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[caption id="attachment_36236" align="aligncenter" width="850"] jpt, anteontem, na Gorongosa[/caption] 

Vasco Galante, do Parque Nacional da Gorongosa, enviou-nos mais documentação preciosa. Informa sobre o local no facebook onde se encontram mais 39 filmes sobre a Gorongosa. Um filão de sonho, contando com produções externas aos serviços do Parque, oriundas da National Geographic, CBS, RTP, TVM, SIC, etc. Isto tudo para além dos outros 27 filmes que abaixo referi. É para aproveitar, um longo passeio pela “Gorongosa, a nível ecológico, o Parque mais diversificado do Mundo", como referiu E. O. Wilson (já agora, abaixo deixo a palestra deste famoso biólogo quando recebeu o prémio TED em 2007 - até para comprovar a importância desta sua declaração).

 Enviou-nos ainda o texto de Armando Rosinha, "Alguns Dados Históricos sobre o Parque Nacional da Gorongosa", em tempos publicado na revista "Arquivo" (do Arquivo Histórico de Moçambique), nº 6, Outubro de 1989. Trata-se da conferência desse médico-veterinário e antigo administrador do Parque Nacional da Gorongosa, proferida durante a 1.a Reunião Nacional sobre Fauna Bravia, realizada em 9 de Dezembro de 1981. Fica aqui disponível em formato pdf para quem a queira gravar.E mandou ainda uma súmula histórica do parque, produzida pelos serviços do Parque, também colocada no seu sítio, e que eu aqui transcrevo, para nossa fruição.Tudo isto é um apelo à viagem, claro ... 

História do Parque Nacional da Gorongosa

Origens

1920-1940


Desde muito cedo a paisagem dramática e a rica fauna bravia da região da Gorongosa atraíram caçadores, exploradores e naturalistas. O acto oficial com vista a proteger este esplendor apareceu pela primeira vez em 1920, quando a Companhia de Moçambique ordenou que 1.000 quilómetros quadrados fossem conservados como uma Reserva de Caça para os administradores da companhia e seus visitantes. A Companhia controlava toda a região central de Moçambique entre 1891 e 1940, tendo sido esta área concedida pelo Governo de Portugal.

Pouco se conhece sobre os primeiros anos da Reserva, com excepção de que a partir de uma dada altura, um certo homem de nome José Ferreira começou a residir numa casa coberta de colmo no Chitengo incumbido de proteger a fauna bravia. Em 1935, o Sr. José Henriques Coimbra foi designado administrador e o senhor Ferreira tornou-se no primeiro guia turístico. Naquele mesmo ano, a Companhia de Moçambique alargou o espaço da Reserva para uma área de 3.200 quilómetros quadrados para proteger o habitat de Inhalas (uma espécie de antílopes) e Rinocerontes pretos, ambos troféus de caça muito apreciados.

Uma carta escrita por um oficial da Companhia de Moçambique em 1935 mostra claramente que nos primeiros anos, a Reserva era para um pequeno grupo de caçadores, e não propriamente um santuário de vida selvagem. “Uma visita à Beira será em breve feita pelo Cruzador Britânico CARLISLE, que consistirá numa jornada de caça para os respectivos oficiais nas planícies abertas de Gorongosa,” assim escreveu o oficial para o administrador local.

Recomenda-se que o Administrador tome as medidas necessárias de modo a garantir que os ilustres visitantes não encontrem os animais muito excitados ou dispersos, o que tornaria difícil o êxito da caçada.

Em 1940, a Reserva já se tornara bastante famosa, uma nova administração e um campo turístico foram construídos nas planícies perto do Rio Mussicadzi. Infelizmente este sítio teve que ser abandonado dois anos mais tarde, devido a grandes cheias na época das chuvas. Os leões tomaram conta das construções abandonadas e o lugar tornou-se num grande atractivo turístico por muitos anos, conhecido com o nome de Casa de Leões.

1941-1959


Depois do término do contrato da Companhia de Moçambique, a gestão da Reserva passou para as mãos do governo colonial. Sob a administração do Capitão Pinto Soares, o fiscal Alfredo Rodrigues tomou os primeiros passos oficiais com o objectivo de banir as caçadas e de estabelecer um negócio turístico viável.

