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As Duas Sombras do Rio, de João Paulo Borges Coelho. Uma edição simultânea Ndjira/Caminho de 2003.

Uma primeira obra ficcional que é, em minha opinião, a melhor prosa de toda a literatura moçambicana. Um cruzar de personagens sobre o Zambeze, um cruzar de contista com cinema. E, já agora, sem realismo mágico. Inventei-lhe um magicismo realista que muito mais me dá (a mim claro, falo só de mim) prazer.

Sobre este livro aqui tombou, com a excepção do texto do Francisco Noa à altura da sua apresentação, um radical silêncio. Interessante, mas nada intrigante, coisas da sociologia. Mas vai-se vendendo o que indicia o mais importante: vai-se lendo.

Gosto imenso do começo, aqui o transcrevo. E é um despudorado aviso às visitas para que vão ler o livro, se ainda o não fizeram:

"Leónidas Ntsato piscou os olhos. A fita negra da margem alongava-se na vertical: à esquerda, o céu azul brilhante; à direita, com uma cor quase idêntica, o rio fugindo para o alto. Subindo essas íngremes águas avançava penosamente uma almadia mas estava demasiado distante para que ele pudesse reconhecer o remador. Só o seu casco escuro cuja nitidez contrastava com o reflexo trémulo que fazia nas águas - tudo vertical, as duas manchas solidárias trepando para o alto"

Dentro de uns meses será editado um segundo livro, "As Visitas do dr. Valdez". Ainda melhor, se se pensar em consistência literária. E um belissimo traçado sobre o final de uma era, sem o ser ostensivamente, uma bela maneira de avançar sobre as coisas.

publicado às 08:35



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