Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]
"…cheguei a um acordo perfeito com o mundo: em troca do seu barulho dou-lhe o meu silêncio…" (R. Nassar)
A fazer as malas (a tal ida para o Mpumalanga) entrevejo no telejornal a demissão da presidente do Instituto Camões, logo seguida das declarações "socialistas" criticando a falta de uma política de cooperação.
No regresso leio no JN e no Público desenvolvimentos do assunto. Interesses de emigrante, está-se mesmo a ver.
É madrugada e o apontamento não pode sair burilado. Mas ficam alguns esquiços (nunca de Mileto, Francisco, nunca de Mileto!).
1. não tenho nada a ver com os critérios jornalísticos do Público. Mas se repararem a notícia dessa demissão vem na secção "Cultura". Erro ou sobrevivência? Pois deveria ter sido integrado na secção "Educação". Pois há muitos anos que o Camões não é um instituto de cultura, mas quer-se sim como um instituto de língua.
Dirá algum leitor: mas como é possível distinguir língua de cultura, que bloguista imbecil. Pois o bloguista também pergunta.
2. quem não se quer "de cultura" não faz cooperação cultural. Isso é óbvio, silogismo. Aliás nem sequer sabe o que é cooperação. Nem procedimentos, nem ideologia, nem atitude. Ou seja, desprovido de tecnicidade e de ética (ou cultura profissional se o leitor se assustar com a "ética").
3. se não faz cooperação cultural que faça acção cultural externa - o que é absolutamente outra coisa. Produza ou induza. Por aqui vindo daí nada! E por aí?
4. a dirigente socialista Ana Gomes critica ainda o camões porque tem muitos funcionários e não funciona contrariamente às fundações que com meia dúzia de pessoas obram imenso.
Terão os funcionários brotado expontaneamente? Ou foi a Prof. Stock que os impingiu?
Não sei se a ex-presidente foi bem ou mal, não tenho meios de o saber, nem a minha opinião sobre o assunto interessará.
Mas a este propósito só posso espantar-me diante desta gente, desprovida de retrovisores, tão lestos a esquecer (pintar?) o passado, como podem eles querer guiar algo, e ainda para mais um país?
5. fugindo ao Instituto Camões, apenas uma nota, que nem um blog inteiro chegaria para esgotar o assunto.
Como podem vir os socialistas criticar a falta de "uma política de cooperação"? Quem quis centralizar tudo no Instituto da Cooperação Portuguesa (hoje IPAD) (o que seria "o caminho") e não o conseguiu em legislatura e meia. Mas também quem quis centralizar tudo no Instituto da Cooperação Portuguesa (hoje IPAD) e o dotou de uma lei orgânica impeditiva. Mas também, e mais do que tudo, quem quis centralizar tudo no Instituto da Cooperação Portuguesa (hoje IPAD) e fundou paralelamente a APAD, agência que tinha os fundos financeiros disponíveis, inibindo, impossibilitando, cerceando todo o caminho que apregoavam.
Esquizofrenia governamental? Autofagia?
Perguntas que um blog a céu aberto não pode responder. Pelo menos o meu. Basta-me, ligado à cooperação, arrepiar-me. Não de luto, mas do seu sinónimo. Mas limpo, pois para tal basta nunca poder ser "socialista".
É tardissimo, vou dormir. Mas o descontraído do fim-de-semana morreu-se. Caramba, maldito blog!