Em 1951 começaram outras construções de uma nova administração e acomodações no Chitengo, incluindo um restaurante e um bar. No mesmo ano, o governo aumentou mais 12.000 quilómetros quadrados da zona de protecção à volta da Reserva para mitigar os impactos da estrada da Beira para Rodésia, que passava por Chitengo. Até aos finais de 1950 mais de 6.000 turistas visitavam anualmente a Reserva e o governo colonial tinha atribuído a primeira concessão de turismo no Parque.

Em 1955, a Divisão dos Serviços de Veterinária do governo colonial assumiu o controlo sobre a gestão de toda a fauna e flora bravia em Moçambique, incluindo a Gorongosa. A Gorongosa foi nomeada Parque Nacional pelo governo português, em 1960.

O Apogeu

1960-1980

Em 1960, após reconhecer que a reserva necessitava de mais protecção ecológica formal e mais instalações para a actividade turística crescente, o governo português declarou a reserva e mais 2.100 quilómetros quadrados de terra (um total de 5.300 quilómetros quadrados), um Parque Nacional.

O novo Parque deu passos significativos de melhorias, arrancaram construções de estradas e outras infra-estruturas. Entre os anos de 1963 e 1965, as instalações de Chitengo foram alargadas para acomodar pelo menos 100 turistas. Nos finais dos anos 60, Chitengo já tinha duas piscinas, um bar e um salão de festas, um restaurante com capacidade de servir entre 300-400 refeições por dia, uma estação de correios e uma estação de abastecimento de combustível, uma clínica para urgências, e uma loja para vender objectos artísticos locais.

As receitas das licenças de caça e as taxas de caça em qualquer parte de Moçambique contribuíram para este progresso do Parque. No mesmo período, a pavimentação da estrada Beira-Rodésia e a construção da ponte sobre o rio Pungué, em Bué Maria, ajudou a duplicar o número de visitantes.

Igualmente nos finais dos anos 60, realizaram-se os primeiros estudos científicos básicos do Parque, conduzidos por Kenneth Tinley, um ecologista sul-africano. Na primeira contagem efectuada com meios aéreos, Tinley e sua equipe registaram cerca de 200 leões, 2.200 elefantes, 14.000 búfalos, 5.500 bois-cavalos, 3000 zebras, 3.500 pivas, 2.000 impalas, 3.500 hipopótamos e manadas de centenas de elandes, pala-palas e gondongas.

Tinley também descobriu que muitas pessoas e muita vida selvagem residente dentro e nos arredores do Parque Nacional, depende de um rio, o Vunduzi, que nasce nas vertentes da montanha de Gorongosa. Porque a montanha estava fora das linhas fronteiriças do Parque, Tinley propôs a expansão das fronteiras, de maneira a incluir a montanha por ser o elemento chave do Grande Ecossistema da Gorongosa, com cerca de 8.200 quilómetros quadrados. Ele e outros cientistas e conservacionistas ficaram desapontados em 1966 quando o governo reduziu a área do Parque para 3.770 quilómetros quadrados. A razão oficial para a redução era porque os camponeses locais precisavam de mais terras para suas práticas agrícolas. Tinley viu a situação de outra maneira. Ao apontar para o desaparecimento de muita vida selvagem em várias zonas circunvizinhas, ele acreditou que a razão verdadeira da redução da área do Parque era para facilitar o trabalho dos caçadores locais. “A fome deles era de proteínas, e não de terras,” disse Tinley.

Simultaneamente, Moçambique estava no meio da guerra de libertação iniciada em 1964 pela Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo). Felizmente a guerra teve pouco impacto no Parque Nacional da Gorongosa até 1972, quando uma Companhia Portuguesa e membros da Organização Provincial de Voluntários se instalou no Parque para protegê-lo. Nessa altura não foram causados muitos danos, embora alguns soldados caçassem ilegalmente. Em 1972, enquanto a guerra estava ainda em curso, o Parque tinha cerca de 200 leões, 14.000 búfalos, 5.500 bois-cavalos, 3.500 hipopótamos, e mais de 2.000 elefantes. Em 1976, um ano depois de Moçambique estar independente de Portugal, contagens aéras do Parque e do delta do rio Zambeze indicavam aproximadamente 6.000 elefantes e cerca de 500 leões, provavelmente a maior concentração de leões em toda África.

Em justo reconhecimento do progressivo desenvolvimento e reputação da fauna do Parque e da importância de conservar este bem em Moçambique, em 1981, o governo da Frelimo escolheu o Parque para acolher a Primeira Conferência Nacional sobre a Fauna Bravia.

