintura mais vincado que o meu. Caminhamos uma manhã pelas machambas a par dos seus cultivadores. Contente, frenético, vai protestando com a falta de qualidade das culturas, o mau trabalho, a fita métrica saindo-lhe amíude do bolso de trás, quase tão rápida como as suas palavras, medindo a incorrecta separação entre as plantas, invectivando a uma melhor organização, e os camponeses sempre aceitando as suas opiniões, ele sorridente, rápido, pedagógico, o seu S mexendo-se mais rápido do que todos nós.

 

Simpático, partilhamos um cigarro, enquanto lamenta a incapacidade dos camponeses, que este sistema não funciona, nem conseguem articular as produções nem aumentar a produtividade. E para isso é necessário investir, resumindo, há que privatizar a terra para que haja investimento, crescimento. Ainda lhe pergunto se esta gente terá capacidade de o fazer e de o gerir, e ele sorri, veterano já, "Nada, estes não conseguem", e enquanto eu procuro saber o que lhes acontecerá nesses privatizados dias, logo feitos os sem-terra daqui, ele nada diz pois já partiu, a fita métrica de novo aberta entre o feijão-boer, provando numérica e metricamente o erro feito por este homem, o qual com ele vai concordando, acenando a sua anuência, em outra língua é certo: ali, face às colinas, lembro-me da velha expressão "tá bem, abelha!", mas como traduzi-la se nem eu mesmo a compreendo bem.

 

Por falar em Desenvolvimento alguém passou por Mezito e ofereceu uma moageira a um outro alguém a quem chamou "comunidade". Entretanto houve alguns problemas e a aldeia decidiu afastar os dois moleiros. Fez-se reunião da população e indignados ficaram os acusados, ainda para mais porque o guarda não seria despedido. E do afastamento deste seu colega não prescindiam, como se a vergonha do castigo fosse maior se não fosse este universal. Mas não foi esse o entendimento colectivo e, vingativo, logo ali um moleiro ameaçou publicamente o guarda de que "não passas deste ano, hás-de morrer em breve".

 

Mas João Bitong não se cuidou do feitiço, ficou no seu posto, que ainda lhe rende algum e será menos pesado do que o dia-a-dia de machamba, e desta se ocuparia a sua mulher. Pois em breve, no regresso a casa, foi atacado por bicho estranho, ouvi dizer que leão-homem, mas ele nega, era antes uma mistura de leopardo e lobo, este último animal por aqui inexistente. Sorte dele, conseguiu lutar com esta fera encomendada e fugir-lhe para a sua aldeia, mas agora desfeado já sem nariz e boca, tal como o vim encontrar meses depois. Grave a situação, logo sete homens o transportaram até ao régulo, de onde seguiu para o hospital onde ficaria vários meses, entre vida e morte. Mas logo nessa noite o bicho, vingativo, assaltou e feriu todos esses sete homens, só sendo apanhado quando sorrateiro penetrava em casa do chefe, aí sendo morto pela população e logo queimado.

 

Vou falar com Bitong e os outros, que me contam a história, pormenores lancinantes de terror e sofrimento. Fotografo as feridas, ouço os vários intervenientes, como negar a homologia das versões? Prova provada do feitiço, não chega a observação? Ou arvorar o racionalismo contra a empiria? E então regresso, detectivesco, ao moleiro "o que lhe aconteceu"? Pois foi decidido nada fazer, esperar o regresso de Bitong, meses lá na distante Lichinga, sarando uma cara agora irreconhecível. Mas no entretanto alguém, não se sabe quem, não se conteve em vingar a beleza e saúde de sinistrado, e logo o dito moleiro morreu na machamba, ele a desmatar e de uma árvore que abatia caiu-lhe na cabeça um forte ramo, fulminando-o. Espantoso, por aqui nunca nada de semelhante tinha acontecido, nunca se tinha ouvido. Fico-me com esta prova de feitiço, para mim chega, para lá da teoria.

 

Mas também me hei-de lembrar, que raio de projecto de desenvolvimento que no seu mau desenho criou um monstro, provocando mortos e feridos entre quem tanto queria ajudar. Metáfora?

 

Passo pelas aldeias, peço para falar, marca-se o dia e a hora, hei-de regressar sempre atrasado, devido às conversas arrastadas e às tais estradas que demoram. Mas as gentes esperam, esperam, prontos para falar, para assistir ao meu rápido voo para depois ir dizer como se organizam eles. Certo que estão prontos para dizer o que querem dizer, e lá vamos para o jogo de os levar a dizer o pouco mais, xadrez puro. Mas jogando com quem esperou horas, paciência de agricultor, apenas para falar comigo.

 

Por vezes sou esperado por dezenas de pessoas, como se entrevistam 150 pessoas todas juntas, à espera de uma "brigada" do qual sou brigadeiro e soldado? Não há dúvida, escondido por esta cor, engano à chegada, criam-se expectativas, quantas vezes não esperam que apenas venha perguntar, mas sim que chegue com instruções, benesses, convocatórias para trabalho ou, mais do que tudo, distribuir as sementes que faltam, que faltam sementes aos agricultores. Sinto-me não um investigador, mas mais um desiludidor. Enfim, não há dúvida que para estes trabalhos é fácil ser antropólogo em África, eles esperam. Mas homem, ser homem, é fodido.

 

Lá mais para a cidade outros falam, os das actuais ou antigas administrações, alguns transitados para as ongs ou empresas, outros nos seus negócios, gente arrastada para aqui e que ficou, por escolha e mulheres, vinte anos e mais numa terra onde se sentem livres e em casa. Parvo, pergunto a um manhambane "o que faz você tão longe da sua terra?", e levo por medida grande, "ora, bolas, e você?", e calo-me rindo. São estes que contam histórias mais antigas, de quando tinham sido jovens, tempos em que chegavam cheios os aviões e camiões, largando as pessoas nas empresas agrícolas, nas aldeias, porque por alguma razão decididas como improdutivas, e toca a transformar esses citadinos em machambeiros, custe o que custar. Mas às vezes, porque não havia sítio planeado para os deixar, ou apenas por fastio, deixavam-nos no meio do mato, grupos de gente lá da cidade, perdidos, depois desaparecidos sem rasto, "pasto de leões". "Porque não contam essas histórias?", digo, entre goles, "para quê?, ninguém quer ouvi-las...", abandonam-nas eles.

 

E bebemos mais um whisky, bebamo-lo, que chega de neo-realismo.

 

Março, 2002

publicado às 12:00


1 comentário

Sem imagem de perfil

De Mandimba, distrito no Niassa | ma-schamba a 31.10.2012 às 03:42

[...] Há já dez anos fui pela primeira vez ao Niassa. Dessas três semanas já deixei memória aqui, no texto “As estradas do Niassa”. [...]

comentar postal



Bloguistas




Tags

Todos os Assuntos