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Blogos(fera)

por jpt, em 27.10.09

A 15 de Abril de 2009 deixei aqui: "Em Portugal três eleições neste ano - com efeitos no bloguismo, já e daqui em diante. A uma crescente industrialização bloguística (cada vez mais blogs colectivos, principalmente de jornalistas) soma-se a concentração “capitalista” - suprablogs dedicados à “questão política” (o blog de direita, o blog de esquerda, o blog das eleições, etc.), na prática uma despolitização da política. (...) se até a (...) lhe puxa o pé para a chinela desta forma realmente que grande desatino aí vem no bloguismo lusopolítico. O escarro. Burguês.

É evitá-lo até lá para a quadra natalícia. E então, se ainda houver blogs (S. Twitter o permita), refazer as listas de favoritos.".

Aproximando-se o Natal Luis Novaes Tito lamenta agora o estado das coisas; Joana Lopes reconhece-o, e lamenta a virulência. Mas atenção, desatino sempre houve nisto bloguismo, em particular no político. O que cansa, o que afasta, neste desatino de agora é ser eco desta vontade missionária, aparelhística.

Enfim, estará na altura de reordenar as listas de favoritos. Para constatar que alguns dos velhos estão bem alquebrados por aquela partidite pandémica. Que lhes deixou chagas a teclado aberto.

publicado às 13:20


7 comentários

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De LNT a 27.10.2009 às 15:57

Pois, mas se não for burguês é o quê? Proletário?

Não choro nada, JPT. O problema não são os aglomerados mas sim as pessoas.

Ficou outra prosa na tosquia.
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De jpt a 27.10.2009 às 16:00

O "burguês" está lá não em antítese a um qualquer proletário. Mas porque ao senso comum o burguês, charme discreto, não escarra. Quanto muito, e quando impossibilitado de outra coisa fazer, cospe. Só isso.

"Lamentar" não é sinónimo de "chorar".

Lamento, mas não choro, mas as pessoas em aglomerados (multidões) portam-se de forma diversa do que quando sós (ou pouco acompanhadas). Qualquer político o sabe ...
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De ABM a 27.10.2009 às 23:24

Eu acredito que o palco da política por excelência em Portugal é a televisão, seguida pelos jornais. Com raras excepções, o discurso na internet é, pela qualidade e pela quantidade, próprio dos "treinadores de bancada", ou como se diz em inglês, dos "backseat drivers". O velho adágio atribuído ao Rei Dom Carlos, que terá dito que "a opinião pública é a que se publica", dilui-se perante o vasto e por vezes supreendentemente erudito, ruído da internet. As pessoas têm capacidade de ler um ou dois ou três opiniões em jornais. Não conseguem tomar o pulso nem têm tempo de ler oitenta opiniões diferentes sobre o mesmo assunto.

É um pouco como o que aconteceu aquando da tragédia criminosa do 11 de Setembro de 2001 nos Estados Unidos. Hoje já está provado que houve quem tinha apanhado claros indícios do que estava para acontecer, mas essa informação ficou soterrada sobre um milhão e meio de informações semelhantes ou concorrentes. Eu, que sou assumidamente um convertido Maschambiano pela temática, pelos que aqui dialogam e pelo processo mental e emocional que acompanham este diálogo, não me revejo a ler regularmente oitenta blogues como este. Não era capaz. Não tinha tempo. Não tenho assim tanto e tanto assim para dar. Há esta outra vida na rua e as coisas têm que ser doseadas. Tenho que ganhar a vida, comer, dormir, fornicar e ser fornicado com os impostos. O nosso Barbeiro proferiu o seu julgamento e terá as suas razões. A Joana complementou. Os dois com algum desalento que presumo resulta dos embastes próprios deste meio, que, do que depreendo, a) permite qualquer idiota cretino com um computador dizer as maiores e mais ofensivas barbaridades como se não fosse nada, b) permite ao mesmo idiota cretino (por vezes savant) abrir um blogue, e como o Speaker's Corner em Hyde Park, pôr-se em cima de um caixote e bradar os maiores disparates sem que a ninguém apetece exercer o contraditório civilizadamente.

Eu vejo isto tudo ao contrário. Considero um privilégio único, histórico podermos sentarmo-nos hoje em dia em casa com um cafézinho ao lado e falarmos mais ou menos do que nos apetece com gente que gosta, quer e a algum relevo a trocar impressões sobre assuntos de interesse. Puxo da cabeça e obrigo-me a conhecer melhor os assuntos.
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De Joana Lopes a 27.10.2009 às 23:46

Indo mais directamente ao assunto: os blogues defensores de partidos nas últimas eleições tornaram-se, de um modo geral, numa espécie de porta-vozes de «seitas», tipo IURD, acirradas contra quem ousasse lá entrar sem ser para dizer ámen. Logo no início, ousei pôr um comentário, discordante mas absolutamente inócuo, num post de alguém que nem conhecia e fui tratada abaixo de cão.
Algumas dessas pessoas, que eram cordatas ANTES, nos seus blogues individuais, transportaram agora para eles a agressividade colectiva que assimilaram. Claro que há um remédio santo: riscar do mapa…
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De ABM a 28.10.2009 às 00:26

Exactamente. Quando eu não gosto de ver um programa televisivo, tenho um aparelho chamado "controlo remoto" na mão e...zap, estou noutra. O acto de convencer e seduzir, tal como vender, faz-se com mel e falinhas mansas, não fel e insultos.