A Guerra Civil

1981-1994

A paz em Moçambique não foi duradoira. A África do Sul começou a financiar e armar uma tropa de rebeldes para desestabilizar Moçambique. Em Dezembro de 1981, pela primeira vez, o Parque Nacional da Gorongosa sentiu a pesada fúria da guerra, quando os soldados da Resistência Nacional de Moçambique (RENAMO) atacaram o acampamento de Chitengo e raptaram muitos dos seus trabalhadores, incluindo dois cientistas estrangeiros.

A partir daquela data, a violência dentro e nos arredores do Parque aumentou. Em 1983, o Parque foi encerrado e abandonado. Durante nove anos, o Parque Nacional foi palco de frequentes batalhas entre as forças opostas. A violenta batalha terrestre, e os bombardeamentos aéreos destruíram todas as construções. Os grandes mamíferos do Parque sofreram terrível destruição. Os dois beligerantes dizimaram centenas de elefantes para retirar o marfim, que vendiam para obtenção de mais armas e outros equipamentos bélicos. Soldados famintos mataram muitos milhares de zebras, bois-cavalos, búfalos e outros animais ungulados. Os leões e outros grandes predadores foram mortos em caçadas desportivas ou morreram por fome por causa do desaparecimento das suas presas.

Ao mesmo tempo, muitas pessoas residentes dentro e nos arredores do Parque foram mortas ou espancadas, especialmente pela RENAMO, já nos últimos anos da guerra, quando grande parte do distrito de Gorongosa estava sob controlo dos rebeldes. Muitos refugiaram-se dentro do Parque. Famintos de carne, caçavam a seu belo prazer, contribuindo assim para aniquilamento da fauna bravia.

A guerra civil terminou em 1992, mas a caça furtiva no Parque, principalmente por caçadores vindos da Beira, continuou por mais dois anos. Por essa altura, as enormes populações de mamíferos de grande porte, incluindo elefantes, hipopótamos, búfalos, zebras e leões, já tinham sido reduzidos em 90% ou mais. Felizmente, as espectaculares aves do Parque saíram relativamente ilesas.

A Recuperação

1995-2003

O esforço preliminar para reconstruir a infra-estrutura do Parque Nacional da Gorongosa e restaurar a sua vida selvagem começou em 1994, quando o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) iniciou um plano de reabilitação - com a assistência da União Europeia e da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Foram contratados 50 funcionários novos, a maior parte deles, ex-combatentes. Baldeu Chande e Roberto Zolho, ambos empregados do Parque antes da guerra, voltaram para assumir cargos de liderança. Chande era director do programa de emergência e Zolho era coordenador da fauna e flora bravias, assim como da fiscalização. "Concluímos que todas as espécies que havia no Parque antes da guerra ainda existem", afirmou Chande a um repórter em 1996. "Nenhuma se encontra extinta mas muitas estão representadas em muito menor número do que antes." Num período de cinco anos, esta iniciativa do BAD reabriu cerca de 100 km de estradas e caminhos e formou fiscais na luta contra a caça ilegal.

Começar de Novo

De 2004 ao Presente

Em 2004, o Governo de Moçambique e a Carr Foundation, com sede nos EUA, acordaram unir esforços no sentido de reconstruir a infra-estrutura do Parque, restaurar a sua fauna e flora bravias e estimular o desenvolvimento económico, dando assim início a um novo e importante capítulo da história do Parque.

Entre 2004 e 2007, a Carr Foundation investiu mais de dez milhões de dólares neste esforço. Durante este período, a equipa do projecto de restauração do Parque criou um Santuário de Fauna Bravia de 6.200 hectares e reintroduziu búfalos e bois-cavalos no ecossistema. Também foi nesta altura que se começou a restaurar o Acampamento de Chitengo.

Dado o sucesso deste projecto inicial de três anos, o Governo de Moçambique e a Carr Foundation (que passou a designar-se “Gorongosa Restoration Project”) anunciaram em 2008 a assinatura de um acordo para restaurar e co-gerir o Parque nos próximos 20 anos.

A dedicada equipa de cientistas, engenheiros, gestores de negócio, peritos em economia e técnicos de turismo que agora trabalha na restauração do Parque Nacional da Gorongosa está confiante de que com trabalho árduo, com o desenvolvimento da população local e com os rendimentos provenientes do ecoturismo, esta zona espectacular irá reencontrar a glória que teve no passado.

