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capadesmedida

[Ruy Duarte de Carvalho, Desmedida. Crónicas do Brasil, Edições Cotovia, 2006]

"Um livro mais de "viagem", mas que também não fosse um desses registos paraliterários de errâncias e de evasões a puxar para o sério e para a auto-ajuda. Que me remetesse para os domínios em que me movo mas admitisse derivas. Tentasse evitar aquilo que também poderia ser, se a intenção fosse essa: a mais vigorosa das penetrações analíticas, uma orgásmica exposição de evidências e de equações, um desafio algébrico à plácida aritmética do senso comum. Ensaiasse tão-só, talvez, dizer do Brasil a partir de Angola ..." (p. 42)

enquanto

"... só resta, a quem não se precata, fazer o luto da sua juventude, depois de, cinquentão, "quando os dentes escurecem e os cabelos embranquecem", ter passado pela idade em que se lamenta o tempo gasto e as oportunidades que se perderam e desbarataram. Dos quarenta aos cinquenta, diz ele [Richard Burton], um homem reconhece a sua própria ignorância, depois de ter achado, entre os vinte e os trinta, que sabia tudo e não tinha mais nada para aprender. Aos trinta, com sorte e durante dez anos, poderá ter até chegado a pensar que é possível viver com confiança e fé na vida. Mas corre então o risco de deixar possuir-se por essa exaltação e mesmo com calma é aproveitar porque também não dura. A consciência de ver-se condenado a permanecer um consumado ignorante, que se lhe impõe a partir dos quarenta, pode passar a revelar-se em tudo, inclusive numa constante, surpreendente e sempre serôdia e arrasadora surpresa perante as renovadas evidências, cada vez mais irrefutáveis, daquilo que nunca quis admitir antes. Isto acrescento eu." (40-42)

publicado às 03:37



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