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asterix-e-os-javalis

 

(Uderzo, Goscinny, Asterix nos Jogos Olímpicos).

publicado às 23:21

O último Astérix

por jpt, em 12.01.06

Vejo e leio o Astérix desde que me lembro de mim. Aos 3 anos? Aos 4? No começar pelos livros dos meus irmãos, os franceses, e acho que o francês que sei aprendi-o naquela Gália, que por eles me era contada. Depois, logo depois, no Tintin semanal, religioso durante anos, e onde o Astérix, o Lucky Luke e o próprio dono eram os únicos residentes constantes. Mas também, ao mesmo tempo, nos álbuns nacionais, várias colecções feitas e desfeitas, dissipadas entre o emprestadar dessa idade e os tratos de polé, meus e alheios, aos livros. Astérix é minha família, é minha vida. Amo-o sem crítica, apenas com gosto e, ocasionais, desgostos.

 

Todo o Astérix! O pujante, belo, do antes. E o envelhecendo, tropeçando, gaga-izando, dos últimos anos, afinal já quase trinta de viúvez. Mas criou-me, amou-me, cuidou-me. Que me interessa se decadente? Alquebrado? Todo o Asterix é meu, carinho e felicidade do antes feitos hoje.

 

 

A este já nem comprei. E com isso quebrei, quebrou-se, qualquer coisa cá dentro. Quebra chamada idade?

publicado às 17:44

A tradução de Astérix

por jpt, em 13.01.05
Traduzir ícones. Leio Astérix desde antes de saber ler. Praticando a constante revisita. É-me encantadora esta recente jóia,

"Astérix e o Regresso dos Gauleses" promove-me feliz, pela leitura e por todo o vago antes que me devolve. Um extra-colecção assumido, pequenas histórias algumas ainda do tempo de Goscinny, outras do período (menor, é certo) de Uderzo solitário. Mas, atenção, é da lavra deste último uma Torre Eiffel afinal torre pombal de comunicações em Lutécia, digna de uma selecção asterixiana.


 


No mínimo são-me 35 anos, também de comunhão colectiva. Dezenas de livros, reedições e reedições, vários fascículos nas revistas semanais. Gerações de leitores apaixonados. Astérix é não só bigger than life, é bigger than history. Crenças e preces nesse panteão irmanado por Obelix, encantado por Panoramix, assustado por Assurancetourix, liderado por Abraracourcix, alimentado por Ordralfabétix, tutelado por Agecanonix. Todos estes sob o olhar de Toutatis.

Por tudo isso tanto me irrita esta desconsideração das Edições Asa, a falta de respeito pelos leitores amantes, esses seus clientes, seus viabilizadores. Com que direito a Asa entrega a tradução de um novo Astérix às senhoras Catherine Labey e Maria José Magalhães Pereira, as quais decidem, à revelia de uma tradição construída de leitura, re-nomear os heróis, veros ícones? Quem serão elas, de que alto nos olham, para nos impingir o chefe Matasétix, o bardo Cacofonix, o deus Tutatis, o peixeiro Oftalmologix, o velho Decanonix?

Está tão medíocre a Asa para querer, anacrónica, regressar aos tempos do Mosquito e do Papagaio? Dignissimos, mas no seu tempo! Vai-nos também oferecer o Tim-Tim com seu professor Girassol [seria Ventoínha? a memória trai-me], e um Milou de estranho nome [que também não me ocorre]?

Não tem a Asa ninguém capaz de tratar com a dignidade necessária um produto monstro como Astérix e os seus inúmeros leitores? Condenando a obra aos tratos poluentes de um saber suburbano, cujo espectro de humor se acantona no baixo nível televisivo?



 

Certo, tradução tem contexto, tempo e local. Mas já não é tempo disto. Nem local. Abaixo as Edições Asa.

Que o céu lhes caia na cabeça. Por Toutatis!!!

publicado às 16:20


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