Em Julho de 2010, o Governo de Moçambique decidiu alterar os limites do Parque Nacional da Gorongosa e incorporar a Serra da Gorongosa (acima dos 700 metros) dando assim satisfação a uma velha aspiração que tinha sido apresentada nos anos 60 pelo então ecologista do PNG, Kenneth Tinley. O Parque passou a ter uma área de 4.067 quilómetros quadrados e o Governo decidiu também estabelecer oficialmente uma zona tampão com cerca de 3.300 quilómetros quadrados.

jpt

publicado às 19:05

27 filmes sobre a Gorongosa

por jpt, em 25.11.12

Gorongosa Birds from Gorongosa National Park on Vimeo.

O sempre atento e diligente Vasco Galante, do Parque Nacional da Gorongosa, avisa-nos em comentário no postal abaixo do sítio onde estão alojados 27 filmes sobre o Parque - entre os quais esta maravilha sobre pássaros.

É aqui: Vídeos do Parque Nacional da Gorongosa. Vejam-nos. E sonhem, como eu, em um dia visitar (ou revisitar).

jpt

publicado às 10:57

Gorongosa por e-mail

por jpt, em 24.11.12
Gorongosa, National Park Tourism Promo from Bob Poole on Vimeo.

Prova provada que nem tudo sob este céu é facebook aqui partilho este filme, (ainda) recebido por e-mail. Bom para os devaneios de fim-de-semana.

jpt

publicado às 10:56

Fauna Bravia

por jpt, em 05.08.12
[caption id="attachment_35129" align="aligncenter" width="512"] Fauna Bravia, fotografia de cpt[/caption]jpt

publicado às 18:32

O elefante

por jpt, em 23.02.12

Este ma-schamba anda tristonho e maçudo. Talvez por isso um leitor do blog teve a simpatia de me enviar estas fotografias - que também recebeu e cujo autor desconheço - a ver se a casa anima. Trata-se de um elefante banhando-se em Nuarro, no norte de Moçambique. A nota que acompanha as fotos sublinha a extrema raridade desta atitude paquidérmica. Um verdadeiro surfista, diria a VA.

 

[Fotografias Caters News/The Grosby Group]

 

jpt

publicado às 17:06

Gorongosa em blog

por jpt, em 30.01.12

 

O Blog da Gorongosa ganhou a votação "Blogs do Ano 2011", promovida pelo Aventar na categoria Melhor Blog Estrangeiro em Língua Portuguesa. Boa onda a do Aventar a dar a conhecer blogs e a festejá-los (e decerto que a ter uma trabalheira nisso). E ainda bem para os quase-vizinhos da Gorongosa, a merecerem pelo trabalho que fazem (e não só no blog, claro). Parabéns.

 

A propósito deste concurso será de ler um belo texto sobre o actual bloguismo no sempre excelente A Barriga de Um Arquitecto.

 

jpt

publicado às 20:52

Sobre o Zambeze

por jpt, em 16.08.11

Já que abaixo se fala de estratégias de desenvolvimento da agricultura moçambicana convirá ler a reflexão deixada anteontem no PembaAtolL sobre o desenvolvimento agrícola e as modalidades de utilização da bacia do Zambeze e, consequentemente, dos recursos naturais do país. E ainda para mais pois ali são deixadas ligações para outra documentação e reflexões.

jpt

publicado às 01:30

Pássaros de Moçambique

por jpt, em 01.07.11

[Memórias do Instituto de Investigação Científica de Moçambique, Vol. 11, 1971, Série A (Ciências Biológicas)]

 

Coisas que se encontram por aí. Esta é uma bela velha revista, há alguns anos adquirida numa feira do livro universitária, em pleno "campus". Tem um pequeno artigo dedicado ao Chameleontidae (um pequeno imigrante proveniente da África do Sul) e um soberbo "A handlist of the birds of Southern Mozambique. Part II (Passeriformes)", de P.A. Clancey (Director, Durban Museum, Durban), 167 páginas com inúmeras ilustrações. Aqui deixo pequena amostra, com o xirico simbólico a encimar. E com aves da Gorongosa e da Zambézia, para mostrar que a pesquisa foi abrangente. [Recordo que pressionando as imagens elas acrescem].

