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"…cheguei a um acordo perfeito com o mundo: em troca do seu barulho dou-lhe o meu silêncio…" (R. Nassar)

[Maputo, Av. F. Engels, Janeiro 2009]
O esvaziamento europeu também o tem sido ideológico, deslocando-se o eixo de irreflexão topológica para uma mimetização dos EUA. A história intelectual vai pela pia abaixo na pressa da colecção de cromos, a reflexão prospectiva vale menos do que um prato de tremoços. Visível como a direita europeia se bushizou nos últimos anos - um deficit intelectual particularmente visível in illo tempore no bloguismo português, com alguns exemplos verdadeiramente patetas [o conservadorismo comunitarista de aparência (e até de ignorante auto-imagem) liberal foi um must aquando da explosão bloguística]. E como a esquerda se obamizou - ainda hoje me rio da minha reacção, irada, diante de um tipo do BE a anunciar o seu obamismo (deixo a ligação porque a caixa de comentários é deliciosa. Eu fartei-me de levar pancada ali. Entretanto o ilustre obamista acabou no Parlamento Europeu a anunciar que Portugal foi o primeiro povo a cessar a pena de morte. É assim a demagogia remunerada ...).
Vem isto a propósito das eleições americanas de ontem. Não sei nada de particular sobre os EUA, presumo que a crise seja grande, o tal de Tea-Party anime as hostes mais reaccionárias e trogloditas, que o futuro se afigure palinesco (credo). E sei que os republicanos ganharam muitos lugares na Câmara. Foi a maior mudança parlamentar acontecida nos EUA desde 1948, li na CNN. Mas, e algo diferentemente, a este propósito no jornal português Público a jornalista Kathleen Gomes consegue escrever isto: "Pode não ter sido a noite perfeita para o Partido Republicano, mas o Presidente Obama e os democratas não deixaram de ser os perdedores.". O jornal Público continua a ser pensado por muitos (continuará?) como "de referência". Apesar destes escribas, deste sub-texto. Como disse acima é assim a demagogia remunerada ...
Inócua, ainda para mais. Pois não tem qualquer efeito no real. A não ser a preservação dos estatutos dos escribas. Profissionais. E económicos. Mente, torce, que te pagam para isso. O senso comum burguês continua a resmungar da deselegância deste tipo de afirmação, apelando à auto-censura. Mas não é a verdade?
jpt