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"…cheguei a um acordo perfeito com o mundo: em troca do seu barulho dou-lhe o meu silêncio…" (R. Nassar)
O final de ano lectivo é sempre momento para conferências com alunos, o apelo às boas práticas ensaísticas - o elogio das formas de constituição de bibliografias, dos modos de referência ou citação, etc. Entenda-se, não é só o regresso às formas básicas do trabalho académico mas também a luta, dura, feita de vitórias muitas e algumas derrotas, contra o plágio. Esse que a internet muito veio facilitar, ainda que eu acredito que explodiu por via da máquina de fotocópias.
Enfim, irritam-me imenso as múltiplas formas de plágio. E esta é uma "estação" na qual estou particularmente sensivel. Não vejo, portanto, qualquer razão para minorar o meu desagrado quando vejo um texto do ABM espetado na página facebook da ong moçambicana "Justiça Ambiental" sem que aí façam referência ao autor (nem tampouco, como mandam as regras, ao sítio onde ele colocou o texto). Irrita-me ainda mais se me vierem dizer que se trata de um ong com bons objectivos, e que nela (e/ou neste caso particular) está gente conhecida (e amiga) do ABM. Pois se amigos são e bons objectivos têm maiores responsabilidades têm em não plagiar.
E não me venham dizer que não conhecem o blog. Que quando foi para abrir os primeiros blogs em Moçambique, os de amigos e familiares das causas ecológicas o então único tipo do ma-schamba deu jeito para ajudar a perceber os sistemas de blogs e a divulgar os blogs então abertos. A hipocrisia tem limites.
Adenda: neste âmbito há ainda que referir o hábito dos jornalistas em não referirem os blogs de que se servem como fonte. No bloguismo português e no brasileiro essa questão foi discutida há já vários anos, e veio desaparecendo por via da interpenetração dos dois mundos (na prática com a disseminação dos blogs de jornalistas e com a transferência de alguns bloguistas para a imprensa). Em Moçambique não sei como será o caso - leio muito pouco a imprensa escrita, por razões de desinteresse ou, no caso de alguns jornais semanários como o Savana ou o Zambeze, por radical oposição ideológica. Assim sendo não posso opinar sobre a recorrência actual da pilhagem jornalística sobre o bloguismo, nacional ou estrangeiro.
jpt