 

Uma delícia. Para os (poucos, presumo) interessados deixo um aviso. Olhem para o chão quando passarem para as bancas dos alfarrabistas. Pois as sobras destas edições (literalmente) ainda por aí andam, de quando em quando.

 

jpt

publicado às 01:32

 

A última edição sul-africana da revista National Geographic Traveler (a ligação permite a leitura total) dedicada a Moçambique, um extenso guia por estâncias turísticas, muito catapultado pelo Parque Nacional da Gorongosa, pelo Nkwichi Lodge no Lago Niassa, pelas ilhas proibidas das Quirimbas (caríssimas) e por uma mão-cheia de praias. Ou seja, divulgar o turismo no país assente na sua especificidade ecológica, na conservação - alguém compreenderá? Ou continuará o desbaste histriónico? Também um pequeno, sofrível, passar-por-Maputo. Vale mesmo a pena ver a revista. Para planear. Ou para sonhar.

 

Em complemento deixo artigo Guia de Moçambique na National Geographic. É o olhar de turista, mas é disso que se trata.

 

jpt

publicado às 14:24

Parque Nacional da Gorongosa

por jpt, em 24.06.11

[Bart Wursten]

 

No facebook há uma página agregando vários filmes sobre o Parque Nacional da Gorongosa - infelizmente sem disponibilizar os códigos para a sua transcrição em blog. Mas a página é aberta, e justifica a visita.

 

jpt

publicado às 22:54

60 dias de facebooking

por jpt, em 18.06.11

Nunca gostei do sempre-repetido mandamento bloguístico "escreve sobre o que sabes. Link to the rest". Sempre me irritou o prescritivo sobre esta irresponsável actividade, na qual para mim cada-um-como-cada-qual. Os limites do saber próprio (quando este existe) estão no trabalho,  e isto do in-blog é para botar sobre o que vem à respectiva cabeça.

 

Para além disso o weblog é um diário, de impressões, e estas são (ou podem ser) múltiplas, esparsas - um tipo que só se interessa sobre o que sabe, caramba, é um chato. Claro que há os blogs especializados (dedicados), alguns fantásticos. Mas isso é uma saudável opção, não uma obrigação.

 

Mas o mandamento de "link to the rest" está estafado no bloguismo acima de tudo por razões tecnológicas. Com a vertigem imediatista do facebook, aquilo do clic-clic e ligação feita perdeu-se muito da dimensão inter-ligadora (e textual, reflexiva) do bloguismo. Aliás, os sistemas (blogspot, wordpress) terão que integrar essa função supra-ligadora. Ou desaparecem.

 

Como blogar neste contexto? Não sei bem, nem sei se isto tem muito futuro (há anos que se diz que o bloguismo è finito), ainda por cima com a "lentidão" ligadora que tem. Mas, pelo menos, é um sítio e um meio onde se pode escrever ... sobre o que não se sabe. Suprema liberdade potenciada pelo facebook, para onde podemos ir "linkar" coisas, fast-fast, clic-clic, com tanta vantagem ...

 

Uso o FB fundamentalmente como difusor de ma-schamba (a página blog ma-schamba, o grupo ma-schamba [modalidade que perdeu visibilidade nos murais devido às alterações do sistema FB] e o ma-schamba na aplicação NetworkedBlogs). Ainda assim acumulam-se as ligações, seja por réplicas imediatas de outros murais seja provenientes de outros suportes (blogs também). Como exemplo do supra-linkismo facebookista  actual, até vertiginoso, (mas também para meu arquivo, e esperando que alguém se divirta abaixol) deixo os meus dois últimos meses de facebooking, as aventuras nessa likeland reino do clic-clic.

 

A ordem da colocação aqui é inversa da cronológica ...

 

 

64. O (necessário, urgente) elogio da Culinária Moçambicana

 

 

63. Documentário de Werner Herzog sobre pinturas rupestres

 

 

62. Da enorme série "recomendações dos amigos-FB"...

 

61. Assange, o wikilikeakista: o facebook é máquina de espionagem! Estes romanos são loucos!

 

60. Constante reprise

 

59. Pérolas do youtube ...

 

58. Um número especial da Science et Vie dedicado ao acidente nuclear de Fukushima (via Klepsýdra)

 

57. Pérolas do youtube ...

56. O Byrne de oiro.

 55. The Clash "Should I Stay or Should I Go?": sem embebimento disponível ... É clicar e ouvir/ver ... 

 

54. Gorongosa. Fauna, Flora e Paisagens, um belíssimo trabalho fotográfico disponibilizado no facebook.

 

53. 30 Postais sobre Moçambique (elo retirado). Vale a pena lavar a vista.

