Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Mistérios de Lisboa, filme de Raúl Ruiz, baseado na obra  de Camilo Castelo Branco

Ainda estou a digerir este filme do cineasta chileno Raúl Ruiz. Passadas quase vinte e quatro horas  ainda estou um pouco indeciso quanto ao filme, o que só abona em seu favor, pois pelo menos deixa-nos a pensar nele. A primeira advertência é de que se trata de uma longuíssima metragem, mais precisamente de 4 horas e 26 minutos, por isso o melhor é escolher uma sessão à tarde. O filme tem uma fotografia belíssima, e décors  e guarda-roupa de época muito cuidados. Uma trama muito bem delineada. Como não conheço a obra de Camilo não sei se a trama segue ou não com fidelidade. Mas também não me parece muito interessante essa discussão. Pelo menos no filme a trama é complexa, centrada sobre a primeira metade do século XIX,  com algum suspense, ironia, e com uma narrativa central à qual se ligam várias estórias paralelas. Gostei também de certos recursos de estilo, como a existência de vários narradores, e um teatrinho de cartão a ligar partes da narrativa. O ritmo é que me pareceu desequilibrado, ora muito oliveiriano ( a influência do Amor de Perdição pareceu-me mais do que evidente), sem os grandes planos mas com movimentos muito lentos e repetidos da câmara; ora quase tele-novelesco. Aliás o elenco é quase todo de actores de telenovelas. Talvez isto seja propositado. Contudo, para um inculto hollywodesco como eu, retirava bem uma horita, pelo menos, ao filme, e filmava tudo mais de pressa.

Parece que vai passar na RTP uma série de 6 episódios, de uma hora cada. Talvez seja uma boa opção. Perde-se na beleza fotográfica do filme, pelo menos na minha televisão seguramente. Mas ganha-se em paciência.

De qualquer modo até recomendo a opção filme. Numa tarde chuvosa, fria e ventosa.

Não me reconciliou com o cinema português (na verdade acho que não se pode dizer que isto seja cinema português, apesar de falado em e sobre Portugal), mas também não me deixou pior. Experimentem.

FF

Tags:

publicado às 02:28


5 comentários

Sem imagem de perfil

De AL a 04.11.2010 às 10:31

Apesar do seus esforcos FF, aos meus ouvidos este post grita pastelao, pastelao, pastelao! Cinema portugues, portanto.

Obrigada pelo alerta; ainda nao vai ser desta que a minha relacao com o cinema portugues se resolve. Alguem me explica porque neste campo especifio se equaciona chatice com qualidade?
Sem imagem de perfil

De DaLheGas a 04.11.2010 às 18:09

ainda bem que avisa. enerva-me a câmara lenta. se fossem 4 horas de raras emoções... prefiro as prestações televisivas.
Obrigada FF
Sem imagem de perfil

De VA a 06.11.2010 às 01:22

Quanto a cinema português ver o "Quero ser uma Estrela"...de pastel não tem nada...possui uma narrativa cinematográfica pouco usual por cá, não é lamechas, tem densidade dramática, um excelente naipe de actores portuguêses e um excelso elenco moçambicano (Gilberto Mendes top, top), uma fotografia urbana grandiosa. Só possui uma cena improvável...por isso, é de ver...
Sem imagem de perfil

De VA a 06.11.2010 às 01:23

portugueses
Sem imagem de perfil

De pampam a 04.11.2010 às 12:12

Nada pastelão.
Vê-se muito bem.
Vai buscar algumas coisas ao "Livro Negro do Padre Dinis".
E o Raúl Ruiz vai também fazer um filme sobre este livro.

comentar postal



Bloguistas




Tags

Todos os Assuntos