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A Vodacom ameaçou-me de morte

por jpt, em 11.02.11

10.20 hrs. e estou a tentar avançar num trabalho, o raio do telefone tem vindo a tocar sempre a ecoar aquelas minudências que tudo trancam sem nada serem. E recebo mais uma chamada, um "número privado" agora, reprimo o palavrão e atendo - são raros os "privados", às vezes de Portugal, talvez seja coisa da família, sempre temidas más notícias. Mas não agora pois ouço "Bom Dia, fala o operador Eduardo da Vodacom!" e segue-se a conversa. Eu num impaciente "que deseja? que se passa?", pouco afável, reconheço, e ele pergunta-me "o senhor não recebeu uma mensagem da Vodacom?" e eu a irritar-me num "qual mensagem? estou sempre a receber mensagens da empresa", coisa que qualquer cliente sabe, não nos largam com os estúpidos sms "ganhou bónus de 0,7 meticais" "ganhou 2,3 mensagens gratuitas", forma da Vodacom dizer e redizer "tudo bom" "estamos juntos" "etc. e tal" de modo continuado, alapando-se aos clientes de modo insuportável.

Mas isto não explico com tamanho detalhe ao operador Eduardo, da Vodacom, esse que me está a telefonar hoje, às 10.20 hrs. E insiste "mas não recebeu uma mensagem no dia 2 de Fevereiro?" e eu aí canso-me, repetindo-me, "qual é o assunto? se recebo mensagens todos os dias, e várias, diga lá qual é questão ..." imaginando um qualquer problema no registo ou sei lá o quê. E o tipo, aliás o operador Eduardo da Vodacom que me telefonou hoje às 10.20 hrs de um número privado, avança e enceta a arenga com um "no dia dos namorados, no próximo dia 14, a Vodacom e o banco (e agora não me lembro se é o BCI ou o Standard, ou os dois) ..." e eu interrompo-o, farto, chateado, apressado, "ouça, V. telefonou-me para fazer publicidade?! isso não, assim não ...". E o operador Eduardo, da Vodacom, que está ali a telefonar-me às 10.20 hrs de um número privado, irrita-se com a minha recusa à publicidade e passa para uma língua que eu desconheço e não reconheço, ainda que o perceba zangado. A mim resta-me perguntar-lhe (perguntar ao operador Eduardo, da Vodacom, este que me telefona de um número privado às 10.20 hrs) "o que está a dizer? não o estou a perceber ...". E então ele remata "eu vou-te matar! eu vou-te matar". Eu, surpreso, riposto "ó operador Eduardo, V. está a dizer que me vai matar?" e ele insiste, repetindo, insistindo, afirmando-se "eu consigo matar-te, eu vou-te matar" enquanto eu me espanto, incompreendendo, julgando-me face a um modo verdadeiramente neoliberal de capitalismo selvagem de ataque ao cliente. Repito, vigoroso, "ó operador Eduardo da Vodacom V. telefonou-me para me dizer que me vai matar?", "é fantástico", e mais malévolo cruzo-lhe a voz num "operador Eduardo da Vodacom, você está louco". E ele ainda insistirá mais uma ou duas vezes, operário colarinho branco a recusar-se a assim ser, a querer(-me) matar, cliente relapso. E aí compreendo o operador Eduardo, da Vodacom, assim fodido da cabeça naquele dedicar-me o "vou-te matar, eu consigo matar-te", pois ele ainda não desligou e eu já me estou a lembrar do Goran Hyden, o tipo dos camponeses descampenisados. É óbvio que este operador Eduardo, da Vodacom (que me telefonou hoje às 10.20 hrs de um "número privado") está "desoperariasado", "desencolarinhizado". Resiste, ainda.

Fico oscilando diante da imagem do operador Eduardo. Entre a vontade de lhe arriar uma sova, filhodaputa que me telefona a querer matar-me. E o solidário com um tipo ali, des-esperado, telefone na mão a ganhar a puta da vida. Farto.

jpt

publicado às 14:57

MCel, companhia majestática?

por jpt, em 01.12.10

Há largos anos que sou cliente da MCel, na modalidade "contrato económico". Na qual o cliente tem direito a mudar gratuitamente de telefone a cada dois anos. Agora bloqueou-se o meu velho, e já combalido, Nokia XpressMusic. Como desde Setembro que tenho direito a um novo aparelho fui buscá-lo. Desloquei-me à loja da Baixa (25 de Setembro) onde cruzei uma multidão ali a registar os números. No balcão livre de "pré-pagos" aguardei um bom naco da manhã e lá fui atendido pelo funcionário ( veterano MCel, veio a dizer-me) Nijamo (ou Nizamo) Issufo.