 

52. José Sócrates: "seis anos de batota". Que herança ... A arquivar, para não o esquecer.

 

51. O "vai vir charters" do Paulo Futre. Uma bela peça de marketing mas, muito mais do que tudo, uma lição de rir-se de si próprio. Viva Futre! (o meu candidato ...)

 

50. O excelente Nkwichi Lodge no Lago Niassa, um verdadeiro eco-lodge e com gente porreira à frente, foi escolhido como um dos 101 melhores hotéis mundiais [Já lá estivemos e sobre isso botei, deslumbrado].

 

49. Da enorme série "recomendações dos amigos-FB"...

 

48. Da enorme série "recomendações dos amigos-FB"...

 

47. Da enorme série "recomendações dos amigos-FB"...

 

46. Da enorme série "recomendações dos amigos-FB"...

 

45. Directório de blogs expatriados. Aqui a secção Moçambique.

 

44. Um ascensão fulgurante, dançarinos moçambicanos integram o último trabalho de Beyoncé.

 

43. João Pereira Coutinho, no fim de José Sócrates, o pior dos políticos portugueses, com o tique máximo da anti-democracia: "um político que prefere negar a realidade e confunde uma crítica ao governo com uma crítica ao país". Que nunca mais volte, é um desígnio nacional, apesar das suas ameaças "em andar por aí".

 

 

42. O excelente sítio Buala a trabalhar sobre Ruy Duarte de Carvalho.

 

41. O Da Casa Amarela a comemorar o aniversário de Dylan

 

40. A AL é uma emérita coleccionadora de cartoons e tem um mural FB fantástico nisso.

 

39. No 70º aniversário de Dylan, ele sobre Elis Regina

 

38. Forever Mickey

 

37. Água Vumba premiada, a minha bebida moçambicana preferida. (Sim, apesar de militante da dupla 2M - Manica)

 

36. A propósito da crise, versão pop-pirosa ...

 

35. 3XMiles

 

34. The Guardian a olhar para a imprensa moçambicana e seu impacto social. O elogio do jornal "Verdade", o popular primeiro gratuito, que tanto modificou a paisagem mediática aqui. E que é líder na imprensa informática, com o vigor que coloca - celebrizando-se na cobertura dos acontecimentos de 1 e 2 de Setembro de 2010.

 

33. Dexter, via MVF - que tem um refinado mural FB. E talvez por isso tão pouco aqui culime ...

 

32. Mitos industriais perversos, via A Arte da Fuga, um bom pontapé no guevarismo e, mais globalmente, no acriticismo.

 

31. Um céu limpo global, fruto de um projecto fotográfico de grande monta.

 

30. Uma nova supernova. A página da National Geographic dá-nos maravilhas diárias ...

 

 

29. Naipaul por Naipaul - agora aflorando a "escrita feminina". Um elefante em loja de femininismos ...;

 

28. Aquando das eleições portuguesas uma reflexão sobre as aldrabices das sondagens políticas portuguesas. Já nas últimas eleições isso se discutiu no bloguismo - o peso simbólico (académico, como se científico, e mediático-televisivo) dos sondageiros, alimentado pela idolatria da numerologia continua a permitir a subsistência e sobrevivência gente. Urge o ostracismo moral. Para todos ..

 

27. No país da Dirty Dilma: também ler um Que fazer?;

 

26. Sobre os telemóveis. Cancerígenos ou não?, via De Rerum Natura. Questão de "estação estúpida"? Ou bem pior do que isso? E que efeitos nos fanáticos twitteristas?

 

25. Chegou o icloud da Apple, e deve mudar bastante as coisas - como por exemplo nunca mais perder os ficheiros por corrupção dos "discos-afinal-moles".

 

24. Notícia da publicação do Caderno de campo na Guiné-Bissau (1947) de Orlando Ribeiro. Para a agenda de compras quando em Portugal ...

 

23. Lou Reed Forever

 

22. Da enorme série "recomendações dos amigos-FB"...

 

21. Bela galeria fotográfica de arte moderna

 

20. Kare Lisboa, na Lx Factory: gente família a lutar bem com a crise. E nós de longe a torcermos pelo sucesso, bem-merecido.

