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Sobre os comentários

por jpt, em 09.05.04
Alguns comentários desagradáveis estão aí. Ainda que o “anónimo agreste” tenha anunciado a sua retirada quero referir o assunto.

1. Anteontem apaguei comentários. “Censura” foi dito. Não repito o que já foi discutido noutros blogs. Mas que fique claro: não se trata de censura, um blog não é um orgão de comunicação social, não tem as mesmas regras e princípios, nem a mesma responsabilidade social. Não confundamos, não sobrevalorizemos.

Mas mesmo que o fosse. Um “comentário” é, por analogia, uma “carta de leitor”. E nenhum orgão de comunicação social é obrigado (por deontologia ou legalidade) a divulgar todas as que recebe. Em especial se anónimas.

2. Foi dito que apagar críticas implica tornar os “comentários” num coro de bajulações.

Este é um ponto a abordar. Neste e noutros blogs (talvez com excepção de alguns mais politizados e polémicos) a maioria dos comentários são positivos. Mas isso tem mais a ver com a dinâmica de leitura, não tanto com os autores.

Por um lado porque os leitores tendem a visitar os blogs com que simpatizam. Gostam do que está escrito ou subvalorizam algo menos concordante. E os leitores ocasionais ou desgostosos saltam, rápida e gratuitamente para outro. Nem deixam a sua impressão enquanto os anteriores a vão repetindo. E assim criando o que não é um coro de “bajulações” mas mais uma rede de simpatias, interesses e sensibilidades comuns. Normais. Mas, e acima de tudo, legítimas. Até porque não molestam ninguém.

[a net não é a vida, mas permito-me mais uma analogia: será que um grupo de amigos com hábitos convivenciais é um “grupo de bajulação”? Caramba, que mundo seria esse?]

Por outro lado porque é mais fácil e rápido para o leitor, habitual ou episódico, deixar um “gostei”, “bom post” do que o “não concordo, porque...”, e exactamente por esse “porque...” a que a discordância apela, e que em princípio se realizará apenas em casos mais extremos. Digo-o por mim, mas presumo não ser por demais arriscada a extrapolação.

3. Isto nota-se nos “comentários” ao Ma-schamba. É óbvio que o elogio é agradável, mas as críticas são bem-vindas e algumas estão por aí. Entre elas lembro uma, radical, e que me deliciou (masoch?): uma leitora que pegou na epígrafe do Nassar dizendo do seu pesar por não ser ela cumprida (até que enfim que alguém pegou no paradoxo).

Na anterior morada do Ma-Schamba não havia comentários e eu não sabia como colocá-los, tinham-me “mobilado” a casa. Os comentários (poucos) chegavam via email. Um dia um leitor (adivinhem quem) denunciou-me um erro ortográfico, eu tinha acentuado “cajú” (erro que vim a repetir, ainda para mais). Agradeci, emendei e anunciei. Cometo crimes ortográficos? Sim, culpado.

4. Um leitor escreve, desabrido, criticando-me os temas abordados e dizendo que nunca mais voltará devido a esse péssimo critério, e que partirá para mais cultos blogs. Aceito, respondo com a elegância possível. Que fazer? Passados tempos ei-lo que volta, de novo reclamando sobre...os temas abordados.

Se não gosta porque vem? O Ma-Schamba não é orgão oficial, não se reclama de nada a não ser o meu diário público. Não tem mais nenhuma representatividade, não reclama outras responsabilidades ou legitimidades. Não está a ocupar o espaço de ninguém, é isso.

Apesar dos temas fica e critica. O conteúdo? Não. As opiniões? Não. Critica o que entende serem erros, erros ortográficos, sintácticos, semânticos, e deles retira (e publica, anónimo) conclusões sobre a minha legitimidade profissional, sobre as minhas características pessoais: um arrivista, um bêbedo, um incompetente. Escritos que aí vão ficar, desisto de apagar! Para quê?

Mas não vou deixar passar, mesmo que possa parecer auto-justificação. Porque o meu nome está aí a levar com os ditos do “anónimo agreste”. E porque há pessoas a passarem por aqui (o webalizer diz cada vez mais, 380/dia, o site meter diz cada vez menos, 70/dia, contagens esquizofrénicas, mas nem que fosse só uma visita).
Posso ser professor? Que o julguem os pares e os alunos. Não um anónimo. Sou um cidadão respeitável? Que responda alguém, mas não anónimo.

Sou um verme por escrever “doacção”? Olhe bem para a palavra, veja se lhe é estranha, sff. Quem perceba um bocado de psicologia, quem escreva a sério num teclado não se interrogará? E, já agora, quem tenha escrutinado todo o Ma-schamba com “cajús” e tudo não se poderá interrogar? Ou concluirá de imediato que é um imbecil ou um ignorante a escrever? E mesmo que erro seja, será critério definitivo?

Sou um verme por escrever “tão mais”? Que me desculpem até os comentadores concordantes. O Ma-schamba não é um texto oficial, académico. O Ma-schamba está cheio de coisas destas. Eu falo assim quando quero (e posso), uso o tão mais para enfatizar (já agora, arrasto o “tão”) e aquilo está ali a narrar uma conversa, em casa. Onde falo como quero, cheio de coisas destas. Que é isto, polícia cá dentro?

