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"…cheguei a um acordo perfeito com o mundo: em troca do seu barulho dou-lhe o meu silêncio…" (R. Nassar)

Já aqui antevi a conferência de ministros da cultura da CPLP. Aconteceu em Maputo a semana passada. Por isso Gilberto Gil esteve cá. E deu-se ares de intervalar o seu ministério, com espectáculo de ambiente bem descrito por este normando.
Lá fui eu, feito penetra no "todo o maputo" ver o concerto do músico que também é ministro. Por meros 50 usd direito a um bilhete que me disse VIP.
Uma maçada afinal, quatro grupos antes, mais discursos ao princípio, criancinhas a agradecer o apoio mais senhoras bem intencionadas e tudo o mais. Um festival, que fui suportando fugido no vizinho África bar, este primeiro vazio depois enchendo-se de enfastiados.
Para mais o pior som que já ouvi em alguma produção Conga. Mas finalmente, já quase pela madrugada o músico que também é ministro. Ainda mexe um pouco-pouco apesar de pré(?)-sexagenário, a voz ainda vai lá, algum requebro. Dia dos grandes êxitos, mais o Marley aqui e ali. Música um bocado arrockada, um guitarrista cheio de tiques, mas isso não é coisa nova no Gil que eu (des)conheço. Enfim, aqueceu um bocadito, sem deslumbres, até porque o sentido crítico se vai desvanecendo na escassez de espectáculos.
No final, e como é aqui o costume (e bonito, acho eu), o representante do poder subiu ao palco para saudar os artistas. Pode confundir alguns estrangeiros, mas aqui é assim. Nesse dia foi a primeira-ministra, Luísa Diogo, subiu para saudar o músico que também é ministro.
Aí, e contrariamente ao que aqui é costume, o artista deu-lhe o microfone para que pudesse ela "falar ao seu povo". Ah, afinal ali estava mesmo o ministro que também é músico - e não o contrário.
Luísa Diogo foi uma senhora, apenas agradeceu o concerto. E isso deve ter lembrado a Gil que já foi só músico. E que ali o era. Talvez!