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West Coast

por jpt, em 02.02.04

Sempre me irritaram as lamentações de que "o Estado não é uma pessoa de bem", habituais no embrulho das palmadinhas nos ombros aos (recorrentes) lesados. Pura extensão da jurídica "pessoa colectiva", uma antropomorfização do Estado de qualidades analíticas nulas. O Estado é um emaranhado institucional povoado de indivíduos imersos em cadeias hierárquicas mais ou menos explícitas - ainda que tantas vezes pareça necessário ser detective para as destrinçar. Ou seja, o Estado não é uma pessoa mas sim um (enorme) conjunto de pessoas. Daí que quando asneiram ou aldrabam seja mais do que possível e desejável apontá-las e puni-las. Qual "pessoa colectiva" qual quê!

 

Vem isto a propósito da pérola chegada a esta "East Coast" via Público. Para quem não leu o ICEP lançou uma campanha publicitária, Portugal como west coast, pilhando uma ideia da agência BBDO que lhe tinha sido proposta e então recusada. Ideia que foi apresentada publicamente, até no Público de Agosto passado, pelo seu autor Pedro Bidarra. Tipo que conheço há muito, bicho grande lá nas publicidades, e que não precisa mesmo nada destas questiúnculas para que olhem para ele. Este é daqueles casos em que nem hesito para para pôr as mãos no fogo por quem se queixa.

 

Diz a notícia da hipótese do caso ir a tribunal. O qual decidirá justamente, creio, mas nunca antes de todos os intervenientes se terem reformado por terem atingido os respectivos limites de idade.

 

Para mim dever-se-iam evitar tais delongas, que minam a confiança no Estado. Numa situação destas, tão explícita, como evitar inquérito ou julgamento, indemnizações? Eu proponho uma alternativa, que passa pelo velho ordálio (o "juízo de Deus" da nossa tradição):

 

1. ou toda a gente do ICEP envolvida nisto (de alto a baixo) vai borda fora, como piratas que são [e falo no ICEP da tão recente, ampla e noticiada renovação, aquando da ascensão da "diplomacia comercial" e da sua subjugação parcelar ao MNE];

 

2. ou tudo isto é uma ignomínia, uma falsidade de publicitários despeitados, e administração e técnicos do ICEP são honestos, competentes e imaginativos. E como prova disso (e eis o tal "Juízo de Deus") terão que ser eles os autores e responsáveis pelas próximas campanhas eleitorais dos partidos do governo que os suporta.

publicado às 18:13


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