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"…cheguei a um acordo perfeito com o mundo: em troca do seu barulho dou-lhe o meu silêncio…" (R. Nassar)

Abaixo muito me irritei contra a sobranceria de José Pacheco Pereira, ao insultar bloguistas que com ele não concordavam quanto à necessidade (patriótica?) de manter em funções o primeiro-ministro José Sócrates (apesar dele-mesmo), donde de aprovar o OGE. Este que agora, afinal, será aprovado. Foi por isso interessante ver o último Quadratura do Círculo (o filme ainda não está disponível), onde Pacheco Pereira actualizou um pouco o seu pensamento. Já admitiu a possibilidade (melhor dizendo, a relativa bondade num contexto extraordinário como o actual) de um governo transversal no âmbito deste parlamento - o que ele se torceu para evitar a expressão "bloco central" - tendo para isso previamente sido afastado José Sócrates. Espero que isto não seja efeito de "uma “cultura de blogue”, uma educação pela Internet, que alia a superficialidade e o imediatismo, ao radicalismo de ver tudo a preto e branco, bons e maus, heróis e traidores, vendidos e impolutos." Pois isto é quebrar com o "patois" político e jornalístico da incontornabilidade da situação, que vigora nas últimas semanas.
Sócrates não é, como em tempos foi dito sobre outro protagonista, uma "boa moeda". Tem sido letal e urge afastá-lo. E este teria sido um bom momento. Custa dinheiro derrubar um primeiro-ministro (ou não aprovar um orçamento?). Custa, todos sabemos que a democracia é um sistema caro. Como alguém disse é o mais caro dos sistemas, exceptuando todos os outros.
Teria sido mesmo um bom momento de erradicar Sócrates. Mesmo que para isso viesse a ser necessário, neste futuro imediato, coabitar com alguns dos seus homens - e sabe-se que depois de tantos anos todos eles estão conspurcados. Mas é para isso mesmo a política, saber torcer o real para fazer o impossível. Até governar com algumas franjas, menos putrefactas, deste poder.
É isso que se espera dos políticos cultos e pensantes (e que recebem para pensar, já agora). Não que repitam inanidades sobre incontornabilidades, insuflados com o desprezo que nos votam. Aos que votamos, ainda por cima. E é também para isso que servem os blogs, para os eleitores falaram com os seus representantes. Mesmo que não sejam lidos. Pelo menos para a catarse. Tipo "chama-me lá inculto imbecil outra vez e eu digo-te em quem vou votar".
jpt