Disse-lhe ao que vinha, fez-me pagar duas facturas em atraso e anunciou-me que tinha poucos modelos disponíveis. Logo avançou com o "mais disponível", por apenas 17 000 e tal meticais. Até saltei! Não sou fanático de gadgets, satisfaço-me com um vulgar aparelho, aquele do telefonema, da mensagem e - nunca esquecer - do despertador. Vá lá, uma ocasional e sempre má fotografia - que sou bloguista e às vezes há inesperados.  E 17 000 meticais (300 euros) por um telefone? - e logo me lembro dos convites da "Imagem Global" para iniciativas da Nokia destinadas aos bloguistas de Maputo. Deveria eu ter ido? Talvez tivesse sobrado alguma pechincha, e bom jeito me faria agora.

Mas enquanto resmungo contra o esbanjo alheio ele mostra-me uma outra alternativa, daqueles telefones desdobráveis com maior tendência para a avaria, dizem. Que recuso, por isso mesmo. E uma terceira, um com ar simples, de humildade cristã: o Nokia 2330. Pergunto-lhe se este é "equivalente" ao meu anterior, e o funcionário diz-me que sim, deste modo me sossega. E em assim sendo logo resolvo o assunto, e retiro-me, contente de resolvido.

Chegado a casa trato de introduzir no telefone os dados arquivados no computador (contactos, mensagens, etc). Mas ... como? Se este não tem o cabo para tal? Terá vindo incompleto o telefone?, preocupo-me. Perco uma meia hora a ler o manual, que nada me diz sobre o assunto. Interrompo, enfadado. À noite regresso à questão e abro a patilha que cobre as ligações do telefone. A segunda vez que a abro parte-se ... Nem quero acreditar. Decido que terei que voltar à loja. Para mais recebi alguns telefonemas e o som do aparelho é francamente mau.

Na manhã seguinte regresso ao convívio do senhor Nij[z]amo Issufo. De novo uma longa fila para esperar. Chegada a minha vez apresento o meu problema, como introduzir os dados no telefone? O funcionário sossega-me, bastar-me-á comprar um cabo numa loja. "O quê!?", então o telefone não é "equivalente" ao anterior, tal como me disse? Nega-me, em começo de evasiva, mas imponho-lhe a verdade "V. disse-me que era "equivalente", foi a palavra que utilizámos". Acaba por concordar mas confirma-me que preciso de ir comprar um cabo complementar. Estou ofendido e digo-lho, porque não me informou ele dessa necessária aquisição? Ele invectiva-me "O senhor viu o telefone!", e eu digo-lhe o que penso, que é um caso de abuso de confiança. O homem disse-me que o produto é equivalente e nem me deu as informações necessárias, alertou para as diferenças existentes. Depois avanço, não só o som do telefone é mau, como me queixo da patilha partida à segunda vez que manipulada. Responde-me Nij[z]amo Issufo que isso se terá devido a "mau uso" meu.

Com esta resposta passo-me. Chegámos ao domínio da arrogância. Do funcionário, ali a expressar a da companhia. Assim sendo nem vale a pena contra-argumentar. Devolvo-lhe o telefone, inutilizo o cartão SIM. E anuncio-lhe o fim do meu contrato com a MCel, ele que me "faça o favor" de o cancelar, vou para a Vodacom. Diz-me que não posso cancelar, pois a renovação automática do contrato (acontecida em Setembro) vincula-me por mais dois anos sem que possa rescindir. "Estou prisioneiro?" pergunto, estupefacto e irritadíssimo. Insisto, ali mesmo escrevo uma carta a dizer da rescisão. O homem diz que vai entregar o "pedido" aos seus colegas. Irado digo-lhe que não é um "pedido", é uma "rescisão". Sorri, altivo. E diz que me irão comunicar a decisão por e-mail. Já passou uma semana. Ainda não responderam. Entretanto entrámos em Dezembro e já se devem estar a preparar para me cobrar o mês.

A Mcel é uma companhia majestática? Dela sou eu servo?

jpt

publicado às 10:10

Petróleo em Moçambique

por jpt, em 22.10.10

Notícias recentes sobre a exploração de petróleo em Moçambique, com as perfurações na costa de Cabo Delgado, estão agora colectadas e reflectidas no PembaAtoll. Convém acompanhar. Que tudo isto vai mudar. Como?

jpt

publicado às 01:38

Estatísticas sobre Moçambique

por jpt, em 07.09.10

Confesso que ao entrar neste ma-schamba encimado pelo texto anterior, ornamentado com tão grande logo da CIA, fiquei um pouco assim como que, enfim ... Não que eu seja anti-americano (como o pode ser um under ego do Clint Eastwood?). Mas hrrmm, e assim como quem não quer a coisa (não quero mesmo ...), vou acrescentar aos curiosos das características de Moçambique que elas podem ser encontradas com vasto detalhe no portal do Instituto Nacional de Estatísticas de Moçambique.

