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Reinaldo Ferreira

por jpt, em 12.10.09

reinaldo-ferreira

[Reinaldo Ferreira, Poemas, Vega, 1998]

No meio destes últimos textos que têm evocado Amália Rodrigues, e suas passagens por Moçambique, o ABM ecoou a sua surpresa por ter agora sabido da origem laurentina da célebre canção "Uma Casa Portuguesa", da autoria de V.M. Sequeira e Artur Fonseca (música) e Reinaldo Ferreira (letra) . E esta lembrança do poeta Reinaldo Ferreira (1922-1959), que residiu em Moçambique desde 1941, trouxe-me da estante esta relativamente recente edição (1998), dita integral, da sua poesia. Amputada - por razões não explicitadas - dos textos de Eugénio Lisboa que acompanharam as primeiras edições de "Dispersos" e de "Um Voo Cego a Nada", este livro conta com um texto sobre o autor (muito de época) da autoria de Guilherme de Melo e reproduz um estudo de José Régio sobre a poesia em questão. Vale a pena ir ler este que foi, como diz Guilherme de Melo, "o mais europeu dos poetas portugueses acontecidos em Moçambique." - uma frase óptima até para fugirmos às sempre recorrentes questões das geneologias literárias e respectivas pertenças.

Deixo aquele que será o meu poema preferido do livro:Receita para Fazer um HeróiTome-se um homem,Feito de nada, como nós,E em tamanho natural.Embeba-se-lhe a carne,Lentamente,Duma certeza aguda, irracional,Intensa como o ódio ou como a fome.Depois, perto do fim,Agite-se um pendãoE toque-se um clarim.Serve-se morto.jpt

publicado às 02:03


2 comentários

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De Fernanda Angius a 12.10.2009 às 20:24

Como é com encontrar coicidências de gosto! Desde 1978 que todos os meus alunos de liceu recordarão este poema como o mais estudado para exemplificar a ironia amarga e a necessidade de se esconder atrás dela. Depois de 1978, em todas as universidades onde ensinei a nossa língua esse poema era sempre o pretexto patra falar do que estava acontecendo à nossa cultura. Ser herói era servir objectivos que anulavam todo o sentido de ser HOMEM! eRA-SE «CARNE PARA CANHÃO» COMO TODOS DIZIAM E SENTIAM NA ALTURA ...
Quanto a Reinaldo Ferreira ele pertenceu ao grupo de Fonseca Amaral, Virgílio de Lemos e Rui Knopfli. Malangatana, ainda rapazinho, empregado de mesa no Scala, conheceu-o bem. Eugénio Lisboa recebeu o seu espólio e o encargo de o publicar....
Seu amigo dilecto, Virgílio de Lemos, em cada aniversário da sua morte dedica-lhe um poema. a compilação desses poemas será em breve apresentada se quem tem a edição entre mãos se der ao trabalho de (depois de um adiamento sucessivo de 4 anos) a tornar pública.
Fernanda Angius
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[...] amputadas (presumo que por desacordo editorial) na edição mais recente (Vega, 1998), a qual aqui referi - a propósito da celebérrima canção “Uma Casa Portuguesa” da qual Reinaldo [...]

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