
Leio que fez ontem 20 anos! Agostinho foi meu ídolo, puto de jogar à carica, dezenas delas com as camisolas dos ciclistas, paciência de menino não há dúvida. Puto de ir comprar "A Bola" (a sagrada, a do Miranda, Farinha, Pinhão, Santos e esses, não o asco clubístico em que se veio a tornar por "razões de mercado"), ainda aquela da tinta que se soltava, para saber as suas aventuras lá pelo Tourmalet e isso, uma Bola que ninguém lá em casa alguma vez leu para além de mim. Achavam piada, era isso, um puto na primária a ler o jornal.
Agostinho, percebi-o mais tarde, ídolo de um país tão mais pequeno do que o é hoje, onde ninguém vibrará por nenhum atleta "lá fora" como se vibrou por ele, campónio feito gigante lá nas franças então tão longínquas, terra do sucesso miragem de então. Meu ídolo, ídolo de um povo que já nem há. E que, também ele, terá começado a morrer no mais pungente funeral público de que tenho memória.
Agostinho e Damas, os meus gigantes de menino morreram-se quase novos. Deixando-me um pouco só, ainda hoje.