E ainda que o mito do "papão americano" (o inimigo externo, o vil capitalismo, a pátria das multinacionais americanas - um must, este último) ao longo de décadas tenha feito da CIA uma entidade omnipotente não quero crer que as estatísticas públicas que os serviços secretos americanos divulgam sejam mais compreensíveis do que as que constam neste portal. Ainda para mais apresentado em português. Sirvam-se.

jpt

publicado às 15:31

[imagem encontrada aqui]

No PembaAtolL um muito interessante texto sobre as múltiplas dimensões desta supra-actual questão. A ler. Mesmo.jpt

publicado às 09:45

O Ataque da ZON na África Austral

por jpt, em 06.08.10

Esta fotografia foi tirada nas instalações do Núcleo Sportinguista de Moçambique alguns minutos antes do Sporting-FC Nordsjaelland (5.8.2010) e retrata, para além do afamado leão (ao qual um popular que se associou ao evento surge a tirar a febre), alguns prestigiados sportinguistas de Maputo, cabeças de quatro mui louváveis instituições de cariz cultural e comensal. Mas a fotografia é também testemunha de um relevante acontecimento económico: ao que tudo indica o referido Núcleo, por via das artes e saberes dos seus membros, acolheu a primeira retransmisão em todo o território nacional através de descodificador da ZON, empresa que em Moçambique será conhecida, tal como em Angola, como ZAP.

Em traços lineares o que se trata é da chegada à África Austral da guerra que tem sido travada em Portugal entre a MEO (PT) e a ZON. Tendo esta última garantido os direitos de transmissão dos jogos de futebol do campeonato português (agora conhecida por Liga Zon Sagres) tal significa que em todo o Moçambique para assistir aos jogos portugueses será necessário aderir ao seu serviço (ZAP), adquirindo descodificador e serviço - tal com em Angola, Suazilândia ou África do Sul. Na prática para as famílias interessadas (ou aquelas onde haja interessados) isto significará transitar da TVCabo (Grupo Visabeira) ou da DSTV para o novo operador que agora se vem instalar. Ao que consta os primeiros descodificadores estarão disponíveis em Moçambique em princípios de Setembro. Esta mudança, abrupta, ainda não tem sido comentada na praça pública e julgo que causará, nos primeiros meses, algum "frisson".

De qualquer forma, e como sempre (com ocasionais excepções no respeitante ao futebol), o Sporting esteve à frente.

jpt

publicado às 01:01

Mercado Global

por jpt, em 09.05.10

[Venda de Rua ao Restaurante Costa do Sol, 7.5.2010]

jpt

publicado às 01:00

[João Mosca, Economicando, Maputo, Alcance Editores, 2009]

João Mosca é um dos mais significativos intelectuais moçambicanos, alguém que é sempre urgente ler. Este recente livro é uma colectânea de textos na sua maioria publicados no jornal Savana, aos quais junta alguns produzidos para encontros académicos. A sua arrumação indicia as temáticas abordadas: ensino superior, investigação, economia, agricultura e cooperação. O seu quadro de reflexão sobre o país, e que tão presente sempre surge nos seus textos, é anunciado na introdução:

"A formação e a exercício da actividade académica ... e a interdisciplinaridade apreendida, conduziram ao que se pode designar por "suicídio" da formação de base. Compreendi os debates no seio da área de conhecimento da economia e dos ataques de outras ciências aos economicismos tecnocráticos e à incapacidade da economia, como qualquer outra ciência, de interpretar, explicar e encontrar soluções para a complexidade das realidades no quadro dos limites rígidos do objecto de cada uma das ciências.

Procurei um "suicídio" difícil. No lugar de abandonar a economia e estudar outras ciências (...), preferi a via da crítica à economia para, a partir dela, incorporar conhecimentos de outras áreas na tentativa de uma formação interdisciplinar." (7)

Acabo de comprar o livro, li apenas alguns textos e, ainda que de alguns outros tenha memória da sua publicação em jornal, não posso fazer mais do que aconselhar a sua leitura. Como português e como antigo cooperante encetei a leitura pelo texto "Cooperação Portugal-Moçambique. A estratégia de não ter estratégia?" - apresentado na III conferência internacional de Lisboa sobre "Europa e a Cooperação com África", organizada pelo IEEI. Para quem tenha algum interesse nas questões da "cooperação" portuguesa com Moçambique, ou em geral, é um texto insubstituível. Uma apuradíssima análise das dimensões institucionais, políticas e ideais presentes nesta área de actividade do Estado português, e na própria sociedade - faltará, em meu entender, uma profundidade similar no olhar sobre as dinâmicas da interacção moçambicana neste campo, algo que será compreensível dado o texto ter sido apresentado num plenário em Portugal.