 

19. Lembrei-me da gentil guitarra do Beatle. (um Beatle nunca é ex).

 

18. Bjork, Venus as a Boy: lembrei-me do vulcão islandesa, mas sem direito a partilha (a função "embeber" foi retirada do youtube para este filme). É clicar para ouvir/ver ..

 

17. Tomai lá com o Bach, em Lisboa disse uma velha-amiga

 

5032
Flying in a motorized paraglider over one of the most diverse continents in the world, George Steinmetz captures in his photographs the stunning beauty, potential and hope of Africa's landscapes and people. See the project at http://mediastorm.com/publication/african-air

16. África em vista aérea, uma galeria sumptuosa a mostrar o  trabalho de George Steinmetz, "fotógrafo americano que percorreu e fotografou as paisagens africanas ao longo de 30 anos. Sobretudo do ar, a bordo de um parapente motorizado":

 

 

15. Uma dupla de Siouxie, a última das moicanas ...

 

14. Lago Niassa declarado reserva natural pelo governo de Moçambique, uma boa notícia enquanto há rumores de que empresas se preparam para acelerar a exploração dos "recursos" minerais existentes.

 

13. Ads of the World: conhecer o inimigo. Para melhor o combater.

 

12. Canal de Moçambique, o mais belo título dos jornais moçambicanos, a abrir a sua página no facebook;

 

11. Imperdível, textos sobre Arte Contemporânea africana;

10. Eu lembrei o Tony de Matos e logo uma amiga-FB completou ...

 

9. O Grande Tony de Matos - que eu sempre recordo a actuar no Coliseu dos Recreios em meados dos anos 1980s, então sala-nobre de Lisboa e como tal vedada aos cantores populares. Foi "special guest star" de Vitorino e levantou o público à ... entrada. Um sucesso, uma reparação. 25 anos depois honra ao Vitorino que provocou o momento ...

 

 8. Da enorme série "recomendações dos amigos-FB"...

 

7. Da enorme série "recomendações dos amigos-FB"..

 

6. Uma série apaixonante, a ir ver: Closer To The Truth

 

5. Uma sumptuosa série sobre filósofos, disponível no youtube, ao qual chego via Crítica. Blog de Filosofia;

 

4. Vasco Palmeirim - um delicioso humorista dos novos tempos em Portugal que venho conhecendo via youtube ...

 

3. O silêncio dos livros, um belo blog mostrando leituras.

2. Retirado o título [o grau de doutorada] a deputada europeia [alemã] Silvana Koch-Mehrin que plagiou - informa o Diário de Notícias exactamente no dia em que deixei o resmungo sobre o posfácio dos plágios (e lembrando outro meu lamento mais dorido);

1. Stellarium, um fantástico programa informático que nos põe o planetário em casa (como qualquer miúdo da minha geração teria sonhado).

 

jpt

publicado às 13:10

 

Entre 1 de Novembro e 15 de Dezembro de 2009 decorreu nas províncias do norte a parcela em Moçambique da Expedição Moçambique e Madagascar, a qual inclusivamente teve blog.

 

 

Tudo isto se trata de um apaixonante projecto, o fabuloso Planeta Revisitado [que está aqui apresentado em francês], um projecto do Museu Nacional de História Natural de França e da Fundação Príncipe Alberto II do Mónaco, e que teve como partipante moçambicano o Instituto de Investigação Agrária de Moçambique. É uma Arca de Noé, um mergulho na biodiversidade, tão em risco. E ainda tanta por conhecer. Como diz o programa em relação a Moçambique, conhecê-la é também forma de captar interesses e apoios para o seu estudo e (utopia?) preservação.

 

 

A explicitação do projecto está nas ligações que aqui deixo, em francês e em inglês. Mais do que me deitar a resumi-las fica o aviso, cliquem para ler e ver.

 

Talvez distraído, talvez não, só tomei conhecimento disto há cerca de um mês ao visitar uma exposição que lhe foi dedicada, apresentada na Associação Moçambicana de Fotografia. Não excepcional, diga-se. Mas também seria difícil fazer justiça a um projecto destes. Aqui deixo paupérrimas "imagens" (nem chegam a fotografias) então tiradas com o Nokia do costume - a ilustração naturalista, o encanto de sempre; um sapo "moçambicano" (quem souber o nome latino, que comprova a nacionalidade, diga-o aqui, sff); uma planta também "nacionalizada" via nome; e os iconográficos "caçadores de borboletas", neste caso dois especialistas vindos da Tanzânia para a expedição, figuras sempre lendárias do naturalismo.

