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Eduardo Mondlane University

por jpt, em 19.01.09

uem.jpg

[main campus]

A vertigem da ascensão social é quase-universal. Nisso há estratégias de distinção sociológica irritantes, outras são meramente ridículas. As linguísticas são sempre destas últimas (no espectro luso vai das velhas "vacanças" dos imigrantes analfabetos à actual "deslocalização" dos netos de malteses agora licenciados, em universidades privadas claro). E por cá muito típicas de algum academismo, sempre lesto na assimilação à anglofonia (onde não?). E muito sublinhadas, mas não exclusivas, no "pidgin english" dos actuais operários das comunicações (hoje ditos "informáticos").

A fotografia, qual ensaio de sociologia francesa, tudo diz: a "casa do telégrafo" da UEM, assim ornamentada.

That's all, folks!

(foto em telefone Samsung, entretanto falecido)

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publicado às 19:27


5 comentários

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De Manoel Carlos a 21.01.2009 às 13:46

No Brasil dói a submissão ligüística, o paroxismo anglicista reflete a submissão maior. Uma demonstração foi a forma provinciana e colonizada como todos meios de comunicação brasileiros acompanharam os bastidores de posse de Obama.
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De Helena a 22.01.2009 às 09:04

Eu, emigrante há vinte anos, protesto.
Se me faltam as palavras em português, não é porque me queira armar em "ascendida", mas porque não tenho palavras para exprimir fenómenos que não conheci em Portugal (e vice-versa: saudade permanece saudade, Angst permanece Angst), ou porque a falta de uso do português na vida diária me atrofia o léxico.
Não me chamem ridícula, que me dá um amok... ;-)
"Vacanças" é um óptimo exemplo: que nome dar a isso que os desgraçados que fugiram à miséria da vida rural nunca conheceram no seu país, nem sabiam que existia? E se "casa" é o nome de um casebre tosco, como não chamar "maison" ao sonho do que se quer construir?
Enquanto tradutora de software tive imensos problemas com a definição de terminologia, porque ela era pré-estabelecida à pressa por jovens informáticos menos preocupados com a pureza da língua que com a efectividade da comunicação. Se eu me recusava a escrever que o software x suporta a impressora y, eles argumentavam que qualquer outra expressão vai parecer uma coisa de "muggles".
E se eu agora digo "muggles" em vez de "não-iniciados", "ignorantes da área", etc.: também estou a ser ridícula?
"Escanear", por exemplo. Horrível, não é? Que nome dar a essa acção de meter um papel no scanner e criar um ficheiro digitalizado? Digitalizar não é correcto, porque há muitas outras formas de digitalizar algo. "Digitalizar com scanner"? "Scanner"?!...
Enfim...

A essa casa do telégrafo não atiro eu pedras. Quem, como eu, já gastou horas a conversar com a família sobre o nome certo a dar a um supermercado de aldeia que pouco maior era que a venda nas traseiras do café do vizinho...
(Ficou supermercado Alvorada, porque o nome tinha um dinamismo especial, blablabla.)
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De jpt a 22.01.2009 às 22:26

MC a obamização enjoou. Mas deu-me o prazer de ver a esquerda europeia (pelo menos a luso-bloguista), cuja única ideologia expressa é o anti-americanismo (mais umas quantas doses de parvoíces avulsas) virar gringa, assim de "um mês para o outro". Mas isto dos tiques linguísticos vai mais fundo, acho

Helena, tem toda a razão nisso das "vacanças" ter sido não só palavra como realidade desconhecida para uma mole de imigrados dos 50s e 60s. Mas eu próprio me lembro, na praia puto, de ver as famílias tentarem marcar a diferença pelo francês (diga-se de passagem muito fraco, eu tenho bilingues em casa) e depois passarem para o português por impossibilidade "tecnológica" de se expressarem completamente. Portanto não reduzamos esse fenómeno histórica à chegada à modernidade dos direitos laborais.

Depois claro que introduzimos palavras, seja pela vivência (V. no alemão, eu mais na entoação ou outra utilização - adoro o enfático "afinal" do português moçambicano, muito mais polissémico do o nosso), seja na importação. Mas há muita cagança nisso: a Helena fala de tradução/introdução de termos, e é óbvio não só o quão difícil ela é como também devemos atentar na quantidade de termos que usamos sem pensar (um ex. clássico é o guichet) que têm a mesma origem. Ou seja, há a "normalidade" da importação e há o arrivismo da importação. Há anos foi o pobre carbúnculo despromovido a inexistente devido ao "antrax". Eu aqui tenho feito um luta incessante, e até esgotante, para elevar o curto "elo" em detrimento do estrangeiro e longo "link" (ou, pior ainda, "linque"). São coisas que derivam da tentativa de afirmação de um estatuto (intelectual, social, profissional), nada mais
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De Helena a 23.01.2009 às 16:54

jpt,
mais devagarinho, que está farto de me pisar os calos...
;-)
É engraçado lembrar os emigrantes na praia a falar estrangeiro com os filhos. Podia ser eu. Que não tenho a menor necessidade de marcar a diferença (e morro de vergonha se estiver por perto alguém que perceba a língua que estou a falar), mas que fui obrigada pelos meus filhos a falar com eles em alemão. Porque é a língua deles, onde se sentem melhor.
Por vezes falo com eles em alemão, e faltam-me as palavras. Se estou a ralhar, é fácil: digo em português - talvez não percebam a letra, mas percebem a música.
Bem me podia acontecer na praia, à sua frente!

Também não sei se dizer "link" em vez de "elo" deriva da tentativa de afirmação. Para mim, é mais preguiça. Está a contecer imenso na área do software, porque o pessoal lê tudo em inglês e acaba por se habituar ao jargão.
Se eu disser que vou downloadar um filme da internet, toda a gente percebe...

As guerras que já tive por causa de terminologia! Como é que se pode defender a língua de áreas novas onde estrangeirismos rapidamente se instalam no jargão?
Os franceses fizeram aquela lei de protecção da língua. Na empresa onde trabalhava, perdia-me a saborear a qualidade da tradução francesa, incomparavelmente melhor que as das línguas que "se deixavam ir", e desatavam a downloadar e a escanear.
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De jpt a 25.01.2009 às 17:10

Opps, peço desculpa pela pisadela (a sua calista agradecerá, claro, o trabalho extra). Quanto ao resto o que me parece (para além das excepções individuais) é que refuta o olhar sociológica sobre a utilização das línguas. E aí, a sério, não concordo.
Eu recebo e-mails de falantes de português (até colegas vizinhos) culminados com all the best, best regards etc e tal. Claro que é gente que PHD or not me (nos) quer lembrar que estudou na RAS ou UK ou USA ou assim. Eu recebo - e ainda pior com o OBAMA - happy christmas a torto e a direito, via sms, com textos e tudo no tal inglês nada profundo. Dedico-me, nos emails, a responder agradecendo, em francês (minha pobre e esquecida segunda língua). É a minha maneira de dizer aos outros que estão a ser patetas

a minha filha está numa escola anglófona, ainda hoje lhe disse que um dos amigos dela é "cool" - pequeno exemplo apenas para referir que não ando em conversas de purismos (até linguisticamente tontos). Mas que há muita patacoada no linguajar há ...

Tchau ... (não estamos nós sempre neste italianismo?). Ou seja, até breve

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