Repito, para quem se interesse pela actividade de "cooperação" é obrigatório ler este texto (pp. 152-157). Dele poderia aqui deixar algumas transcrições mas opto por uma, breve, que reflecte algo que ao longo dos anos tanto tem estado presente, até em demasia, no ma-schamba. Ideia que parece simples, pacífica, mas que na realidade real tanto é esquecida apesar de ser racionalmente cristalina:

"A dimensão e capacidade financeira portuguesa e a perda de oportunidade de protagonismo em alguns assuntos importantes da história recente moçambicana, sugere que Lisboa necessita reanalisar a cooperação com Maputo, devendo fazê-lo sem pensar nas supostas vantagens culturais e históricas." (p. 157)

jpt

publicado às 15:32

ressano-garcia-janeiro-2006-i-099.jpg"Portas-fora" com publicidade à MCel, Ressano Garcia, Janeiro 2006.e a "ciência económica" é uma batata.Adenda ao blog, pois post "ideal-tipo" de Moçambique - e do mundo.Reprise muito actual do colocado em Fevereiro de 2006.

publicado às 15:34

Piripiri Sakana

por jpt, em 24.03.08

Há alguns meses no Dondo contactei com estes preparativos para a comercialização de piripiri, um projecto da Fundação L.Vida que implica o fomento do seu plantio.

sacana-preparandopiripiri.jpg

sacanasecandopiripiri1.jpg

Agora em Maputo felicito o meu palato - e o de vários já fiéis co-consumidores. A marca de piripiri Sakana não é apenas forma de incremento de rendimentos das famílias do Dondo. É um must de marketing. E uma excelência à nossa mesa.

sakana.jpg

Entenda-se, em particular para os mais cépticos e/ou adeptos da malagueta (como este bloguista): a geleia de piripiri Sakana é uma descoberta inolvidável.

Adenda: de meu conhecimento o mais que recomendável produto é vendido no Talho Polana e na sede da Fundação (Avenida Mao Tse Tung).

publicado às 03:04

Turismo em Moçambique

por jpt, em 10.01.08

Recorte do jornal Público, edição de 29 de Dezembro de 2007. Aqui apresentados algumas selecções de destinos turísticos mundiais, realizadas na imprensa internacional. Significativa presença moçambicana. O New York Times coloca o país como o 31º melhor destino turístico; o Guardian elege-o como destino ecológico; o Lonely Planet coloca-o na bluelist, entre os sete melhores destinos, e a National Geographic Traveler coloca Bazaruto como a 56ª melhor ilha. Tudo isto aparenta a hipótese de um incremento da actividade.

Há muito para oferecer. E há muito para melhorar - dos ecos que vou ouvindo, de moçambicanos em particular, o que urge melhorar é a atitude das pequenas autoridades locais. Excessivamente habituadas a pressionar os "vindouros". E, também, os "industriais" de turismo na presença dos turistas. Pressiona os tais "vindouros" que eles destroem, no boca-a-boca, todas estas boas referências.

publicado às 00:03

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por jpt, em 06.10.07

Um interessante artigo de Manuel Ennes Ferreira, que recentemente por cá passou (para agrado geral). A imagem (a pressionar para aumentar) é roubado ao homem do Lusofolia.

publicado às 11:57

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por jpt, em 06.10.07

Um interessante artigo de Manuel Ennes Ferreira, que recentemente por cá passou (para agrado geral). A imagem (a pressionar para aumentar) é roubado ao homem do Lusofolia.

publicado às 11:57

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por jpt, em 26.03.07

(Caia, local de reabastecimento de combustivel. Na estrada nacional norte-sul, nos 620 kms a sul de Nicoadala este e o ponto mais "institucional" de abastecimento. Um total absurdo nos dias de hoje. Com a area do Inchope totalmente demarcada, apenas esperando os investimentos, ainda expectantes. Francamente!)

publicado às 09:20

...

por jpt, em 26.03.07

(Caia, local de reabastecimento de combustivel. Na estrada nacional norte-sul, nos 620 kms a sul de Nicoadala este e o ponto mais "institucional" de abastecimento. Um total absurdo nos dias de hoje. Com a area do Inchope totalmente demarcada, apenas esperando os investimentos, ainda expectantes. Francamente!)

publicado às 09:20


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