 

Leiam ...

 

jpt

publicado às 17:49

jpt

publicado às 17:19

A passagem do ano

por jpt, em 28.12.10

[Margaret Kalk (org.), A Natural History of Inhaca Island, Witwatersrand University Press, 1995]

Numa época na qual é habitual julgar o ser similar (ou até subordinado) ao ter é notório que este Ter (ser) passa ainda pelo "andar". Ou seja, é-se se se for, se em determinados momentos do ano se andar para junto do mar, onde se transpira com abundância, se é ferido pela luz solar e onde se mostram os refegos e furúnculos próprios e apreciam as cicatrizes e tatuagens alheias, e todas essas chagas em vice-versa. Seja isso na costa do sol maputense, aos milhares, ou em refúgios quase-secretos nas águas do cabo delgado, os propósitos são os mesmos. O melhor disso mesmo é podermos enviar, com frequência, sms (ou até mensagens para o facebook, se tivermos "daqueles" telefones), a informar de quantas laurentinas premiuns já bebemos, de quanto azul é o paraíso solar só nosso, ou as formas das mamas face às quais nos babamos, e outras coisas que tais. Enfim, fazer os outros ser (ter) menos dado o nosso tanto ter (ser). Andar ...

Não tenho paciência para estas vertigens solares alheias. Não quero saber da "alegria" alheia - que aliás reputo de alienadora. Nos próximos dias, ar condicionado ligado, vou-me dedicar à leitura deste livro colectivo, 394 grandes páginas dedicadas à ilha defronte, adiada há muito. Não estarei nem aqui nem no trampolim facebook - onde poderão mostrar as vossas aventuras, na praia, na neve, nas montanhas, nas discotecas. Estarei, de forma ainda mais literal, dedicado ao saber.

Sejam. Aliás, andem. Tenham, em suma.

publicado às 15:40

Plágio

por jpt, em 20.11.10

 

O final de ano lectivo é sempre momento para conferências com alunos, o apelo às boas práticas ensaísticas - o elogio das formas de constituição de bibliografias, dos modos de referência ou citação, etc. Entenda-se, não é só o regresso às formas básicas do trabalho académico mas também a luta, dura, feita de vitórias muitas e algumas derrotas, contra o plágio. Esse que a internet muito veio facilitar, ainda que eu acredito que explodiu por via da máquina de fotocópias.

 

Enfim, irritam-me imenso as múltiplas formas de plágio. E esta é uma "estação" na qual estou particularmente sensivel. Não vejo, portanto, qualquer razão para minorar o meu desagrado quando vejo um texto do ABM espetado na página facebook da ong moçambicana "Justiça Ambiental" sem que aí façam referência ao autor (nem tampouco, como mandam as regras, ao sítio onde ele colocou o texto). Irrita-me ainda mais se me vierem dizer que se trata de um ong com bons objectivos, e que nela (e/ou neste caso particular) está gente conhecida (e amiga) do ABM. Pois se amigos são e bons objectivos têm maiores responsabilidades têm em não plagiar.

 

E não me venham dizer que não conhecem o blog. Que quando foi para abrir os primeiros blogs em Moçambique, os de amigos e familiares das causas ecológicas o então único tipo do ma-schamba deu jeito para ajudar a perceber os sistemas de blogs e a divulgar os blogs então abertos. A hipocrisia tem limites.

 

Adenda: neste âmbito há ainda que referir o hábito dos jornalistas em não referirem os blogs de que se servem como fonte. No bloguismo português e no brasileiro essa questão foi discutida há já vários anos, e veio desaparecendo por via da interpenetração dos dois mundos (na prática com a disseminação dos blogs de jornalistas e com a transferência de alguns bloguistas para a imprensa). Em Moçambique não sei como será o caso - leio muito pouco a imprensa escrita, por razões de desinteresse ou, no caso de alguns jornais semanários como o Savana ou o Zambeze, por radical oposição ideológica. Assim sendo não posso opinar sobre a recorrência actual da pilhagem jornalística sobre o bloguismo, nacional ou estrangeiro.

 

jpt

publicado às 01:14


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