Em Lisboa o "Publico" ecoa a construção de uma residência oficial destinada ao futuro ex-presidente Joaquim Chissano. Diante da habitual parcimónia de notícias sobre Moçambique este interesse não deixa de indiciar uma crítica implícita, tipo "um país tão pobre e a gastarem dinheiro desta maneira".
Incompreensão radical. Goste-se ou não Chissano é um estadista de renome, e importante em África. E o Estado deve garantir-lhe a continuidade da dignidade "presidencial" para o futuro. Até para o utilizar como património político internacional. E, formalmente, deve assegurar essas condições.
Desenvolvo este raciocínio e dizem-me que este meu relativismo é perigoso. Aí irrito-me, e mesmo. Não é relativismo, é comparativismo, coisas totalmente diversas.
Pois esses moralistas doadores não têm, tantos deles, a inacreditável instituição monárquica, toda aquela gente vivendo e habitando os erários públicos? "Ah, mas os povos vivem muito melhor". Talvez, mas não o viviam quando os respectivos casarões foram construídos.
E, o que é realmente importante, está-se no domínio das instituições políticas e das personagens que as vivem. E por mais que não se queira gostar de Chissano é bem mais importante nesta História do que qualquer rei burguês desses nortes gélidos. Então que seja assim simbolicamente tratado.