Não sei como a D. Joana ainda se se deu ao aparente suplício de tentar esses diálogos. Nem se a internet é o melhor sítio para os ter. Os sites partidários norte-americanos (são os únicos que eu conheço melhor) têm uma atitude diferente: nós damos o endereço de email e a seguir somos literalmente bombardeados com emails a explicar tudo e mais alguma coisa e especialmente a pedir dinheiro. E os sites têm um dicionário com detalhe quase microscópico sobre as posições e programas propostos pelos candidatos para os diferentes assuntos, as novidades, o que é que fulano disse hoje sobre aquilo, actividades, etc. É uma espécie de carnaval.

Confesso que, há cerca de um ano, fui ver os sites do PS, PSD, CDS e creio que do Bloco da Esquerda para ver o que é que eles diziam para o eventual cidadão casual que quisesse saber como é isso de ser membro do partido deles - como funcionava, o que é que eu tinha que fazer, o que é que eles defendem, coisas desse género. Confesso que a experiência foi tão má, tão mã, tão má, tão má, que achei que eles eram todos malucos e desisti de me envolver. Pareceram-me mundos debruçados sobre si mesmos e não para a essencial e evangélica missão de receber, acolher e acarinhar novos membros - que presumivelmente pensam e partilham ideiais. Essa experiência dava para escrever dois artigos de blogue.

Diga-se que ideologicamente eu hoje dificilmente sou "convencível". Aquilo que gosto ainda de entender, como a componente programática e de execução das filosofias de cada um, aí é que a coisa entorce. Ou seja, o que é que concretamente os (digamos como exemplo) socialistas pensam e querem fazer, decorrete do que pensam? aí é que não há nem blogue nem ninguém que resista. Mas pronto. Eu também sou cliente duma companhia de telefones celulares há algum tempo e até hoje ainda não percebi nem o preçãrio nem como é aplicado, por mais que tente (confesso que não tento muito). De vez em quando chateio-me e mudo de empresa. A chatice é que os governantes não podem ser despachados com a mesma celeridade.
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De jpt a 28.10.2009 às 10:56

3 pontos
ABM tirando o princípio do bloguismo, com curiosidade e a encontrar gente interessante (muita entretanto desaparecida destas lides) não leio muitos blogs. Rapidamente se fazem pequenas listas de favoritos. As quais substituem com vantagem a leitura de um qualquer jornal português na net. 80 blogs por dia? Impossível. Mas oito? Vale mais do que o DN ou o Público (a náo ser que queiramos exactamente saber as declarações do ministro A ou quantos mortos houve no tremor de terra X). Eu, tipo leitor de jornais, funciono em registo "diário" [evidentemente segundo as actualizações dos blogs] (Mar Salgado, Portugal dos Pequeninos, Origem das Espécies, Abrupto, mais alguns] e "semanário" para blogs que são temáticos e/ou menos ligados à espuma dos dias [Desnorte, Mania dos Quadradinhos - são dois blogs que sáo "um must", por exemplo].
Portanto isto não é o infinito, chega a ser até muito reduzido o leque de leituras.
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De jpt a 28.10.2009 às 11:04

JL, ABM, sobre os blogs partidários (colectivos) há algo em que penso concordar. Contrariamente ao LNT, e como ja acima disse, os bloguistas mudam quando em grupo (náo todos mas vários) - é fenómeno sociológico. Se um diz mata o outro acorre a dizer esfola - seja em post seja em comentário

E acho que tens razão ABM. Aquilo é discurso de altar, virado para os crentes, contra os infiéis. Quem frequentasse os blogs em causa não era convencido nem mesmo informado. É um discurso castrense, nada mais (acho que há alguns meses mandei um comentário ao LNT nesse sentido, nao tenho a certeza). O LNT é uma excepção, e nao só porque tem o humor suficiente para brincar (mas não gozar) com estas filiações (a JL conhece-o de blogolonge, acho, mas tu vê a minha referencia ao seu blog de candidatura à AM de Lx, tipo "ponham-me no poder", ele que era para aí o suplente nº 87). Mas a maioria vai para lá muito hirta, muito cheia de certezas e de energia para dar porrada nos adversários, os quais nunca tèm razão (é uma questão ontológica, os outros são uns imbecis, desonestos ou, vá lá, enganados)

E depois há outra coisa, o tom individual, mesmo que se pretenda manter, dilui-se num blog colectivo muito frequentado e animado. Para mim o exemplo máximo é o do blougista político que mais gosto, o João Caetano Dias, um humor inteligente fantástico, um iconoclasta (com cem JCDs o Bloco de Esquerda desaparecia por ridículo). Imigrou para o Blasfémias (que náo sendo um blog partidário é [ou foi, que não sei como está] até pior) e no meio daquele tom de missal deixei de ter paciència para o ler, para lá chegar tinha que passar por meia dúzia de imbecilidades rasteiras.

Enfim

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