Sou um verme por escrever “lembrando e usando” e de seguida “Hoje aqui invoco, lembrando-lhe ainda...” para alguém aqui vir dizer que não sei a diferença entre evocar (lembrar) e invocar (apelar – donde para uso), quando é óbvio e explícito que estou a apelar? E dessa sua (tres)leitura permitir-se a retirar públicas conclusões morais?
Que sanha persecutória é esta que nem permite compreender os textos? A que se deve? Conhece-me o homem, fiz-lhe alguma? Que o diga, mas não anónimo!

5. Está o “anónimo agreste” preocupado com erros ortográficos, sintácticos, semânticos? Desvarios temáticos? Ou com a minha pérfida influência nos cidadãos moçambicanos? Ou com o desgaste por mim provocado na imagem nacional?

Talvez não tanto. Aí regressado de Moçambique está mesmo preocupado comigo porque estou por aqui, porque “Prefere o camarão descascado a preceito, acompanhado da cervejola - ao bom modo do tuga que de repente se vê vivendo à tripa forra...”, até porque “dono de 4x4”.

Basta. Porque chega. Porque evidente. Porque ainda que o caso possa ser humanamente compreensível e até lamentável transfigura-se aqui numa indignidade. Inadmissível.

Censura? Não. O direito ao bom nome.

Fim. E Foda-sse (e agora digam-me que não é com dois "ss")!!!

publicado às 08:59


12 comentários

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De Bambu Oco a 06.10.2007 às 09:05

Ops!!! a chapa está fervendo ... ;-). Entrando devagarinho e com cuidado...

Obrigada pelo carinho da presença e das palavras deixadas no meu bangalô de bambu. Seja sempre bem-vindo ... Carinhosamente, inté!
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De MP a 06.10.2007 às 09:07

É assim mesmo!
Por os pontos nos is.
Um Blog é a expressão pessoal de uma visão do mundo; dos acontecimentos, reflexões, etc, etc.
Quem quer visitar, visita; gosta ou não gosta, mas não tem legitimidade ou direito de ofender.
Conte sempre!
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De PLH a 06.10.2007 às 09:09

jpt,
mas foda-se não é sem fo e só daa-se? ;-)
diz o povo "os cães ladram e a caravana passa" não pares a caravana e deixa-os pousar.
(por algum motivo deixei de te pôr o mail certo, tu já o tens e os que me interessam discutir ou trocar impressões faço-o eu através de mail, pra não ter o trabalho de apagar msg da minha cx de correio, de quem é como o melhoral não faz bem nem faz mal...não faz nada!
bjo
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De vmar a 06.10.2007 às 09:09

A minha solidariedade contra os vermes anónimos e cobardes. Estou a apagar todos os comentários dos cobardolas.
Chamem-me ditador, que pouco me importa, o blog é meu. E nem o Paulo Querido, o dono da weblog, pode fazer censura aos meus conteúdos, quando muito pode-me desalojar.
A única explicação que coloquei, foi mais para informação da blogosfera do que outra coisa, pois notava alguma desorientação das visitas, perante alguns comentários inseridos.
O meu blog não serve para fazer publicidade a ninguém, a única possível é por mim feita.
Não admito comentários ordinários de gente cobarde que não mostra a cara e se oculta por detrás de endereços falsos.
O meu blog será aquilo que eu quiser!
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De Tristão a 06.10.2007 às 09:10

Em solidariedade às censuras gramaticais, deixo-lhe aqui os versos de Manuel Bandeira (não sei se o conhece, a nossa literatura é pouco conhecida - é um dos maiores poetas brasileiros), num de seus poemas mais famosos, Evocação do Recife:
"...A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros / Vinha da boca do povo na língua errada do povo / Língua certa do povo / Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil / Ao passo que nós / O que fazemos / É macaquear / A sintaxe lusíada /..."
E o meu agradecimento comovido pela gentileza de me colocar entre os elos de seu blog.
Um abraço amigo do

Tristão
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De demeter a 06.10.2007 às 09:11

Abri a caixinha de comentários disposta a citar Bandeira...Tristão o fez por nós, inclusive o agradecimento pelo link. Gosto de polêmicas, nunca de grosserias... Grande abraço!
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De c.a.p. a 06.10.2007 às 09:12

Não é com dois "ss" :-)
Com a sua permissão, acho que vou referir este texto no meu cantinho.
Um abraço.
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De catarina a 06.10.2007 às 09:14

Sei muito bem o que isso é, comentários cobardes e anónimos...o meu blog (o 100nada, que apaguei)era saco de boxe para problemas mentais mal resolvidos de algumas bicharocos virtuais que por aí andam. Nunca os apaguei, mas ataquei de frente a uma certa altura e a coisa foi amansando. Faz muito bem em apagar. Qual censura! Um blog é uma casa, nossa, deixamos entrar quem vem por bem. Até pode ser para criticar ferozmente, desde que se identifique. Mas a cobardia anónima não passa de spam. Um abraço.
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De antonio a 06.10.2007 às 09:15

Gosto deste blog, foda-sse!
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De fernando a 06.10.2007 às 09:16

Pois eu acho que, neste caso, devia ser com 4 ou 5 ésses e ainda era pouco. Um abraço.

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